A propósito de Paulo Rangel


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Desde há cerca de um ano que aprendi a ter algum apreço pelo eurodeputado Paulo Rangel. Pois considero que no Parlamento Europeu teve posições muito ponderadas relativamente à situação do Cabo Delgado (e sobre isso aqui botei). Terão sido algo tardias. Mas o que é certo que os outros agentes políticos meus compatriotas (e não só) não foram mais céleres. Nem tão eficientes.

Enfim, por outras razões desde há algum tempo Rangel foi alvo de ataques soezes. Na imprensa instituída e nesta imprensa popular que são as “redes sociais”. Senti-me solidário com o político, não só pela crença na necessidade de manter a distinção entre o “público” e o “privado”. Mas também por um empatia enfatizada, dado que partilho algumas das características biográficas de Rangel que então foram propaladas. E aviltadas. E digo-o sem qualquer “drunk pride”, mas apenas assumindo que também já me aconteceu perder a capacidade de traçar azimutes.

Rangel veio agora confirmar algumas dessas suas características. Imediatamente lhe soam em cima os urros de trabalhadores intelectuais – leio um feixe de sociólogos, historiadores, antropólogos, políticos, etc. – e letrados (pois dispõem bem as letras, mesmo no gutural twiterismo) que o acusam de hipocrisia. E assim consideram um homem “como ele” hipócrita pois, dizem-no, tem “ambições”. Algo que qualquer bom católico do Antigo Regime (não do “anterior” mas do “Antigo”, sublinho) considerará um pecado… pois violando a ordem natural das coisas, a ordenação divina. E nisso dizem-no também “incoerente”, dado não partilhar as opiniões políticas que esses intelectuais/letrados têm. As quais consideram obrigatórias para determinadas “espécies”.

De facto, essas pessoas – alguns conhecidos académicos, políticos, no activo ou retirados, jornalistas – reagem a la Fernando Rosas, quando veio gozar o político do CDS que “assumiu” (esse termo semanticamente tétrico) alguns traços da sua personalidade. Todos eles, repito, apoucam, repudiam, até insultam, a “incoerência”, a “hipocrisia” de Rangel.

Enfim, pouco haverá para dizer. Apenas que é preciso ser mesmo muito ordinário para um tipo se dizer de esquerda e apoiar um bandalho que denuncia os activistas pró-palestianos à Embaixada de Israel. E depois vir – como se nada fosse – clamar contra a hipocrisia e a incoerência alheia. Sobre este tipo de gente quando eu era jovem usava-se um expressão: “dão o cu e cinco tostões”. Para proteger o partido que lhes dá acesso aos tais “cinco tostões”. E não têm pingo de vergonha.

47 comentários em “A propósito de Paulo Rangel”

  1. Como em tudo na vida, há certas coisas que só soam bem aquando do nosso lado.
    Onde se viu um tipo de Direita ser homossexual? Só pode ser fingimento.

    1. Começo a ter medo de ser heterossexual, cada vez somos menos e pouco falta para sermos perseguidos por homossexuais, feministas e até por bandos de mulheres sedentas por sexo.

      1. Medo de ser perseguido!!?? Já está a ser perseguido… Nas escolas já se começa a passar a ideia de que ser heterosexual é algo de bizarro!!! Na política, na comunicação social dominam… Então nos filmes se não tiverem a temática gay não recebem subsídios… Enfim, para combater a crise demográfica em Portugal promove-se a cultura gay entre os jovens e a emigração islamica+pentacostal..

        1. Esta música tem o disco riscado, já deu com as do não quererem usar soutians e com os de cabelos compridos e calças à boca de sino.
          E aquilo nos concertos hipis só faltava ver a criancinhas a nascer. E apareciam só filmes desta temática e subsídios para filmes sobre a guerra israel-árabe.

      1. Ou a lei da rolha. Censurar uma graçola que meteu Afeganistão e Venezuela e publicar ofensas por questões de orientação sexual é no mínimo obscurantismo da palermice.

