Figura internacional de 2020


Pedro Correia,

Ursula-Von-der-Leyen-diz-que-chegou-o-momento-de-c

 

 

URSULA VON DER LEYEN

A presidente da Comissão Europeia foi eleita Figura Internacional do Ano pela tribo “delituosa”. Em 21 votos expressos, recolheu oito.

Ursula von der Leyen – que tem assumido a liderança comunitária de facto e não apenas no papel – mereceu esta distinção por vários motivos. Desde logo pelo seu impulso à aprovação da ajuda financeira às debilitadas economias dos Estados-membros, que receberão 1,8 biliões de euros para enfrentar a grave crise provocada pela pandemia. Mas também pelo protagonismo no processo que conduziu à validação, aquisição e distribuição das vacinas anti-Covid 19, superando todos os prazos antes registados em questões similares. Sem esquecer o acordo com o Reino Unido que consumou o adeus dos britânicos à Europa comunitária. 

«É hora de virar a página e olhar para o futuro», declarou a 24 de Dezembro, a propósito do Brexit, a primeira mulher à frente das instituições europeias. Desde que substituiu Jean-Claude Juncker como presidente da Comissão, em Dezembro de 2019, a antiga ministra alemã da Defesa tem-se assumido como personalidade de referência no panorama político internacional. Impedindo, desde logo, eventuais efeitos de contágio do Brexit: nenhum outro país comunitário seguiu o controverso exemplo do Reino Unido.

«Num momento tão conturbado parece manter o sangue-frio e aparentemente leva o barco a bom rumo», comentou um dos autores do DELITO, justificando a votação. «A presidente da Comissão mais competente desde Jacques Delors. Manteve tudo na linha, com suavidade e inteligência», observou outro.

 

Na posição imediata, com sete votos, ficou o malogrado médico Li Wenliang, que terá sido a primeira pessoa a comunicar ao mundo a existência do Covid-19, iniciado na cidade chinesa de Wuhan, em Dezembro de 2019. Quem votou nele enalteceu-o «pelo exemplo de coragem cívica, amor ao próximo e resistência à ditadura».

Este oftalmologista que exercia como clínico no hospital central de Wuhan chegou a ser perseguido pelas autoridades e acusado de «difamar a China». Infelizmente foi uma das primeiras vítimas do novo coronavírus: infectado a 8 de Janeiro, faleceu um mês depois, com apenas 33 anos. O mundo acabará por prestar-lhe justiça.

 

Registaram-se três votos no Presidente cessante dos Estados Unidos da América, Donald Trump (Figura Internacional do Ano no DELITO em 2017), e dois no seu sucessor, Joe Biden, eleito pelos norte-americanos com a maior votação popular de sempre e prestes a tomar posse do cargo, o que ocorrerá em Washington no próximo dia 20.

Houve ainda um voto isolado num trio de cientistas: o casal alemão de origem truca Uğur Şahin e Özlem Türeci (principais responsáveis pelo desenvolvimento da primeira vacina anti-Covid) e a húngara Katalin Karikó (que se destacou no desenvolvimento do uso terapêutico de mRNA, molécula que copia as instruções do código de ADN, localizadas no interior do núcleo das células, para outras estruturas celulares, os ribossomas, onde são produzidas proteínas e treinando o sistema imunitário para reconhecer o vírus, em caso de infecção). Não será de admirar que venham a receber o Prémio Nobel da Medicina.

 

Figuras internacionais de 2010: Angela Merkel e Julian Assange

Figura internacional de 2011: Angela Merkel 

Figura internacional de 2013: Papa Francisco

Figura internacional de 2014: Papa Francisco

Figuras internacionais de 2015: Angela Merkel e Aung San Suu Kyi

Figura internacional de 2016: Donald Trump

Figura internacional de 2017: Donald Trump

Figura internacional de 2018: Jair Bolsonaro

Figura internacional de 2019: Boris Johnson

32 comentários em “Figura internacional de 2020”

  1. As figuras Internacionais são uma palhaçada como certamente o Pedro Correia também concorda.
    Trump, Bolsonaro, Boris????

    Júlio Santos

  2. Apesar de não ter votado em nenhuma delas, é com agrado que verifico que as duas figuras do ano (Nacional e Internacional) são mulheres.
    Diga-se de passagem que me custou preterir Ursula von der Leyen (como disse no email que enviei ao Pedro, foi uma escolha difícil).

    1. Na verdade é um aspecto a valorizar, Cristina.
      Digamos que as nossas escolhas internacionais desde 2010, que lembro no final do texto, têm recaído 40% em mulheres.
      O dobro das escolhas femininas a nível nacional. Marta Temido é a segunda, após Joana Marques Vidal (em 2018).

      1. Esta coisa de dizer ena são mulheres, o mundo está a mudar blá blá da treta.
        Depois de umas décadas de mulheres em todo o lado, então começa o choradinho das novas minorias de homens.
        É o valor que está em causa e nunca pode ser a identidade de género.
        Isto das mulheres acharem constantemente que são discriminadas, em relação aos homens para justificar tudo já chateia!

