Neve na minha rua


Cristina Torrão,

Na Alemanha, estamos atolados em neve. Estava a nevar quando me levantei, às sete da manhã, e ainda não parou.

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É frio, mas só cá fora. Resolve-se com agasalhos.

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Em ruas pequenas como a nossa, não há limpa-neves.

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Tem de se andar devagar. Mas não só quando há neve. Moramos numa “rua de brincar” (Spielstraße), as crianças (e os adultos, se quiserem) podem e devem brincar na rua. Têm absoluta prioridade, os carros andam a passo, ou seja, não mais do que 10 km/h, esteja o tempo que estiver.

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Atenção à placa!

22 comentários em “Neve na minha rua”

    1. Em circunstâncias normais (sem pandemia) e dependendo do tempo, a nossa rua, muitas vezes, pouco fica a dever a um recreio de escola
      Mas, mesmo no pino do Verão, o mais tardar, a partir das 20 horas, acaba-se o barulho.

    1. Obrigada, Alice.
      Uma sociedade que não aguente o ruído de crianças a brincar e não tenha paciência para elas deve-se questionar a si própria.

      Um abraço e muita saúde também!

  1. Gosto da forma como a Holanda gere as ruas de brincar. Também existe este sinal, mas quando estão crianças a brincar numa rua é colocado um boneco de plástico colorido com um metro de altura e com uma bandeira triangular num mastro seguro pelo boneco, no inicio da rua. Outra coisa boa na Holanda, é que devido á mentalidade calvinista de ninguém ter nada a esconder e as casas terem grandes janelas sem cortinados ou estores cquase como se fossem montras, as famílias sentem que se acontecer alguma coisa com a sua criança, quase de certeza haverá um par de olhos que testemunhará, principalmente nas avenidas largas com tranpolins no canteiro central. Esse tipo de janelas também ajuda a iluminar as ruas durante a noite, ajudando à sensação de segurança. Detesto quando em trabalho na Holanda em casa partilhada com outros trabalhadores portugueses, fechar os cortinados e jantar a ver TV em holandês, prefiro desligar a televisão e ficar a ver o movivento da rua enquanto janto.

    1. Acho estranha essa filosofia… ainda mais quando tenho vizinhos que se passeiam em pêlo pela casa… mas lá está, ninguém obriga a olhar.
      Existe um respeito pelos espaços lúdicos, jardins, parques infantis, parques para cães, todo o bairro aqui da terra tem pelo menos um, não é como em PT em que qualquer buraco serve é para se enfiar um prédio.
      Por outro lado estranha-se haver bairros inteiros sem um café ou mercearia.
      NA Holanda também não há o conceito de Hiper, disseram-me que como o pessoal vai de bicicleta às compras, não faz as “compras do mês” como em Portugal, daí não precisarem de espaços tão amplos. Os horários também são outra coisa.
      Duas situações interessantes aqui na Hol: não haver hora de almoço, algo que em Portugal nunca me foi permitido, e poder-se negociar o horário semanal. É possível contratualizar um horário entre 32(?) e 40 horas, dependendo da vontade do trabalhador. Importante no que respeita à qualidade de vida, nomeadamente no tempo para a família. Claro que para abdicar de 10h de salário é preciso ganhar acima da média, ou ter 2 salários, mas era algo que seria interessante de discutir em Portugal (estou a brincar, alguma vez…).

    2. Outra coisa boa na Holanda, é que devido á mentalidade calvinista de ninguém ter nada a esconder e as casas terem grandes janelas sem cortinados ou estores

      (1) Casas com grandes janelas gastam muita energia para manter quentes.

      (2) Ninguém tem nada a esconder, como assim? Então se um casal deseja fazer amor na sala de estar?

      Na Suíça também vi casas assim, e achei perturbador (tanto para mim como para os moradores) passar na rua e ver tudo dentro da casa.

      1. Muitas têm vidros triplos, a explicação que me deram foi essa, quase nenhum português gosta, deve ser cultural, só na Holanda tive a experiência de cumprimentar os vizinhos estando um de nós no interior e o outro no exterior quando os olhares calham a cruzar, quase todas as familias em todo o lado fazem o mesmo à noite, jantar, ver televisão, computador ou telemóvel. Lembro-de de uma vez viajar da Holanda para Angola e pensar para mim, mas esta gente gosta de viver dentro de galinheiros, pois todas as aberturas são cobertas com barras pouco espaçadas ou redes, para mim isso foi pertubador assim como em Portugal as moradias mesmo nas aldeias terem muros acima da altura dos joelhos, passa uma sensação de claustrofobia

      1. A Alemanha não é esquerdista, os Conservadores da CDU ganham muitas mais eleições do que os Socialistas do SPD.
        Porque razão os condutores de veículos motorizados devem ter sempre caminho livre (nomeadamente em zonas habitacionais)? A paciência pode-se aprender.

        1. Bem, uma estrada por definição não é para jogar à bola, e há parques para crianças… — mas percebo que numa zona residencial pela imprevisibilidade das crianças, seja um aviso necessário. Além do lado do esforço comunitário e de organização do espaço público que nos países do norte é bastante apreciado e faz parte da sua educação.

          Eu sei que a Alemanha não é esquerdista nem saloia (e são paisagistas) — sorte a deles!

  2. As casas, que parecem enormes, na fotografia são supostas ser ocupadas por uma única família?
    É que, para somente a Cristina e o marido, parecem-me grandes de mais, e devem custar montes de mazute para manter quentes.

    1. Quase todas estas casas são duplas, ou seja, a nossa parte é só a metade que se vê na foto.
      Além disso, mais superfície habitacional não implica necessariamente mais gastos em aquecimento. Depende do isolamento das paredes e de sistemas de aquecimento eficientes. Infelizmente, em Portugal, a grande maioria das casas tem paredes tão finas e mal isoladas, que todo o ar quente é como que sugado para o exterior. Em Portugal gastam-se fortunas em gás para obter um aquecimento pouco eficiente.

      1. Passa-se mais frio no interior em Portugal que nesses países de neve, mesmo eu trabalhando em acabamentos da construção civil, sofro mais no Inverno em Portugal do que na Holanda.

      2. a grande maioria das casas tem paredes tão finas e mal isoladas, que todo o ar quente é como que sugado para o exterior.

        É verdade, mas também o interior tem pouco material susceptível de acumular energia. Como por exemplo a mania das tijoleiras — uma mania sem sentido que não era muito comum mas se tornou moda com a parvoíce de que é “fácil de limpar”. Pois é, mas além de normalmente ser feia com o raio, é um material que não retém energia nenhuma e torna as casas gélidas. O mesmo para paredes interiores que passaram a ser feitas em alvenaria sem necessidade nenhuma.

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