    2. Ai que o menino anónimo não sabe, então e o outro que disse ‘sim, é verdade’? Não nos diga que o tal é um perigoso da esquerda contra a iniciativa privada.

  2. É o primitivismo no Marxismo. Estão sempre a tentar formar tribos de pensamento único para arregimentar.
    Se alguém estraga o pensamento único que essa tribo deve ter, por outras palavras existe “um foco de dissidência”, o “traidor” é implacavelmente atacado pois destrói o mecanismo que permite obter o poder total proporcionado pelo pensamento único, a suprema ambição Marxista.

  3. já me aconteceu perder a capacidade de traçar azimutes

    Já aconteceu a muito boa gente. Devemos, no entanto, arrependermo-nos e penitenciarmo-nos por esses momentos, não declará-los aceitáveis e normais.

  4. um bandalho que denuncia os activistas pró-palestianos à Embaixada de Israel

    Fernando Medina não fez tal coisa. Quem o fez foi um seu longínquo subordinado (um de entre milhares de outros longínquos subordinados), com o desconhecimento de Medina.

    1. Trata-se do ambiente cultural (esquerdista anti-semita) que se vive numa organização dirigida, oficialmente, por A, M ou X. Há coisas que certo tipo de chefia não precisa de dirigir, autorizar. Está implícito no ADN da organização e, curiosamente, até é comportament virtuoso … até um dia aparecer à luz do Sol.
      Aí balbuciam-se envergonhadas escusas.

  5. É esperar que em tempo oportuno se discuta aquilo que realmente interessa sobre Paulo Rangel. Eu por exemplo interesso-me mais pelas questões levantadas pelo Pedro Arroja no Portugal Contemporâneo.

    1. Anónimo, isso é outra coisa. E uma declaração dessas convoca uma assinatura. A mim esse processo também me interessa, por razões pessoais. Sobre isso elaborarei em breve.

      1. Eita! Será que vamos ter novidades sobre a coutada partidária devidamente tordesilhada nos hospitais públicos do Porto? Haverá novas revelações sobre esse DDT a nível ibérico que é a Cuatrecasas? É de esperar notícias frescas de compadrios entre deputados europeus e juízes portugueses? Estou que nem me aguento.

    2. Também estou à espera duma tomada de posição do Rangel, provavelmente organizando uma marcha até à fronteira do Afeganistão por causa dos malvados talibãs, como aquela a favor do Guaidó (que é feito dele?) na fronteira da Venezuela.
      Pois, os talibãs tinham um acordo secreto e aquilo estava tudo combinado, provavelmente todo aquele aparato das milhares de pessoas a fugir fez parte dum esquema organizado pela máfia dos migrantes para a Europa.
      Mas já está tudo normal com os “estudantes”, diferentes dos de há vinte anos, até vão formar um emirado qatariano com eleições livres com vários candidatos, as candidatas ainda não se sabe por terem a cara tapada.
      E prontus
      Zé da Silva

  6. O sr. Rangel para além de traidor, não é uma pessoa confiável.

    Quando o semanário «Tal & Qual» – jornal este em conjunto com o «Diabo» que vale a pena ler – fez referência às práticas sexuais do sr. Rangel, o líder do Partido Social Democrata (PSD), Rui Rio, veio prontamente dar o seu apoio ao visado condenando a notícia publicada por esse jornal.

    E como é que o sr. Rangel agradece? Indo para os bastidores e em conjunto com quem o controla, tenta minar o partido e a liderança de Rui Rio.

    Esta atitude do sr. Rangel – um histérico – diz muito sobre o seu carácter, o que não é de admirar, é uma pessoa mal-intencionada que veio várias vezes a público prestar apoio ao terrorismo, nomeadamente às «Guarimbas» na Venezuela, ou os grupos terroristas e invasores estrangeiros que na Síria tentaram derrubar o Governo do Presidente Bashar al-Assad, isto para não falar do seu apoio apoteótico ao golpe de Estado liberal na Ucrânia, chamado de «Euromaidan», levado a cabo pelo regime da Inglaterra e a união europeia (ue) com o apoio financeiro e militar dos EUA/OTAN, que levou ao poder forças/movimentos políticos nacional-socialistas.

