
The Matrix , o filme original de 1999, é o meu Star Wars ou Star Trek.
Só já em adulto tive a oportunidade de ver a trilogia original de George Lucas, pelo que o encanto que alguns dos meus amigos também aficionados da ficção científica mantêm pelas aventuras do clã Skywalker acabou por me passar um pouco ao lado; como costumo dizer, as únicas memórias de infância que tenho de Star Wars são não dos filmes mas dos anúncios televisivos de brinquedos que passavam na época do Natal. Já de Star Trek nada vi (excepto os filmes mais recentes, que são esquecíveis e irrelevantes); conheço as referências mais evidentes, as personagens mais famosas, o formato da Enterprise, e pouco mais. Crescer nas décadas de 80 e 90 no interior do país sem vídeo, sem televisão por satélite, e sem acesso a cinemas fez com que praticamente todos os filmes que vi até aos 15 anos tenham passado num dos quatro canais generalistas (salvo uma mão-cheia de sessões de cinema ambulante dos anos 90), sem a conveniência das gravações automáticas e das boxes. Os primeiros filmes de ficção científica de que me lembro – os Back to the Future, o Alien e o Aliens, o Terminator 2 – foram por isso apanhados na programação, e não me lembro da primeira que os vi.
Mas lembro-me da primeira vez que vi The Matrix. Mais ou menos.
Na verdade, não tenho a certeza de a minha lembrança da primeira vez que vi The Matrix seja inteiramente verdadeira, o que não deixa de ser irónico dado o tema do filme. A memória é esta: estava no nono ano, algures entre o final de 1999 e o primeiro semestre de 2000, e o professor de Matemática levou a turma para a sala de vídeo, puxou o carrinho com a televisão e o vídeo, e introduziu no vídeo uma cassete pirata. Disse-nos algo como: vocês aqui nunca podem ver cinema, e este filme é demasiado importante para vocês não verem. Pôs o filme a passar e apagou as luzes. Naquele pequeno ecrã – era o que se arranjava na altura – vi uma cena inicial com uns efeitos verdes curiosos, seguida de uma cena típica de polícias de rua a discutir jurisdição com os agentes engravatados de um FBI ou outra agência do género. “No, lieutenant, your men are already dead”, diz o agente. A cena passa para o interior do prédio aparentemente devoluto onde um grupo de polícias cerca uma hacker vestida de cabedal preto e se prepara para a prender – quando ela ataca o polícia mais próximo, salta, a imagem pára com ela em pleno ar, a câmara gira em redor da sala, e com um pontapé certeiro a hacker projecta o polícia mais próximo contra a parede do outro lado da sala, antes de caminhar pela parede, neutralizar todos os outros, e se colocar em fuga.
Não tenho ninguém que me possa confirmar esta memória. Afinal, qual dos meus antigos colegas do 9.ºE do ano lectivo 1999-2000 se lembrará daquela sessão de cinema? Para a maioria, terá sido apenas mais um filme, um bom pretexto para não passarmos duas horas às voltas com a fórmula resolvente ou cálculos de trigonometria. Mas quaisquer que sejam os detalhes, lembro-me perfeitamente de ter ficado com aquela primeira imagem de bullet time gravada na retina. Ali estava algo que nunca tinha visto, e que alguma vez teria imaginado. E a melhor parte é que dali para a frente o filme só melhorou, tanto nos efeitos especiais como na trama.
Quando já tinha uma Playstation 2, a minha irmã ofereceu-me o DVD de The Matrix, que vi vezes incontáveis. Longas foram as conversas sobre o filme que mantive durante os anos do Secundário com o Nuno, grande amigo ainda hoje, e com o nosso professor de Filosofia e de Psicologia, o Jorge. Quando The Matrix Reloaded estreou em 2003, consegui convencer os meus pais a irem ao centro comercial da Guia – eles foram fazer as compras do mês, e eu e o Nuno fomos ver o filme. Não falámos de outra coisa no regresso, claro, e mais conversa houve após as aulas de Psicologia nas semanas que se seguiram (lembro-me de o professor não ter apreciado alguns elementos do filme, a contrastar com o entusiasmo dos dois alunos). O lançamento de Reloaded foi acompanhado por um videojogo para a PS2, Enter the Matrix, que comprei e joguei de fio a pavio (a trama acompanha Niobe, a personagem de Jada Pinkett-Smith), e por um DVD com nove curtas de animação japonesa, Animatrix, que comprei assim que pude, e que vi e revi vezes sem conta – a última vez foi há um par de meses, e continuam impressionantes ao fim de dezoito anos. Não joguei The Matrix Online e The Path of Neo pois o tempo não dava para tudo. Quando The Matrix Revolutions estreou já estava em Lisboa, e lembro-me de sair da universidade com uma colega, também fã, e de irmos a correr para o Colombo para tentar apanhar lugar na primeira sessão da estreia mundial; chegámos esbaforidos, conseguimos dois bilhetes em lugares distantes, mas isso pouco importava. Vibrámos com a Batalha de Zion, acompanhámos a última aventura do Neo, ficámos imenso tempo cá fora, maravilhados, a falar sobre o filme que tínhamos acabado de ver.
