A liberdade não tem donos


Pedro Correia,

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Manifestação salazarista (27 de Agosto de 1963)

 

Só em ditaduras existem praças e avenidas com proprietários privados. Era assim o Terreiro do Paço no tempo de Salazar: ali se organizavam as grandes manifestações em apoio do regime.

Só em ditaduras existem datas com donos. Era assim o 10 de Junho, alegado “Dia da Raça”, no tempo de Salazar.

Em democracia, nenhuma data do calendário civil tem proprietário privado. Muito menos o 25 de Abril, que não assinala só a Revolução dos Cravos: celebra também o aniversário do primeiro dia em que os portugueses disseram o que queriam em sufrágio livre, directo, secreto e universal.

Em democracia, nenhuma avenida tem dono. Muito menos a Avenida da Liberdade.

46 comentários em “A liberdade não tem donos”

  1. Isto não é bem assim. As manifestações fazem-se com regras. A Câmara Municipal emite uma autorização para que certa organização (e não outra) leve a cabo uma manifestação, em certo dia e hora e espaço. A Polícia está presente para proteger os manifestantes, o tráfego é cortado e, muitas vezes, a organização da manifestação tem um serviço de segurança próprio, para impedir que pessoas se aproveitem da manifestação para fazer desacatos. A organização da manifestação fica então com liberdade para se manifestar naquele espaço e naquela hora – não noutro espaço nem noutra hora – e pode eventualmente, com a ajuda da Polícia, colocar fora desse espaço outras pessoas que estejam, por exemplo, a fazer uma contramanifestação.

    Isto de manifestações não é à balda!

    1. Eis o erro principal. Desde quando é que as CM são donas das terras ou do “espaço público” para emitir o que quer que seja?? As Câmaras e Juntas têm as suas competências bem delimitadas na Lei do Poder Local e nessa Lei não diz que o espaço público pertence às câmaras para determinar o que lá acontece. É somente a usurpação/interpretação socialista do que é o domínio público que cria estes equívocos.

      1. Então você queria que a manifestação do 25 de Abril (por exemplo) percorresse a Avenida da Liberdade sem que ninguém punisse ou prevenisse a correspondente interrupção do trânsito?!
        Você é livre de se manifestar no seu quintal. E também é livre de usar o espaço público para fruição normal (andar ou circular de carro pela rua, digamos). Mas não é livre de usar o espaço público para se manifestar, fazer venda ambulante, armar uma tenda de campismo, ou seja o que fôr sem dar conhecimento disso à Câmara e, eventualmente, obter dela autorização para tal.

        1. Eu não quero que não haja controlo — só não quero é que seja a Câmara a fazê-lo porque as suas competências são outras. Aliás esta confusão e (repito em alto e bom som) USURPAÇÃO DO ESPAÇO PÚBLICO pelos executivos camarários e os seus mastins nas juntas) só acontece depois de fecharem os Governos Civis. Se calhar foi um erro fecharem os Governos Civis.

          1. Eu não sei quem autoriza as manifestações. Julgo que sejam as Câmaras Municipais, mas de facto não sei.
            De resto, não há usurpação do espaço público nenhuma. O espaço público precisa de ter quem cuide dele e evite a sua usurpação por cidadãos privados (por exemplo, para o parqueamento indiscriminado de automóveis ou para a deposição de lixo). Esse alguém tem que ter alguma proximidade ao espaço público do qual tem que cuidar. Não podem ser autoridades de nível distrital, como os Governos Civis.

          2. Os Governos Civis já não existem. Mas quando existiam eram eles quem autorizava manifs. Ia dar ao mesmo porque os GC eram do PS mas pelo menos não era os autarcas que se começam a confundir com os “donos das terras”. Isto é uma questão de atitude não é uma questão política. A questão política com esta gente manhosa que vê o mundo de forma errada não tem solução: estará mal para sempre.

  2. Salazar percebia muito do tema. Ele sabia como a malta gosta de viver. Os sufrágios universais são mais uma maneira para adormecer boi.
    Quem nasce livre morre livre. Mas como vive-se numa sociedade composta por libertos é natural que nunca se saiba o que é ser livre.
    Um liberto nunca alcança o estatuto de livre; e o livre sempre o é, por inerência.

