Cenas do “novo normal”


Pedro Correia,

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Agora há disto todos os dias: filas cada vez maiores à porta de farmácias (sem cumprimento do saudável distanciamento físico recomendado pela doutora Graça) e de barracas improvisadas para o efeito. Testes e mais testes e mais testes e mais testes. Um negócio chorudo para farmacêuticos, laboratórios e fabricantes de toda a parafrenália indispensável a tais procedimentos. 

Em horário laboral, nas principais cidades do País (a imagem é de Lisboa, ontem, cerca do meio-dia), dezenas e dezenas de pessoas vão-se acumulando nestes estabelecimentos para obter o almejado comprovativo sanitário. Que tem 72 horas de validade, implicando assim a realização de outro teste três dias depois. E outro e mais outro e mais outro e mais outro. Numa incessante espiral de ansiedade em busca de um objectivo inalcançável: a pureza virológica.

A procura é tanta, instigada pelo contínuo alarmismo dos meios de comunicação, que as farmácias estão já há semanas sem vagas para testes no Natal, como hoje noticia o Expresso. 

São cenas do “novo normal”. Quem não entra nestas filas cada vez mais compactas começa a tornar-se suspeito de militar contra a democracia e vai sendo marcado com o ferrete da obstrução à ciência, como um leproso de tempos antigos transportado para este maravilhoso século XXI. 

24 comentários em “Cenas do “novo normal””

  1. Ainda não temos como na Alemanha a polícia com varas de 2 metros para medir distâncias entre as pessoas(?), mas lá chegaremos…
    Quando as Democracias começam a ter tanta Liberdade como as Ditaduras o que as distingue?

      1. Se você não consegue compreender como a Democracia de pode transformar em Democracia Totalitária, com um muito baixo grau de liberdade até há livros para isso…

        É o que está a acontecer e há vários veículos, não é só o Covid.
        O próprio desenho do Estado Democrático moderno com o nascimento das Agências, Autoridades fora dos Ministérios – com forças policias próprias algumas delas – o demonstra.
        https://en.wikipedia.org/wiki/Totalitarian_democracy

          1. É o que faz ler livros de culinária em vez dos de história. Não há tempo para tudo!

            The Kingdom of England (Latin: Regnum Anglorum, “Kingdom of the English”) was a sovereign state on the island of Great Britain from 12 July 927, when it emerged from various Anglo-Saxon kingdoms, until 1 May 1707, when it united with Scotland to form the Kingdom of Great Britain.

            O Reino de Portugal e dos Algarves foi um reino que existiu no oeste da Península Ibérica, sul da Europa, precursor da atual República Portuguesa. O Rei de Portugal e dos Algarves existiu entre 1139 e 1910

  2. Estamos entregues a gente portadora do mais mórbido e deprimente absurdo.
    Em nome de regras que não se cansam de nos impingir a bem da nossa saúde, atiram-nos hipócrita e criminosamente para ajuntamentos de alto risco, indecorosamente opostos aos que nos vendem em enganosa e impune cartilha.

      1. Habituei-me a ver bichas desde cedo. Antes das 8 à porta do centro de saúde. As do iefp então sempre foram grandes.

        1. Habituei-me a ver bichas desde cedo.

          A ver e a participar. Quando era adolescente já a minha mãe me mandava logo de manhã para a bicha do leite. Nesse tempo o leite era racionado, cada pessoa só tinha direito a um litro dele, e só havia de manhã bem cedo, quando chegava ao supermercado.

  3. parece que em tempos que já lá vão houve uma constituição que agora usa suspensórios.
    ou
    a manada dirigida por uma récua
    ou ainda
    o peso da récua

  4. O “novo normal” que é sempre igual ao velho.
    A diferença está na finalidade, porque para ir para a bicha, o tuga, está pronto.
    Então se a bicha é para dar seja o que for, até trepa paredes. Seja para uma injecção, seja para o “tó-colante” de um partido.
    Bom fim de semana Pedro Correia.
    P.S. (sem segundas intenções) Muito bons os seus artigos no NOVO.. O da Quadratura ou Circulatura (seja lá o que isso for) é soberbo.
    Obrigado pela partilha.

  5. A obscenidade é tal que não se coíbem de fingir adoptar regras e medidas “sanitárias” usando por um lado o medo das pessoas e por outro a ânsia da liberdade de outras tantas para poder fazer umas farras. Tampouco lhes é dito ou fixado em cartazes e caixas atm que tais métodos são falíveis e não aliviam nada.

    Por outro lado ainda, forçam as pessoas a deixar dados privados e confidenciais nas mãos de qualquer boteco e/ou funcionário.

    A ditadura neofascista reveste-se no presente de subtis formas de comunicação para fazer crer que é bondade a maldade e inépcia institucionalizada.

  6. Depois de dois anos a ouvir as recomendações sanitárias da Graças Freitas desconfio que a fila em vez de ser para os testes deve ser para as dores de cabeça.

  7. Não entendo para que é que as pessoas se testam. Terão vontade de ficar em quarentena, 14 dias sem trabalhar?
    Eu nunca fiz um teste ao vírus, e espero continuar sem nunca fazer.

  8. Nestes sucessivos episódios de Twilight Zone a espécie adjectivos foi completamente extinta.
    Já agora, nos tempos que correm dizer bicha pode levar a sermos cancelados. Melhor utilizar fila. 😊

  9. Para os comuns e saudáveis mortais os testes estão esgotados em todas as farmácias, parafarmácias, mercearias,…
    Porque temos muitos idosos na família e para não terem que passar outro Natal isolados somos obrigados a testar, mas só encontro letreiros “indisponíveis”, testes só por encomenda sem garantia de entrega antes do final do mês.

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