Sim, Reloaded e Revolutions são inferiores ao original. Ao contrário de The Matrix, que envelhece como um bom vinho, a componente visual das sequelas não sobreviveu bem à passagem do tempo. Em Reloaded, o combate no castelo de Merovingian continua belíssimamente coreografada, e famosa perseguição na autoestrada de Reloaded continua electrizante até ao momento final, onde se notam todas as costuras da explosão e do resgate de Morpheus e do Keymaker; em Revolutions, se a batalha de Zion continua imponente, já o combate entre Neo e Smith no final parece saída de um videojogo bem datado. Dito isto, sempre tive um fraquinho por ambos, talvez por todo aquele universo ficcional sempre me ter maravilhado pelas possibilidades infinitas que encerra; e a trama de Reloaded e Revolutions, sempre tão vilipendiada, continua a fascinar-me por aquilo que mostra, por aquilo a que alude, e por todas as ideias que deixa nas entrelinhas. Talvez as Wachowskis tenham pecado por terem deixado demasiadas pontas soltas (a Persephone de Monica Bellucci, por exemplo), muitas pistas em infodumps palavrosos, e poucas resoluções concretas; por outro lado, à época isso permitiu que teorias e interpretações florescessem em message boards com discussões animadas: lembro-me de acompanhar alguns, que me fizeram pensar em aspectos distintos dos filmes, contribuindo para que formulasse a minha própria impressão de toda a história (de forma muito resumida: Zion será também um simulacro).
Dentro de um par de dias terei talvez a oportunidade de confirmar isto, ou de me embrenhar um pouco mais pela toca do coelho, com o regresso de The Matrix ao grande ecrã. The Matrix Resurrections é o título do novo filme, desta vez realizado apenas por Lana Wachowski, e com Keanu Reeves e Carrie-Anne Moss num regresso improvável, considerando o desfecho de Revolutions. Mantenho há muito tempo que poucos universos ficcionais poderiam ter a capacidade de The Matrix para se reinventar nesta época de eternos remakes e sequelas ilimitadas; afinal, a premissa inclui várias versões da matriz e múltiplas reencarnações (versões?) dos seus conceitos fundamentais. Esperava que mais cedo ou mais tarde houvesse mais um filme, mais por insistência da Warner Brothers do que pela vontade das Wachowskis – a trilogia original gerou demasiado dinheiro e foi demasiado icónica para ficar perdida entre 1999 e 2003. Não esperava o regresso de Neo e Trinity, e estou muito curioso para ver como Lana Wachowski vai pegar na trama que concluiu há dezoito anos. As expectativas, essas, são moderadas – creio que a componente visual será forte, a avaliar pelos trabalhos mais recentes da realizadora (o excelente Cloud Atlas, o derivativo Jupiter Ascending, e a brilhante Sense8 para a Netflix) – mas tenho dúvidas de que este regresso se consiga aproximar da fasquia elevadíssima do filme original e das curtas de Animatrix.