    E para terminar, está-se tudo marimbando para as práticas sexuais do sr. Rangel, ele que faça o que quiser dentro de quatro paredes, e acima de tudo que seja feliz.

  7. eu também já andei aos tombos…em grupo e quando era nova . andar aos tombos , sozinho pela rua ,com 40 bem medidos e ocupando um cargo de representante do povo português , é de palerma irresponsável, ora , não queremos palermas irresponsáveis a governar , pois não? provavelmente as bocas do holandês sobre copos e portugueses , têm alguma coisa a ver com o rangel a cair de bêbado.

    1. Os políticos como clero da ‘coisa’ pública?
      Preocupe-se com os corruptos – a esses se referem, e cheios de razão, os holandeses – não com uma ocasional ou acidental bebedeira.

  8. É engraçado como é que um bêbado é alvo de troça, e um bêbado gay é alvo de apreço.
    A língua portuguesa é mesmo muito traiçoeira.

  9. Devo dizer-lhe que não vi qualquer vídeo de Paulo Rangel embriagado ou a assumir a sua homossexualidade. Não considero tal acto relevante. Por não considerar, deixo as questões pseudo-morais para os e as feministas, lgbtistas e outros contorcionistas.
    Porém anoto a nova semântica do “traço de personalidade”.

    Todavia, se me é permitido, prefiro a expressão cinco soldos de mel cuado (no cu) à expressão “dar o cu e cinco tostões”. Eles não dão nada em valor monetário, recebem.

  10. Rangel é o candidato da esquerda e do lobby gay que domina a comunicação social… O trimming em k aparece a candidatura em plena campanha eleitoral para as autárquicas… É um idiota útil… A estratégia xuxa está a resultar!!

  11. Há que saber separar as águas.
    Não me interessa minimamente a orientação sexual de Paulo Rangel [como ele próprio afirmou nunca fez disso “segredo”, diz respeito à sua vida privada]. Interessa-me e incomoda-me o silêncio do ministro Cabrita. Até quando?! Isto sim, é assunto, é preocupante.

    1. Correcto Té.
      Sendo o Cabrita Ministro da Interna qual a razão de nunca ter falado deste assunto do Rangel em público? Mais uma do Cabrita

  12. A recete revelação de Rangel, mostrou-nos o que já vimos mais vezes. A reação dos autoproclamados donos dos rótulos mostra bem a diferença da abordagem dos regimes totalitários face aos liberais. Se para uns cada individuo não é mais do que o grupo para o qual é empurrado, para os outros todos temos o direito a ser diversos, multifacetados e, também por isso, absolutamente únicos.
    Descrever e tratar alguém como sendo exclusivamente gay, exclusivamente branco, coxo, celíaco ou muçulmano será sempre demasiado redutor. Destratar um gay apenas porque não é de esquerda, ou porque é cigano, gago ou insuficiente renal é próprio dos totalitarismos que nos mostram de que forma a aparente luta pelos direitos das minorias tem sido demasiadas vezes apenas a luta contra um mundo aberto e livre.

    1. Se em vez de ‘demasiadas vezes’ disser ‘quase sempre’ descreve com mais rigor a choldra em que a acção política se transformou.

    1. Esquerda, direita e no meio, por todo o lado. Mas nos países islâmicos atiram-nos dos telhados cá para baixo. Quando a Europa for islâmica, estão fritos. É estranho como andam a trabalhar para a sua própria extinção.

  13. O Paulo Rangel tem valor a nível político e não precisava de vir agora “fazer ondas”. Penso que foi mais uma estratégia da SIC, convencê-lo para a entrevista, para efeitos de audiências.

  14. E por que não recordar Carlos Candal, mais um progressista socialista, criador do manifesto onde havia levissimas insinuações de que o PP atracava os submarinos pelo lado oposto à proa.

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