Chegou ao fim uma das mais delicadas e perigosas, mas também uma das mais significativas, viagens pastorais do Papa. Entre a pandemia e as bombas que o infeliz país tem sofrido há vários anos, a viagem ao Iraque parece ter corrido muito bem e permitiu cumprir vários objectivos, como o encontro com o Ayatollah Sistani, a grande autoridade xiita do Iraque, as vítimas do Daesh e as celebrações com as tão massacradas (e antiquíssimas) igrejas da Mesopotâmia, e são tantas, apesar dos fiéis mingarem por causa das perseguições e da violência.
O Papa conseguiu ainda ir a Mosul, a vizinha da antiga Nínive, no coração da Mesopotâmia, a cidade ocupada e devastada pelo Daesh, há poucos anos. Tinha sido precisamente na principal mesquita de Mosul que o “emir” al Baghadi proclamara o Estado Islâmico, em 2014, e anunciou que conquistaria Roma. Aconteceu precisamente o contrário: o Bispo de Roma é que entrou em Mosul, mas sem armas. Lembra um pouco a pergunta de Estaline, entre risos: “quantas divisões armadas tem o Vaticano?”. A verdade é que o regime de Estaline já não existe, mas o Papa continua a saudar as multidões na Praça de S. Pedro ou em qualquer outro local. Até no Iraque, em 2021.



Pelos livros de história bem sabemos que a igreja foi demasiadas vezes instigadora e perpetradora de conflitos e agressões.
A Igreja Católica na actualidade é completamente diferente e para melhor. Sendo formada por pessoas tem naturalmente alguns maus elementos entre muitos mais que são efectivamente bons.
Esta viagem está carregada de um grande simbolismo histórico e político, mas acima de tudo o que sobressai é o apelo à paz tão necessária, tão difícil mas que nestes dias pareceu possível.
Há uns anos seria mesmo impossível. Agora era possível mas extremamente complicada. E no entanto conseguiu-se.
Nunca serão os reis, os chefes ou os poderosos a fazerem a paz. E a transformarem seja o que for.
Esses nunca abdicarão do seu estatuto nem da sua hierarquia. Logo, impedirão sempre a mudança.
Os que entrarão no reino dos céus nunca serão os pastores nem os de um rebanho deles.
São em primeiro lugar os humildes. E só com humildade é que se pôde realizar esta viagem e, esperemos, os seus frutos
Na Arábia Saudita, na Alemanha, nos Estados Unidos em Portugal, nos laboratórios onde trabalhei éramos de 43 nacionalidades diferentes, e de 4 continentes. Todos cooperámos, partilhámos, conseguimos estar juntos no mesmo objetivo de pesquisa científica. Não houve quaisquer conflitos. Nem as diferenças de cor-de-pele, género, ideologia ou religião serviram para marcar qualquer fronteira ao relacionamento.
Quando saímos para a rua, lá vêem os ideólogos, os pastores das religiões, os chefes políticos, os representantes do povo, os especialistas, os pseudo-sábios, os funcionários dos estados, os empresários, os comentadores dos media, criarem fronteiras e incitarem ao ódio de uns contra os outros.
As actuais fronteiras políticas, ideológicas e religiosas, e os chefes dessas instituições, é que são a causa dos problemas das pessoas. Já não se coadunam com aquilo que as pessoas querem.
É necessário outra territorialização política e outro regime de regulação do actual viver humano.
Enquanto isso não acontecer, não haverá paz, nem com a humildade se resolverá nada.
não tem divisões armadas? então e aqueles senhores que se vestem às cores?
Pois a Guarda Suíça.
Mas, tinha que aparecer o Estaline tal e coisa e fechar os olhos dos crimes dos nazis também podia ter incluído. Pois eram judeus, ciganos e comunistas quero lá saber, afinal os nazis também nunca perseguiram os muçulmanos.
Na realidade, os nazis até procuraram o apoio dos muçulmanos. O mufti de Jerusalém chegou a ser recebido por Hitler antes da Guerra.
A ligação entre os nazis e os persas tem uma base étnica, a raça ariana e o nome da actual Pérsia (Irão) tem a mesma raiz etimológica.
Já com os árabes a base de relacionamento era apenas a partilha de um inimigo comum, a potência colonial da região, ou seja, os britânicos.
Amin al-Husseini. É procurar na “net”. Mas, é claro, é coisa cuidadosamente ignorada.
Costa
São só uma divisão. A pergunta estava feita no plural.
Mosul, […] a cidade ocupada e devastada pelo Daesh
Errado. O Daesh não devastou Mosul. O Daesh ocupou-a, em larga medida pacificamente (porque as tropas iraquianas fugiram), mas não a estragou.
Quem devastou Mosul foi a sua reconquista pelas tropas iraquianas e norte-americanas.
lol
Eis como ser de esquerda equivale a ser burro e mentiroso
O Papa celebrou missa entre 4 igrejas destruídas pelos norte-americanos e pelos governamentais iraquianos. Lavoura dixit.
Não me refiro especificamente às quatro igrejas, que me interessam relativamente pouco. A imensa maior parte de Mosul (as habitações, etc) foi destruída por bombardeamentos (aéreos e terrestres) das tropas iraquianas e norte-americanas.
Aqueles gajos andam em guerra ali há 4 mil anos e agora a culpa é dos americanos. Boa.
Não? então deixo-lhe uma lista de monumentos e de templos que o Daesh destruiu bem antes da tomada da cidade, em 2017. Sem esquecer que mesmo aí houve alguns que ficaram em escombros porque estavam armadilhados: ites_of_Mosul#The_Mosque_of_the_Prophet_ Yunus_(Jonah)
https://en.wikipedia.org/wiki/Islamic_s
OK. De acordo em que o Daesh destruiu muitos monumentos em muitos sítios.
Mas a cidade em si, na sua totalidade, as casas, as estruturas de serviço público, etc, foram devastados, destruídos, reduzidos a pó, não pelo Daesh, mas pela reconquista iraquiana e americana.