O que pouco importa, na verdade. Tal como em 2003, mal posso esperar para regressar à sala de cinema e ver uma nova entrada deste universo ficcional que tanto me diz (sobretudo num ano com este, em que tão poucas vezes pude ver filmes no grande ecrã). Como disse no início do texto, The Matrix é o meu Star Wars: foi o filme que me ficou sempre na memória, que aos catorze ou quinze anos me impressionou como nenhum outro desde a famosa sessão de cinema ambulante na Casa do Povo da aldeia, quando o Sr. António Feliciano (o mais conhecido projeccionista ambulante do país) levou lá o Jurassic Park pouco depois da estreia. Com uma diferença crucial: se o clássico do Spielberg me mostrou algo de que eu já gostava (dinossauros), já o filme de culto das Wachowskis abriu-me os horizontes de forma inesperada. Graças a The Matrix passei a ver com outros olhos o cinema em geral e a ficção científica em particular. As inúmeras conversas durante o Secundário, a par do meu interesse nascente pela escrita, levaram o meu professor a emprestar-me um livro de ficção científica, e desde aí nunca mais parei de ler o género. Olho agora para trás, metaforica e literalmente, e vejo uma estante com centenas de livros, muitos lidos, e muitos ainda a aguardar leitura; recordo os inúmeros filmes que vi, e que continuo a ver sempre que posso; penso em todos os amigos que fiz ao longo dos anos devido ao gosto partilhado pela ficção científica, em convenções, tertúlias, jantares e blogues. E tudo isso tem na sua origem aquele momento difuso em que o tempo parou, dentro e fora do ecrã da televisão, para a câmara rodar em torno de Trinity.

Vi o original (o primeiro) sempre em crescendo saindo da sala de cinema ainda atónito e simultaneamente deslumbrado com tudo o que tinha acabado de ver, tive a noção, logo ali, que tinha acabado de ver um grande filme, daqueles que ficará para sempre na historia do cinema. Quanto às sequelas, vi o segundo e ainda hoje não vi o terceiro.
Nunca vi o original numa sala de cinema. Já vi imensas reposições – o “2001: A Space Odyssey” umas quatro ou cinco vezes, o “Alien” e o “Blade Runner” uma cada, os dois primeiros “Terminator”, o “Dune” do Lynch, até “Akira”. Mas nunca tive a sorte de apanhar uma reposição de “The Matrix”. E bem gostava.
Recomendo o terceiro filme, mesmo sabendo que não há muita gente a fazê-lo. Mas o que recomendo mesmo é as curtas do “Animatrix”. A primeira serve de prólogo a “Reloaded”, e por ser animação digital 3D envelheceu um pouco mais mal. Mas as restantes oito são curtas formidáveis de animação japonesa: algumas desenvolvem o passado da premissa, outras estão intimamente ligadas aos filmes e às suas personagens, e outras exploram ideias e conceitos aos quais os filmes apenas aludem. Valem muito a pena.
Vi as curtas “Animatrix” na altura que saíram, antes de ver o segundo filme. Recordo que gostei, mas não retenho grande coisa. Já revi algumas vezes o primeiro, mas ainda não dei uma nova oportunidade aos restantes. Se me permite faço uma comparação com a saga “Alien”, o primeiro é todo ele uma obra prima do cinema, os restantes são interessantes e valem a pena pelo desenvolvimento da história.
Por acaso com a saga “Alien” sou menos tolerante. Considero o primeiro um dos melhores filmes de ficção científica que já vi (só superado por “2001” e muito ela por ela com “Blade Runner” – que belos anos do Ridley Scott!), gosto muito do “Aliens” pela inteligência que James Cameron teve ao fazer a sequela, mas daí para a frente… o Alien 3 do Fincher tem alguns apontamentos muito interessantes, mas não me cativa por aí além. E nem vamos falar do que se seguiu, tanto pela mão de outros realizadores, como pelo regresso de Scott em “Prometheus” e “Alien: Covenant”. Este último, aliás, dá cabo do mistério do original. É imperdoável.
A ideia da prequela em modo trilogia (acho) era mesmo esse, o de explicar o cânone do bicharoco. O problema nestas espécies de remake é que os realizadores andam sempre ali num limbo entre se manterem fiéis ao estilo do original (para agradar aos indefectíveis fãs) e optarem por uma nova abordagem (para captar outros públicos).
O Alien 3 tentou regressar ao registo do Alien, espaço fechado, suspense, mas mantendo aquelas cenas de acção do Aliens. Por acaso acho as críticas ao filme demasiado duras. Já o 4º é mesmo para sacar umas massas. O primeiro é sem dúvida o melhor terror sci-fi de sempre, o segundo é uma digna sequela, no estilo blockbuster acção, sem cair em fantochadas.
O meu problema com as prequelas é precisamente esse: explicar o mistério da criatura e do “space jockey”. Há coisas que não precisam de ser explicadas, sobretudo quando a explicação acaba por se resumir a um andróide paranóico com uma variante de complexo de Édipo. Enfim.
