Ouviu-se há dias um leve rumor de indignação (e gozo) por um gráfico tuitado (e entretanto apagado) por uma das centrais de propaganda do PS:
Uma tempestade num cálice de licor, é o que vos digo. Em vez de censurarmos a falta de vergonha do partido, louvemos a sua contenção por não ter publicado algo assim:
Nota: àqueles que sintam a tentação de justificar com habilidades semelhantes feitas pelo PSD, CDS, BE ou até pelo Clube de Chinquilho de Freixo de Espada à Cinta, respondo antecipadamente que as canalhices não se anulam – somam-se.



Não lhes dê ideias, peço-lhe. Quando se pensa que batemos no fundo, tenhamos cuidado: o mais certo é ser, ainda, apenas lodo.
Costa
O nosso fundo é extremamente elástico – estica e estica sem limites aparentes.
Eu queria ver se o PS em vez do gráfico das vacinas tivesse posto o gráfico das compotas se havia alguns indignados com o eixo das ordenadas.
É que não é só as canalhices que se somam, as parvoíces também.
Apesar de considerar que torcer gráficos para propaganda é sempre torcer gráficos, não penso que essa seja uma comparação justa. Hoje em dia, o sucesso das exportações da nossa indústria alimentar não tem nas pessoas o mesmo peso emocional que a evolução da pandemia. Fazer malabarismos com os gráficos de produção de compota de maçã é apenas risível. Já fazer malabarismos com os gráficos de vacinação parece-me um bocado para o amoral. E, que não restem dúvidas, continuaria a ser amoral se fosse outro qualquer lado do espectro político a fazê-lo.
Você não relacionou, mas o gráfico da compota que eu referi era em relação ao consumo depois da propaganda da DGS. Era interessante saber se a percentagem de compota distribuída no quintal foi superior à percentagem de compota distribuida no vão da escada.
Torcer gráficos a mim não me incomoda, o que me incomoda é haver pessoas que dão mais importância ao aspecto gráfico do que ao objectivo atingido.
Não fiz a relação entre as duas coisas. Admito que essa história natalícia da compota e dos quintais me passou ao lado e não tive, na altura, curiosidade em perceber o que a originara.
O conteúdo do gráfico, ao contrário da forma, não comento porque não tenho muita informação sobre o assunto. Não embandeirarei em arco por estarmos, pelos vistos, acima da média europeia porque a média, só por si, não esclarece se tal é um sucesso ou um insucesso. Acresce que, para mim, de nada serviria estarmos à frente de todos os restantes países na vacinação se os critérios não fossem os mais adequados (e aqui, ficou-me a impressão de um excesso de ambiguidades em várias alíneas). No entanto, sou um optimista e acredito firmemente que, no final de 2022, quase todos estaremos vacinados.
Você é um optimista, vai ver que quando estivermos todos vacinados em 2022 contra a covid, vai aparecer uma estirpe do influenza que não tem vacina.
A estirpe do influenza está provado cientificamente que não infere o) as compotas.
São uns nojentos sem vergonha. Precisam de começar a comer porrada nos cornos a sério, para terem medo.
Não sei se é uma boa estratégia: o passado já mostrou várias vezes que momentos “Marinha Grande” tendem a favorecer o marinhado – não o marinhador.
Oh, mas isso foi só uns safanões..
Eh pá, sempre a falar mal do Governo…
Esses gráficos lembram os pescadores, que contam que apanharam um peixe assim deeeeeeeeste tamanho.
Ou caçadores que apanharam uma dúzia de lebres.
O verdadeiro problema é continuar a existir público para estes “números de magia”…
JSP
Penso que o verdadeiro problema é outro: é a generalização da iliteracia matemática na população.
Bom sinal que as pessoas já não deixam passar gráficos sem o zero.
Eu leio coisas como o que o luckylucky escreveu e fico sempre na dúvida sobre se serão exercícios de optimismo – ou provocações.
Um raro caso de optimismo.
O PS teve neste caso de meter a viola no saco.
Em tempos enviou-me um link do aeroplano… Th9qpzhunE
Aí vai a troca…https://www.youtube.com/watch?v=n
🙂 Tancos, ocorreu-me agora, também seria um bom cenário para o Leslie Nielsen.
A discussão Política sobre o Covid-19 esconde um debate necessário. Aquele que é mais interessante e pertinente. Esconde a discussão sobre a mudança técnica e ideológica, que está a ocorrer na sociedade e no próprio ser-humano.
Para que necessitamos de um corpo destes, cheio de vírus, bactérias, doenças, feridas, vísceras e nervos? Para que necessitamos deste empecilho à sobrevivência, se do pescoço para baixo podíamos cortar tudo, substituindo por um robot, e ficando apenas o cérebro? E mesmo esse, só até conseguirmos transpor a inteligência para outro suporte ainda mais eficaz e eficiente?
1. Já não é uma questão filosófica ou abstracta. Hoje, é uma questão de engenharia.
2. Enquanto milhões a discutem politicamente, e dizem piadas sobre o assunto… Outros, dezenas de milhares em todo o mundo, tratam-na em laboratórios, universidades e empresas.
…. “O desafio é pôr o pensamento fora do cérebro, transpor para outro hardware todas as nossas capacidades cognitivas, criatividade incluída. Da mesma forma que os biólogos pensaram em criar vida num laboratório, outros cientistas pensam em colocar inteligência noutro suporte.” (Luís Moniz Pereira, ex-professor catedrático da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, investigador de Inteligência Artificial, Laboratório de Ciência Computacional e Informática, 18nov2018).
3. Em 3dez2016, na SPAE, na Fundação Eng.º António de Almeida, promovi esse debate, sob o título “O Corpo em Mutação”.
4. São dois mundos cada vez mais distantes, que irão determinar a mudança Política nas próximas gerações. Será o fim de um status quo ideológico, que se iniciou com a dita “Revolução Francesa e Industrial do séc.XIX”, e levou ao republicanismo, liberalismo, comunismo. E cá, ao reformismo do Marquês de Pombal, à Iª República, ao Estado Novo e ao 25Abril75. Esse tempo, essa mentalidade, essa visão-do-mundo está prestes a ser substituída.
Bem-vindos ao mundo da nanorealidade.
Nanorrealidade é uma excelente palavra.
Apenas eu sinto falta de notícias e comunicados oficiais sem adjectivos e metáforas?
Eu já nem olho para os telejornais.