        Armando Pires

          1. Nada contra as mulheres decentes!
            Agora não aceito é a constante desvalorização do Homem com o discurso ridículo da parte das mulheres em que elas cada vez mais parecem ter a certeza que são melhores em tudo e choram como umas desgraçadinhas contra tudo o que é Homem. As mulheres e os mariconços de hoje estão a dar cabo da sociedade, elas já dominam quase tudo, e a 3 guerra mundial está eminente.
            Agora eu pergunto porque é que os melhores cozinheiros são homens?

            Armando Pires

          2. Iminente!
            Pois tem razão! Ainda bem que concorda com o que eu disse.

            Armando Pires

          3. Explique lá melhor o que é a 3ª guerra mundial: quem contra quem e porquê.
            É que já houve uma guerra entre mulheres e homens mas definhou e hoje parece desaparecida: eram elas a tentar que lhes enfiassem um anel no dedo e eles a tentar enfiar outra coisa noutro sítio.

            Rui Rodrigues

          4. Este comentário é sexista e desprezível pois o Rui Rodrigues limita a mulher a subjugação do anel como garante da coisa.

            Maria José

    2. Apesar de não ter votado em nenhuma delas, é com agrado que verifico que as duas figuras do ano (Nacional e Internacional) são mulheres.

      Eu preferiria salientar as vantagens de serem chefes competentes independentemente de serem mulheres, mas suponho que agora está na moda este tipo de suprematismos perigosos que começaram no jornalismo. Mas o pior não vai ser este, vai ser o suprematismo ressabiado dos africanos (e o dos indianos em Inglaterra) quando forem em maior número.

      1. Não esquecer as santas almas dos ciganos constantemente mal tratados, onde o valor de roubar, traficar, etc.. não é reconhecido em Portugal, injustamente! E prova que a liberdade não é para todos.
        As minhas desculpas isto hoje não se diz ciganos, apenas comunidade.

        Rui Cerqueira

        1. De que ciganos está a falar? Do Ricardo Quaresma, campeão da Europa em futebol? Da Cidália Moreira, uma das maiores fadistas portuguesas? Do Django Reinhardt, um dos maiores guitarristas de todos os tempos?

          1. Não, estou a falar dos ciganos que mataram o meu cunhado num assalto ao estabelecimento dele.
            Rui

        1. Nada contra mulheres mas esta mania de salientar que “são mulheres” a governar em vez de alguém que presta já deixou de ter sentido desde a Rainha Isabel 1ª de Inglaterra. Para a gente esquisita que reclama uma herança muçulmana é capaz de ser esquisito ter uma mulher a mandar neles — mas para um europeu normal é normalíssimo ter uma avó que põe tudo na ordem, ter uma chefe ou gostar de ser liderado por mulheres. Ao longo da minha vida escolar acho que tive 5 ou 6 professores homens, o resto eram professoras; nos sítios onde trabalhei sempre houve mais mulheres do que homens e muitas delas a ganhar mais do que os seus colegas.

          Portanto, acho que é uma conversa um bocado esgotada, mas façam como entenderem.

          Agora… A violência tradicional do marido ou namorado com as mulheres é outro problema, não tem nada a ver com isto, — e aliás até gostava de ver o perfil racial dos casos actuais de violência sobre as mulheres: qual é a sua origem sócio-económica e em que comunidades acontecem (como nunca dizem, começamos a desconfiar… porque os nossos labregos estão quase extintos: como é que a violência aumenta com o número de portugueses genuínos a descer?)

          1. A Rainha Isabel II é soberana britânica – e da Commonwealth – desde 1952 e mesmo tendo decorrido todos estes anos continua a ser sublinhada, e com razão, a sua condição feminina e enaltecida a sua forma muito feminina de estar no trono e de gerir os assuntos do Estado.

          2. Sem entrar no assunto principal, neste pormenor tenho de discordar. Isabel II não conduziu os assuntos de Estado de forma feminina. Se assim fosse teria sempre protegido a família e não subordinado a família aos interesses do Estado. A proibição do casamento da irmã Margaret com Peter Townsend – o único homem capaz de refrear os seus excessos – pode ter evitado uma crise com a Igreja Anglicana mas provocou problemas familiares que ainda hoje perduram. E, sendo o mais grave, não é o único exemplo. O Estado, apesar de tudo mas comparando com Europa e EUA, ainda se recomenda mas sinto a maior compaixão por Isabel II no que à família – ou parte dela – respeita.
            Se actuasse de forma feminina, há muito que teria abdicado e deixado o Estado e Carlos entenderem-se como fossem capazes.

          3. “Sem entrar no assunto principal, neste pormenor tenho de discordar. Isabel II não conduziu os assuntos de Estado de forma feminina.”

            Afinal o que quer dizer com isto?
            Pois parece deixar implícito que Isabel II tinha especificidades muito particulares!?

            Rui Rodrigues

    1. Um aspecto a valorizar: Von Der Layen chegou onde se sabe e teve sete filhos. É obra, em todos os aspectos. E também é um contraste com outros estadistas conteporâenos, como a próprio Merckel.

  3. Ao anónimo das 21.27: nem pensar em aprovar um comentário com essa linguagem ordinária, muito menos vindo de alguém que esconde a cara e o nome.
    Deu entrada imediata na nossa central de reciclagem, reservada a opiniões anónimas.

      1. Reservo sempre o direito de admissão no que toca à linguagem.
        Porque mal se abre um precedente vem logo tudo atrás, a puxar para baixo.
        Isto é um blogue, não é um tasco.

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