Gosto muito do “Aliens”. Cameron foi inteligente: percebeu que não valia a pena imitar o original, e mudou um pouco o registo. Desenvolveu um pouco a exobiologia da criatura com a ideia da rainha, sem no entanto aprofundar o que quer que fosse sobre as suas origens. E sim, talvez as críticas ao “Alien 3” sejam demasiado duras. Gosto de alguns elementos do filme, mas sinto falta de personagens verdadeiramente interessantes – Charles Dance será talvez o melhor, mas estica o pernil demasiado cedo. Quanto aos outros, até os Marines do “Aliens” têm mais personalidade!
Eu vi o The Matrix apenas este ano. Nunca gostei de filmes com grandes efeitos especiais, tiroteios e perseguições, pelo que o filme nunca me interessou, apesar de tudo o que li e ouvi sobre a sua genialidade.
Também não sou fã dos filmes Star Wars (que me aborrecem ao ponto de adormecer, que me desculpem os aficcionados). No entanto achei o The Matrix absolutamente fabuloso. Talvez o melhor filme que vi desde o Blade Runner, que provavelmente é o meu filme preferido de sempre (e que, no entanto nunca vi no cinema). Estou impacientemente à espera de ter um par de serões disponíveis para assistir às sequelas.
Se tiver oportunidade, Susana, veja “Blade Runner” no cinema. Não dará o tempo por perdido.
Eu vi o “Final Cut” quando estreou em 2007, e já revi o original um par de vezes na Cinemateca em Lisboa. E se voltar a passar, lá regressarei.
Dois “cortes do realizador” que valeu a pena ir ver no cinema: Blade Runner e o Exorcista. Dois dos GOAT dentro dos seus géneros, mas a experiência no ecrã gigante é outra coisa.
A primeira vez que vi “Blade Runner” foi precisamente em 2007 com a estreia do Final Cut. Fui à sessão do El Corte Inglés com um amigo. Quando saímos, ele pergunta-me: “é impressão minha, ou isto foi muito melhor do que a maioria dos filmes que já vimos?”. E foi mesmo.
Sim, tenho mesmo de ver no cinema.
Eu vi o Blade Runner na televisão, ainda em casa dos meus pais. E quando tive oportunidade gravei em vídeo. Revi muitas vezes, apesar de não gostar de filmes violentos ou com perseguições. Depois comprei o DVD. 🙂
A mensagem do filme é muito forte. Adoro o discurso do Roy Batty, assim como a frase com que termina o filme. É um filme sobre a própria essência de ser-se humano.
Ah, o monólogo final do Roy Batty, todo improvisado pelo grande Rutger Hauer. Um momento inesquecível, sem dúvida.
Para lá do aspecto visual e dos efeitos, não foi filme que me espantasse. Nem criou desejo de ver as sequelas. Não marcou, saí do cinema como entrei.
Tenho pena de nunca ter visto o Dune numa sala de cinema.
Qual dos “Dune”? O antigo do Lynch ou o novo do Villeneuve?
(Já vi ambos no grande ecrã: o mais novo vale o preço da sala IMAX, o mais antigo só mesmo numa sessão baratinha da Cinemateca. Admito que já gostei bem menos do filme, mas continuo a achar que fica muito aquém do potencial que tinha)
Dune, “o” Dune. Apenas na tv e numa “sala”, um projector e uma tela, a que se juntava uma instalação sonora algo manhosa, sendo que o filme foi apresentado sem legendas, o que nao ajudou. Bons tempos.
O remake nao vi.
Não considero o “Dune” do Villeneuve um remake do filme do Lynch, da mesma forma que o “The Thing” do John Carpenter não será um remake do “The Thing from Another World”; ambos vão buscar não os filmes que os antecederam, mas os textos originais em que se basearam. O que aliás é muito evidente no “Dune”: no tom, na estética e na banda sonora o novo é mesmo muito diferente do original. Para o bem e para o mal: é imponente, e mesmo com algumas mudanças acaba por estar mais próximo do livro de Frank Herbert, tanto no tom como na ideia geral; mas acaba por perder alguma da ligeireza e do carácter aventureiro do filme de Lynch, e a banda sonora de Hans Zimmer é mais solene do que a música aventureira e épica dos Toto.
A minha opinião sobre o “Dune” de Lynch tem mudado um pouco. Já detestei o filme, mas hoje em dia aprecio-o por aquilo que tentou fazer. Não o considero mau, mas ficou muito longe do filme que poderia ter sido.
Excelente texto, João. Com entrada directa na futura antologia DELITO DE OPINIÃO.