  3. A Democracia acabou por volta de 2005. O jornalismo Marxista não deixará alguém não socialista governar. E como a Constituição diz, caminhamos para o Socialismo, logo a aparencia de Democracia está a prazo.

        1. “Talvez quisesse dizer machista” É isso, faz sentido. Embora pela análise que fiz dos comentários anteriores do mesmo comentador me parecesse muito provável que fosse marchista. Isto por causa das marchas populares de Lisboa que integram muitos comunistas.

      1. O Jornalismo Marxista é isto e é o que temos por cá:

        Activistas – chama-se a alguém de esquerda faz violência
        Extremistas – chama-se a alguém de direita faz ou não faz violência.

        Exilados – refugiados de ditadores que o Jornalismo Marxistas não defende.
        Dissidentes – refugiados de ditadores que o Jornalismo Marxistas defende.

        Líderes – Ditadores que o Jornalismo Marxista defende
        o líder Cubano
        Ditadores – Ditadores que o Jornalismo Marxista não defende.
        o ditador Chileno

        Populista – chama-se a coisas ou pessoas que o povo gosta e o Jornalismo não gosta que o povo goste.
        Democrático – chama-se a coisas e pessoas que o povo gosta e o Jornalismo gosta que o povo goste.

        Protestos – Ataques que o jornalismo apoia
        Ataques – Ataques que o jornalismo não apoia

        “Israelitas morrem em explosão”
        “Ataque israelita mata palestinanos ”

        Indignação – caracterização dos protestos quando o Governo não é apoiado pelo jornalismo Marxista
        Raiva/extremistas – caracterização dos protestos quando o Governo é apoiado pelo jornalismo Marxista

        Coerente- uma pessoa de esquerda é coerente
        Inflexível – uma pessoa de direita é inflexível

        Gastos – se o jornalista não gosta
        Investimento – se o jornalista gosta

        Apaixonada – uma pessoa de esquerda é apaixonada
        Controversa/polémica – uma pessoa de direita é controversa e polémica

        Denuncia – se a esquerda critica algo
        Aproveitamento e Incitamento – se a direita critica algo.

        Oposição Firme- A esquerda faz oposição firme
        Obstrução- A direita faz obstrução

        Convicções e Princípios- A Esquerda tem convicções e princípios.
        Ideologia – já a Direita é ideológica.

        1. Bloco exige / PSD diz ou pede

          Benfica vence no fim / Vitória sofrida do Sporting

          Biden envia Guarda Nacional para tumúltos (normalíssimo) / Trump diz que vai enviar Guarda Nacional para tumúltos (é um acto fascista)

          É às centenas por dia — a vergonha do jornalismo é hoje completa e total

          1. Tumultos não leva acento — não faço ideia como é que aqueles aqui em cima ^ lá foram parar. Deve ser o Costa que já controla como escrevemos nos blogues.

  4. O quê???
    Sou dono da minha namorada e do meu cão!!
    Não fosse eu do Benfica que respeito é que ela teria por mim!!!

    Armando da Conceição

  5. Mas a IL foi proibida de comemorar o 25 de Abril na avenida da liberdade ou foi proibida de integrar o rebanho nas comemorações do 25 de Abril na avenida da liberdade?
    Não estará a haver aqui uma tempestade num copo de água?

      1. Não me diga que aqui no delito agora também há censura?
        Que eu saiba foi no Largo do Carmo que tudo começou em termos de manifestações.
        Não percebo qual é o escândalo este ano com a avenida da liberdade. O ano passado a avenida esteve às moscas, só lá andou uma pessoa com uma bandeira às costas.
        O ano passado o 25 de Abril esteve confinado foi?
        Não gosto é de hipocrisias, existe neste momento um dos maiores ataques à liberdade individual e a nossa maior preocupação é porque meia dúzia de pessoas não foram autorizadas a acompanhar uma procissão.
        Tenha paciência, para esse peditório já dei.

