
Ana Sofia Couto: «A ilegalidade da situação de alguns trabalhadores precários é um problema sério, mas mais importante é a questão de saber como se cria emprego. Penso que esta é a questão essencial. Tudo indica que o PSD irá chegar ao poder dentro de pouco tempo. Mais do que “compreender” quem está descontente, um partido com responsabilidade deve pensar em soluções concretas – soluções políticas. E cumprir a promessa de falar verdade.»
Ana Vidal: «E não se poderá defenestrar este governo por uma janela de oportunidade?»
Laura Ramos: «Estamos todos assim: parados e expectantes, no limiar do que aí vem. Seria terrível que Cavaco estreasse o seu segundo mandato com um despedimento sumário e implacável do Governo. E no entanto… Seria merecido. Seria coerente. Seria misericordioso para com todos nós.»
Paulo Gorjão: «Francisco Assis considera que “a estabilidade política em Portugal está posta em causa” e acrescenta que “há um novo quadro político-parlamentar que exige uma grande reflexão por parte do PS”. Os PEC proliferam como um vírus. Os sacrifícios pedidos aos portugueses parecem um poço sem fundo. De facto, Assis tem toda a razão. A incompetência e o descrédito de José Sócrates são factores estruturais de instabilidade que deveriam merecer, da parte do PS, uma profunda reflexão.»
Sérgio de Almeida Correia: «Incompreensível. Só o entendo por puro desespero e pesporrência. A forma como José Sócrates e Teixeira dos Santos negociaram e anunciaram o PEC 4 é a machadada final. Congelar pensões de reforma miseráveis para cumprir as metas do défice não merece comentários. O País já está a pagar. E o PS, caindo no erro quase certo de confirmar dentro de alguns dias a liderança de José Sócrates, vai pagar os últimos dezoito meses da sua governação durante mais um ror de tempo. Se no fim sobreviver o partido nunca mais será o mesmo. Nem Portugal.»
Teresa Ribeiro: «Parem de dar preferência a primos e a namoradas. E já agora de premiar os lambe-botas que vos dizem a tudo que sim. A lambebotocracia é letal. Gera chefes que dificilmente se farão respeitar e chefe que não é respeitado não motiva ninguém para trabalhar. Além disso, promover as pessoas pelo mérito é moderno. Sério, deviam mesmo experimentar.»
Eu: «José Pacheco Pereira – o novo herói da Direcção-Geral da Propaganda – proclamou ontem, abrupto, o seu imenso nojo pela cobertura jornalística das manifestações pacíficas que levaram às ruas cerca de 300 mil pessoas de todas as idades, em várias cidades – a maior iniciativa do género em Portugal, não enquadrada por estados-maiores partidários nem caudilhos sindicais. O que tinha o ilustre pensador a proclamar sobre o assunto? Apenas isto: «Voltou-se ao PREC e aos comícios em directo.» Eis um raciocínio de uma profundidade esmagadora…»