Tive o texto aqui a marinar uns dias… se soubesse, teria feito mais uma ou duas revisões!
Obrigado, Pedro!
O texto fez-me sentir tão velho…, do pessoal da “Argonauta”. E do “Hitchhiker’s guide to the galaxy” e seu maravilhoso restaurante “do fim do universo” – vi os filmes Matrix, ou pelo menos vi o primeiro e terei ou visto o segundo ou os dois outros mas então confundo-os, todos em tv. Coisa de trintão, até mesmo quarentão. E fico um bocado invejoso, deve ter sido uma bela experiência ver os filmes marcantes e revivê-los em jogos de Playstation, instrumento em que nunca toquei.
Eu já não sou bem do tempo da “Argonauta”, ou talvez ainda pudesse ser se ela tivesse chegado lá à aldeia nos anos 90. Mas devido às andanças da ficção científica conheço várias pessoas que são, e sei quão importante foi para formar uma pequena geração de leitores de ficção científica. Cá em casa temos alguns livros da colecção, dos nossos autores preferidos, que compramos esporadicamente em feiras do livro e alfarrabistas.
O primeiro livro de ficção científica que li, emprestado pelo meu professor de Filosofia e Psicologia, foi da colecção da Livros do Brasil. Adorei o livro, detestei a tradução, assim que vim para Lisboa comprei uma edição original do livro em inglês, que ainda guardo.
Vi o The Matrix no cinema; o único da trilogia que realmente me fascinou. Comprei mais tarde em VHS para poder rever com calma, para lhe aprender melhor o enredo e os efeitos especiais. Creio que foi o meu irmão mais novo quem ficou com a cassete. Não sou grande fã de sequelas ou remakes. Penso que a maioria deixa muito a desejar.
Quanto ao regresso dos protagonistas a expectativa é enorme e a se realidade é um glitch, a idade, essa sim, é sempre real.
O meu DVD original do filme perdeu-se, infelizmente (emprestei-o a alguém).
A idade é real, mas o Keanu Reeves tem envelhecido bem (a coisa já ganhou estatuto de piada em entrevistas), e a Carrie-Anne Moss também. Já tenho bilhetes para ir hoje ver o filme na sala IMAX do Colombo.
Muita inveja por não ter visto o original numa sala de cinema! Até podia ter sido nas sessões ambulantes na Casa do Povo da aldeia!
Há realmente filmes que só podem ser vistos no cinema, ainda que isso comporte algum risco de imprevistos.
Há anos – tantos que nem sei contar – estava na plateia do Éden nos Restauradores a ver Napoleão. Era uma super-produção francesa que no original ultrapassava as 5 horas mas ali fôra reduzida para menos de 4. O início era dramático e bem conseguido. A dada altura, com música adequada e bons planos do povo na praça de Grève, Maria Antonieta encaminhava-se lentamente para o cadafalso.
Sobe os primeiros degraus, para, volta-se para a praça, torna-se a virar e sobe o resto dos degraus. Entretanto no galinheiro, uma espécie de 3º balcão, um artista que já tinha visto o filme, quando ela inicia a subida grita: Oh Maria. Ela para e volta-se para trás. E o artista novamente. não é nada, vai-te embora. Ela volta-se e continua a subir.
Desencadeou-se uma cadeia de riso contagioso e lá se foi o drama. Mais de cinco minutos depois o cinema ainda estava todo a rir.
Também eu fiquei a rir, caro Francisco!
Desse género lembro-me da sessão de “The Lord of the Rings: The Return of the King” no Alvaláxia mais ou menos por esta altura em 2003. Quando a Éowyn retira o elmo, diz “I’m no Man” ao Rei-Bruxo, e lhe enfia a espada pela viseira adentro, a sala praticamente explodiu em aplauso. E lembro-me de há uns anos ter ido com um casal amigo ver “R.P.G.”, um filme pavoroso de ficção científica portuguesa, que nem o Rutger Houer consegue salvar de tão desaproveitado que está. A dada altura lá aparece um plano contra-picado do Pedro Granger e de outro actor, e ouço a minha amiga dizer alto e bom som “olha que dois canastrões”. O que nos rimos!
Ontem quando fui ver “The Matrix Resurrections” já não podia com o barulho das pipocas na primeira meia hora. É nestas alturas que valorizo as sessões da Cinemateca e do Nimas: nada de pipocas. Nunca perceberei o hábito.