Este texto foi ditado pela minha filha que tem sete anos e está farta de não poder ir à escola. Felizmente segunda-feira isso vai mudar, e já preparou a mochila. Eu dei uns retoques ao ditado.
Esta noite, eu e o meu pai, estivemos na nossa varanda a conversar, enquanto ele fumava cachimbo e bebia bourbon. Mostrou-me onde é que estavam as Três Marias, da cintura de Orion.
Ele levou uma vela para a varanda, onde acendeu um palito e com o esse palito a arder, acendeu o cachimbo. Mandou umas baforadas mal dadas, porque ele não sabe fumar em condições.
Eu disse que parecia um serão de antigamente, porque estávamos à luz da vela, e o cachimbo é uma coisa fora de moda. O meu pai disse-me para nunca acreditar que os antigos eram estúpidos. Eles fumavam e nós sabemos que fumar faz mal, mas há coisas boas que fazem mal.
– Tipo o quê? – perguntei eu.
– Tipo fumar- respondeu ele.
– Hahahaha – ri-me eu.
– Hahahaha – riu-se também ele.
Depois de rir, bebeu mais uma golada.
Ele contou-me uma história de um senhor que era muito rico e tinha muitas casas mas só conseguia estar numa casa de cada vez. Por isso tinha sempre casas vazias. Para tomar conta do jardim de uma das casa, contratou um jardineiro que além de receber o ordenado para tomar conta dela, usava a casa e a piscina todos os dias do ano. Enquanto isso, o patrão estava a trabalhar.
Quando estávamos nesta parte da conversa, uma ovelha pariu e o Paulo teve de interromper o texto para ir ajudá-la.
Eu também fui e por isso este texto vai ficar por aqui.
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Afinal, depois de regressar da rua e de eu ir buscar amêndoas à cozinha, regressamos ao texto.
Não conseguimos ver se é macho ou fêmea, mas era fofinha. Quer dizer, o meu pai disse que ela estava ainda um bocado peganhenta. A mãe ovelha, nunca se tinha visto noutra coisa assim, porque é nova. Tem pouco mais de um ano e nunca tinha parido, mas portou-se bem. Lambeu a cria toda. O meu pai levou a ovelhinha para a barraca e a mãe dela veio logo atrás. O chão levou mais uma camada de palha para ficarem confortáveis. Eu e a minha mãe estivemos do lado de fora da rede a fazer comentários e a dar indicações.
Temos uma sacana de uma galinha castanha que dorme no comedouro das ovelhas. Com o sobressalto, estava danada com tanto barulho.
Há poucos dias atrás só tínhamos três ovelhas e agora já temos cinco, porque esta já foi a segunda cria que aqui nasceu este ano.

Excelente 🙂
Como é alvorada só dou uma baforada a saudar o texto. Logo, após o meio-dia, brindarei como deve ser à nova ovelha. À jovem mãe ovelha. E à galinha. (E, acima de tudo, ao jardineiro).
O jardineiro também usava os cinzeiros do patrão.
A vida rural dos remediados, que os pobres entretêm-se a vivê-la e raro lhes apetece a escrita. Como as ovelhas, sem ofensa para eles ou os bichos, cruzes, Nossa Senhora.
Se tivesse entendido o que quis dizer, talvez respondesse, amém.
Uma “redacção” que ressuma felicidade.
Ressalve-me a pieguice, mas o meu caro é obviamente feliz.
Cpmts , a si e à “tribo”.
JSP
Além do episódio, tê-lo escrito alimentou a ilusão de que estando registado será mais duradouro. E isso devo-o ao DO e aos seus leitores.
Obrigado
Podes ler esse texto na tua próxima aula. Acredito que todos vão gostar.
Eu gostei muito.
Maria
Receio que, quando soubessem que o pai dela dava uns bafos num cachimbo, alguns colegas deixassem de lhe falar. Nunca se sabe.
Obrigado
Tão bom ler este postal, Paulo, tão bom
Obrigado Dulce.