        1. Que linguagem mais salazarenta. “Meia dúzia” de “dissidentes” são empurrados borda fora da Avenida da Liberdade, no dia em que se comemora a dita, como se aquilo fosse coutada privada e você está na primeira fila a bater palminhas.
          Depois venha falar em direitos civis quando estão em causa as vacinas e o combate à pandemia e as restrições impostas por 15 ou 16 estados de emergência…

          1. Se o seu conceito de liberdade é apenas a concretização de um desfile por pessoas amordaçadas na avenida da liberdade, tem razão, para mim é indiferente que o IL integre ou não integre essa marcha.
            Só que o meu conceito de liberdade é o mesmo que o do ano passado quando defendi a festa do avante e os defensores da liberdade de agora eram a favor da proibição.
            Para mim a liberdade para ser comemorada tem de ser em todo o seu significado não pode ser comemorada às pinguinhas.
            Assim como você entende que a liberdade não tem coutadas privadas, a liberdade também não deve ter senhores feudais a limitar a liberdade dos outros.
            Acabemos com a hipocrisia, se o ano passado não utilizaram a avenida da liberdade, porque é que há tanta polémica este ano? Mudou alguma coisa?

          2. Não tem resposta possível porque estamos os dois indignados mas com conceitos diferentes de liberdade.
            Você fica indignado com o espaço.
            Eu fico indignado com a forma.
            Você entende que ninguém é dono do espaço onde pretende comemorar a sua liberdade.
            Eu entendo que ninguém é dono do meu comportamento para me proibir de comemorar a liberdade como eu quiser.
            São dois conceitos diferentes. Como não considero que haja alguém mais responsável do que eu, ou que se sinta no direito de me dar ordens em termos cívicos, mantenho aquilo que disse, é uma hipocrisia comemorar um conceito de liberdade debaixo de medidas repressivas.

  6. Não compreendo. No ano passado a manifestação do 1º de Maio e a festa do Avante, que foram feitas com o nº de assistentes controlados foram um crime contra a saúde pública, este ano tentar controlar o número de presentes numa manifestação é um crime contra a liberdade.

    1. No ano passado, o 25 de Abril foi feito “sem máscaras”, obedecendo à palavra de ordem de Ferro Rodrigues, segunda figura da República Portuguesa. A mesma figura que este ano estará com ela bem posta.
      Se alguma coisa você não deveria compreender, entre um ano e outro precisamente na mesma data, devia ser esta contradição radical entre uma coisa e outra. Mas compreendo que não lhe dê jeito aludir ao tema.

      1. Ferro Rodrigues não é especialista de saúde pública e, pelos vistos não gosta de máscaras. Enquanto elas não foram obrigatórias disse que não se devia utilizar máscara, um erro normal em quem não tem responsabilidades de saúde. A partir do momento em que passaram a ser obrigatórias colocou máscara, outra coisa seria escandaloso da parte do presidente da AR. Por mais voltas que dê não há aqui nada de extraordinário.
        Se me vem dizer que as regras mudaram sem a realidade mudar tem razão, mas isso todos sabemos e não foi a AR que as definiu.
        Já quanto à conveniência de se controlar o número de manifestantes em reuniões políticas por razões de saúde pública concordo que pode haver várias abordagens ao assunto. O que não se pode dizer é que o nº de manifestantes nas que não gostamos é exagerado fazendo um alarido por causa disso e no ano seguinte fazer o mesmo alarido por não nos deixarem entrar. Parece que é protestar por protestar. Se toda a gente fosse aceite estava-se aqui a gritar que era indecente fazer uma manifestação tão grande,

        1. Rodrigues – o “não especialista em saúde pública”, diz você, imitando La Palice – foi de uma irresponsabilidade sem limites ao ter dito o que disse, com a visibilidade que teve dadas as relevantes funções institucionais que exerce e o dramático momento em que o País vivia faz agora um ano.
          Tão irresponsável que estimulou o não-uso de máscaras. Podendo assim ter contribuído para que muitas pessoas se infectassem.
          Espero que ao menos isso lhe pese na consciência…

          Que isto a si não mereça o menor reparo é um sinal inequívoco (mais um) de lógica de trincheira, tão em voga nos tempos que correm. Se quem comete erros lapidares e se mostra irresponsável é da trincheira amiga, tudo se perdoa. E às vezes até justifica elogio.

