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Dia de Reis, 2021: Washington, parlamento.
Estes anos 10 de XXI foram, de facto, a “década chinesa” – e isso notou-se bem quando em final de 2020 se assinou o tratado de comércio livre dos 15 da Ásia-Pacífico, enquanto a semi-intelligentsia cristo-“ocidental” discutia com minúcia erotizada o iminente Brexit e as eleições americanas. Julgo que daqui a largos anos sobre esta era os vindouros afirmar-lhe-ão ainda outros dois traços centrais: a continuidade do até surpreendente solavanco indiano (pois o choque dos gigantes asiáticos será estruturante desse futuro); e – num nível que lhes será bem mais fundamental do que tanto tonto ainda grasna – a incapacidade dos países ricos em enfrentarem a reconversão industrial ecologicamente imposta.
Mas neste nosso reduto, o tal “Ocidente” – esgarçando-se como o centro do mundo, que o foi nos últimos 250 anos -, a “década” teve outros traços fundamentais muito, demasiado, marcados pelos abalos internos nos EUA, provocados pela decadência da pax americana, promovida por forças bem mais relevantes do que a óbvia incompetência externa das suas últimas presidências. Por um lado, o crisma das eunucas “agendas identitárias” – total reprise do que a lenda narra como ambiente ideológico aquando da queda de Constantinopla diante do imperialismo islâmico, aquilo da querela sobre o “sexo dos anjos” – submergiu o velho pensamento progressista, metastizado após a queda do comunismo.
E por outro lado, o recrudescer das “agendas soberanistas” – mero invés das outras, pois de facto também elas apenas “identitárias” -, de cariz ferozmente reacccionário, mesclando laivos de liberalismo económico, demagogicamente apropriados, com um conservadorismo radical. Foi esta a “década” encetada pelo movimento Tea Party, de facto um proto-fascismo teocrático. E mais perto de nós, entre outros epifenómenos na Mitteleuropa, os manobrismos de Farage, acoitados pelo paupérrimo Cameron. E tudo isto exponenciado nesta ascensão de Charles Foster Kane à presidência do país mais poderoso do mundo.
Muito se diz que a democracia (“sempre frágil, sempre vulnerável, corruptível e muitas vezes corrupta“, disse-a Bobbio, quando dela fez a apologia) é frágil. Sim, é-o, tem esse enorme vigor. O da fragilidade. No Dia de Reis de 2021 a “década” acabou – esta, que tanto demonstrou essa fragilidade. Findou de modo algo sanguinolento. Mas como farsa. Resta-nos, acima de tudo, olhar os farsantes e seus adeptos, seja lá qual for a sua “identidade”, como o que são: farsantes. Alguns malévolos. A maioria apenas imbecis. E combatê-los. Com denodo, aos primeiros. E com infinita ferocidade aos outros, pois muito mais perigosos. E numerosos. Vera pandemia que são.

>”agendas soberanistas” – mero invés das outras, pois de facto também elas meramente “identitárias.<
Estes recados “botados”, estas missivas insignes, enfim, estes “postais” à “jpt”, no seu molde neobarroco, a puxar dos tais de 70…caro, jpt, ó artista de fintas gráficas, apesar do corisco outrora achegado entre/a, nós, confesso-lhe, sem pejo, são, pela qualidade do punho, da letra, como obra celestial. Jpt, o Baresi do DO. Bem haja. Muitos anos o assistam. Segui-lo-ei, em devoção, mas não cegamente. Tudo de bom
o “Baresi do DO”?! Fogo, isso é um g’anda d’um elogio, Fogo!, como posso eu, mero mortal, refutar isso …? (ainda que sempre me veja, e o Pedro Correia compreenderá ainda melhor o meu lamento, como o mero Anderson Polga da casa)
“Foi esta a “década” encetada pelo movimento Tea Party, de facto um proto-fascismo teocrático.”
Não tem mesmo a noção do que fala ou então sofreu a propaganda do jornalismo que se faz por cá que copia o NYT de lá…
JPT diz que vota na IL. O Tea Party foi do que mais se aproxima da IL…
Não tenho noção? ouça lá, principalmente você ó luckyluke,quem é vocÊ para me dizer uma coisas dessas, seu morcão? desampare-me a loja
Quando se diz algo tão contrário ao que foi é perfeitamente justificável, você pode é não aceitar na sua casa. O Tea Party foi um movimento para o governo pequeno e limitado com gastos controlados e impostos baixos. O próprio nome Tea Party dá uma ideia. Boston Tea Party origem de protestos contra os impostos da Inglaterra que veio dar independência americana.
Porquê ‘imperialismo islâmico’ ? Não seria melhor dizer o imperialismo otomano, a religião islâmica continuou implantada por toda a Ásia.
A ‘queda do comunismo’? Não seria melhor dizer a queda da urss, governos e regimes comunistas continuaram em vários países do mundo.
1. porque isto não é um ensaio, é só um postal de blog.
2. hum, foi mesmo a queda do comunismo. Ficou a China dos “capitalistas patrióticos” em corrida para o capitalismo. O resto eram escassas sobrevivências.
Vamos levar de barato que os regimes comunistas v capitalista acabou na urss e arredores, mas os programas de governo sujeitos a sufrágio continuam. Veja-se o que aconteceu/acontece em Malta e em vários Estados da União Indiana p.ex.