Cotrim vs. Rio


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Há já uns dias que não via qualquer debate eleitoral – nem ouço, como é óbvio para qualquer inteligência mediana, a cáfila de “comentadeiros de debates” que pulula nas estações televisivas. Para saber o que se vai passando passo pelo Facebook, onde bastantes dos meus “amigos-FB” com denodo e arreganho afiançam a teclas juntas que os políticos com os quais simpatizam “ganham” os debates em que participam (e nisso me fazem lembrar um dito da minha juventude, aquele do “se a estupidez pagasse imposto…“, muito facebuqueiro estaria arruinado, concluo eu).

 

Vi agora (em diferido, como se diz na bola) o debate Cotrim-Rio. Apanhei duas coisas interessantes:

 

1) a simpática Clara de Sousa bem mais calma, a induzir que os políticos terminassem as argumentações. Se houve “vencedor” do dia foi ela, pois assim sim.

 

2) os primeiros 11 minutos, do total dos 25 que compõem o debate, foram passados a debater… as propostas fiscais da I.L. Não digo isto como crítica a Rui Rio – até julgo ser mostra de alguma densidade intelectual -, mas é mesmo uma atitude excêntrica de um presidente do partido que se propõe a governar. Não será isso que fará Cotrim de Figueiredo o “vencedor” de uma peleja. Mas decerto que foi saboroso para os militantes e simpatizantes daquele partido (no qual eu votarei, já agora).

26 comentários em “Cotrim vs. Rio”

  1. Vou ver a ronda de ontem.
    Dos post-match, a única coisa que sei é que o Ventura tem perdido todos os debates. Todos. De goleada.

    1. Percebo a sensibilidade, que “é muito cá de casa”. Mas duvido do diagnóstico, porque me parece basear-se no gosto próprio quando não é mesmo disso que se trata. Ainda assim, e para matizar este meu franzir de cenho: só vi um debate de Ventura (sobre isso botei: https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/prisao-perpetua-13512251 ) e não posso opinar sobre o seu desempenho, a sua eficiência eleitoral (porque é disso que se trata) face aos seus oponentes. Mas, no caso que vi, não me parece que Ventura tenha “perdido” (tenha sido menos eficiente para os seus hipotéticos eleitores) do que foi Rio – que aliás meteu os pés pelas mãos nesse dia.

      1. Ventura não perde, é arrasado. Todos os votos que venha a ter serão de, ou fachistas, ou de misericórdia para com o senhor, de tão arrasado tem sido.
        (o pormenor de não o tratarem pelo nome é tão elucidativo… e não é somente a Catarina)

        1. O facto (saudável) de não o tratarem pelo nome próprio terá significado. Mas quanto a isso, essa moda de tratamento, acabo de botar no meu mural de FB uma resposta a um comentário a alguém que, como eu, se desagrada com esse tratamento nos debates e com o uso generalizado de “você”, uma ordinarice que em sendo consagrado pelos betos e queques…:

          – este tratamento pelo primeiro nome é uma moda, que aparece com um ar de “modernaço”. Não é que eu defenda um país de “doutores” (e “engenheiros”) no qual “o respeitinho é muito bonito”. Mas de facto, em momentos formais como estes, em que as pessoas surgem como representantes de movimentos políticos concorrenciais (não estão ali a título individual, sequer) este modo de tratamento deixa indiciar (ou aventa) a existência de uma espécie de “casta” (os políticos e uma elite jornalística que com eles articula) de grande familiaridade, à qual nós vulgares não acedemos (se eu, que me sinto [auto-classifico] classe média, sem boina torcida na mão, e tantos de nós nos depararmos com qualquer um deles não os trataremos pelo nome próprio, como é óbvio). E isso tem um evidente ainda que subjacente significado político, ao qual estes “distraídos” (encantados, de facto) são incapazes de aceder. E depois, claro, dá azo a disparidades que são politicamente inaceitáveis, porque implicam valorizações, constroem (até inconscientes) valorizações dos políticos nos eleitorados. Acima referi o caso dos debates presidenciais (onde, por exemplo, a Marisa Matias vi tratada como “Marisa”, e a Marcelo Rebelo de Sousa como “professor Marcelo”). E ainda ontem a Clara de Sousa (que muito aprecio) escapou-se-lhe um “João” para Cotrim de Figueiredo mas nunca um “Rui” para Rio. Terá a ver com a idade? Cotrim tem 60 e Rio 64… Ou seja, tem a ver com o peso político (Costa não é “António” em público, por exemplo), e isso é inaceitável quando emana de jornalistas e é letal quando nos políticos.
          Quanto ao “você” é outra coisa. Pura falta de educação. E bem que me podem vir dizer que a alta burguesia o usa e que os arrivistas de classe média nisto a mimetizam. Pois também dizem palavrões, por exemplo, e não é isso que a estes tornam canónicos.

          1. Mas ao Ventura não o tratam por você ou Dr, é mesmo “candidato da extrema direita”.
            Podíamos passar a tratar a Catarina por “candidata das brocas”, o Jerónimo por “candidato das greves” e o Costa por “candidato das bancarrotas”.