          1. Não sabia que havia trincheiras nas máscaras. E não consigo imaginar multidões a seguirem o grande líder Ferro Rodrigues no uso da máscara.
            Penso que não temos um povo assim tão estúpido que se fie nas opniões pessoais de políticos em questões de saúde.
            De qualquer modo continuo sem compreender porque é que há um ano era um crime celebrar o 1º de maio com muita gente e este ano é um crime não poder entrar quem quer num desfile na Avenida.

          2. Também não sei se nos devemos fiar nas opiniões pessoais da ministra da saúde que é advogada e o único curso que tem ligado à saúde é de gestão hospitalar.

          3. Obviamente que as opiniões pessoais da ministra da saúde sobre a pandemia não interessam. Só interessam as decisões tomadas pelo ministério, baseadas em técnicos de saúde. Não passa pela cabeça de ninguém ir a uma consulta com a Dr. Marta Temido porque ela é ministra da saúde.

  7. LIBERDADE – condição do ser que pode agir livremente, isto é, consoante as leis da natureza, da sua fantasia, da sua vontade; poder ou direito de agir sem coerção ou impedimento; tolerância. TOLERÂNCIA !

    Pluralismo de expressão (Art. 2º), Direitos e liberdades fundamentais (Art.9º), Igualdade (Art.13º), Liberdade e segurança (Art.27º), Direito de deslocação (Art.44º), por exemplo entre outros bem ilustrados na nossa Constituição, parecem ser valores selectivamente esquecidos por certos donos disto tudo. Os anichados nas sinecuras contemplando a sua soberba.
    Sim, existem regras, sim, têm de existir regras para previamente haver algum controlo sobre o que se pretende fazer em dada altura, em determinadas circunstâncias, nas cidades vilas e aldeias. A democracia tem regras e devem ser respeitadas. Têm de ser respeitadas. Outra coisa é considerar que genericamente somos todos tolos. Lamentável.
    Depois admiram-se dos execráveis terem mais gente.
    António Cabral

  8. é uma festa privada, natural haver reserva de direito de admissão. Os fachos de direita e neoliberais não têm nada que ir conspurcar a festa do povo para a qual nada contribuíram. O Artista Bastos concorda.
    A grande questão é saber se este ano o 25 de Abril se comemora mascarado ou não.

    1. Uma festa “privada” na principal avenida de Lisboa?
      Para festarolas privadas têm o latifúndio do Seixal. Que permanece improdutivo e fechado aos ciadãos 362 dias por ano.
      Tanta habitação social que se faria ali naquele espaço, interdito ao povo…

  9. História de um guião com espaço temporal no Portugal dos anos 50 destinado a prime-time de um canal público:
    a) Um casal que vive em condições de extrema miséria não pode ser genuinamente amoral e alcoólico. Não pode planear friamente a entrega de uma filha a troco de dinheiro a um casal abastado sem filhos. Seria estigmatizar os pobres. A mãe tem que sofrer imenso.
    b) Um órfão não pode ter como marcador de ADN a maldade pura. Seria estigmatizar os órfãos. Tem que sofrer imenso para justificar o desvio comportamental.
    c) A maldade e ganância humana são como o universo ainda não atingiram os seus limites mas são apenas apanágio das classes favorecidas.
    d) Um juiz não pode ser condicionado por um inspector da PIDE. Os magistrados podem sentir-se ofendidos.
    e) Os “maus da fita” não podem escapar impunes. Têm que ser sempre castigados.
    f) Não se pode demonstrar o desejo de um pai provocado deliberadamente por uma filha adoptiva. O “incesto” é tabu, não existe.
    g) Uma família da alta burguesia deve falar o português de uma família de classe-média baixa atual.
    h) “and on and on and on …”
    A Liberdade em Portugal é assim. Uma pessoa da direita democrática tem que ser de esquerda. É fácil entender o desvario político do líder da oposição e o beija-mão de um presidente a um ditador. Simples, assim.

  10. “…em sufrágio livre, directo, secreto e universal….”.
    Pedro Correia usa o termo “directo” ?. Sufrágio “directo” ?. Numa mãozinha ou numas setinhas?.
    Linda democracia.

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