          2. São todos que o tratam assim? Como disse só vi Ventura em debate com Rio e este não o tratou assim, apesar de ter separado àguas desde o início…

          3. Certamente que não todos. Ou todas.
            Mas já ouvi mais que uma referência de diversos quadrantes ao candidato da ED ou ao candidato do Chega. O homem não é o Valdemort ou o Candyman.

  2. A IL tem ideias muito pragmáticas e simples para atingir o sucesso e resolver os problemas do país, … mas esquece-se de que seria preciso que os portugueses terem dinheiro no bolso para atuarem segundo a sua ideologia.
    Também não responde como iria passar da situação atual para a situação de bolsos abonados.
    Portanto estamos perante uma Ilusão Liberal.

    1. É possível. Mas, de facto, dizer que a IL se “esquece” ou “não responde” presume que não consultou as propostas apresentadas. Não serei eu -. que sou mero eleitor volátil – que lhe responderei. Mas se tem suficiente interesse para reclamar desses défices explicativos deveria (vá lá, poderia…) consultar as propostas e depois contrapô-las. Assim é mera “boca”. “Amandada”.

    2. seria preciso que os portugueses terem dinheiro no bolso para atuarem segundo a sua ideologia

      Claro que pessoas que têm mais dinheiro no bolso têm sempre mais liberdade do que pessoas que têm menos.

      Mas a IL faz propostas para que todos (não somente os ricos) tenham mais liberdade. Quando a IL propõe (por exemplo) que haja cheques-ensino, esses cheques não darão mais liberdade a todos (há pessoas que, por não terem meio de transporte, não podem enviar os filhos para escolas mais longínquas), mas ainda assim darão mais liberdade a muita gente.

  3. no qual eu votarei, já agora

    E faz Você muito bem.

    (Agora veja lá se tem o cuidado de até às eleições não fazer nenhum teste à covid, se não arrisca-se a ser impedido pelo Estado de votar.)

    1. Até agora só me escarafunchei uma vez, antes deste Natal. Espero não mudar de rumo. Estou tri-vacinado, vivo muito enclausurado. Não me parece que vá agora ser atacado por esta gripe. Mas tem muita razão em lembrar este imbróglio eleitoral – a que o Estado e sua CNE não deram a atenção devida em tempo devido.

  4. Fiquei a saber no debate entre o Franciscão e o Tavares que o moderador não controla o tempo que cada um fala. Só mesmo os conteúdos. Muito bom.

  5. Em jeito de adenda a quem estiver interessado: todos os debates estão disponíveis numa coisa chamada RTP Play.
    Assim mesmo, à “amaricana” – prova evidente de que a estação publica protege e valoriza a língua portuguesa, como lhe cabe enquanto serviço público.

    1. Tens toda a razão, também em tempos já resmunguei com isso. Interessante que ontem Rui Rio defendeu o perfil actual da RTP. Dizendo-se avesso à sua privatização – assente na falácia de ter “lucro”, como se não tivesse um monumental subsídio que todos pagamos via taxas, o qual lhe permite fazer concorrência empresarial com as estações privadas, numa adulteração continuada do ideário de “serviço público” – e justificando isso, entre mais dois ou três factores, com essa peculiar realidade de “defesa da língua portuguesa”. Que é feita, entre outros imensos dislates, com esta “RTP …Play”. E tudo passa, sem que haja reacções.

        1. O “play” que as empresas de material audio e televisivo colocam é uma decisão empresarial, e remete para o uso generalizado do inglês. O “play” que o canal de serviço público – que reclama legitimação em nome da “língua portuguesa” – é completamente diferente, é uma aberração.

      1. A SIC e a TVI não querem concorrência…e nós temos de pagar na mesma, veja-se a mama (para as operadoras) que o PS de Sócrates instituiu com a televisão por cabo, onde o serviço básico tem mais canais de bonecada e de repetições do que canais “originais”.
        Eu também queria a RTP privada mas nem por um euro alguém compraria aquilo.

        WW

    2. Qual o nome alternativo que o Pedro Correia sugeririra para a RTP Play?
      Também alteraria o nome da SportTV?
      Creio que são os franceses qe têm essa mania de introduzir à força nomes franceses para novas tecnologias que já têm nomes ingleses estabelecidos. Julgo que sem grande sucesso.

      1. A SportTV não é do Estado, não faz serviço público em nome da “língua portuguesa”. E como o comentador balio é mesmo picuinha diga-me lá, qual é a nova tecnologia que justifica isto dos nomes do canal público ser em lingua estrangeira? O facto de transmitir em diferido?

        1. O Sporting Clube de Portugal faz serviço público 🙂
          Ou fica Sporting Club de Portugal, ou teremos de passar a puxar pelo Desportivo.

          Incomoda-me mais o uso de resiliências e disrupções, ou quadras e remontadas, do que propriamente essas terminologias, que evidentemente são palavras em inglês (tal como a RTP deve ter uma app, e não uma aplicação móvel) derivadas do ambiente em que são usadas.

    1. Sinto como lamentável que o comentador balio, sempre atento e minucioso ao que se passa neste blog colectivo, demonstre tamanho menosprezo pelas voluntárias (e, tenho que frisar, gratuitas) colaborações que aqui vou deixando. Pois essa sua pergunta denota um esquecimento que é até desprezo pela minha recente contribuição: https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/prisao-perpetua-13512251

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