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Passaram 45 anos desde as primeiras eleições presidenciais nesta 2ª República – ou 3ª, que a quantificação varia consoante o “lugar” ideológico do locutor. Presume-se que os processos administrativos estejam devidamente instituídos, que a “máquina” eleitoral esteja calibrada. Sendo que antes, no Estado Novo, também havia eleições – e burocraticamente buriladas, dado que os cadernos de votantes eram muito escrutinados, peneirados por assim dizer, o que exigia sábia competência.
Ora é esta administração pública que se permite – após todas estas décadas – organizar umas eleições para a Presidência da República em que o boletim de voto terá candidato(s) fantasma(s): pois se o processo de candidatura de Ventura tem um pequeno lapso, facilmente resolúvel, já o de Mayan Gonçalves chegou pejado de erros, o que o macula – e muito, ainda para mais numa candidatura sob ideário liberal, de responsabilidade individual e colectiva. Mas o que é incrível, em termos políticos e administrativos, será a presença no boletim de um cidadão, nada patusco pois de facto apatetado, que apresentou uma candidatura com apenas 6 assinaturas válidas.
Isto é inaceitável. Argumenta a Comissão Nacional para as Eleições que não seria materialmente possível esperar pela aceitação definitiva das candidaturas para mandar imprimir os boletins de voto. Acredito que assim seja. Mas isso significa que os prazos foram mal delineados. 46 anos depois das primeiras eleições parlamentares, 45 após as primeiras presidenciais e de inúmeras eleições autárquicas, legislativas, europeias, presidenciais. E o Estado é incapaz de planificar de modo condigno as etapas necessárias para cumprir umas eleições presidenciais. Isto é de bradar aos céus. Um sinal escandaloso da lassidão modorrenta e incompetente da administração pública, do estado do Estado. E o que é doloroso, quase incrível se – de facto, – não fosse o habitual, é que diante de um escândalo destes nenhum alto responsável assume responsabilidades, nenhuma cadeira cai, nenhuma “cabeça” rola. Nem as pessoas se ofendem.
Nem mesmo aquelas que tanto clamam os “valores d’Abril”, que não vão “mascaradas ao 25 de Abril”, se indignam com este escandaloso trato de polé a uma instituição fundamental da democracia. Que indignidade. E que indignos, na sua subserviência.

Bem acutilante e pertinente este texto.
Volto a dizer,caso não tenham ouvido à primeira. Bem acutilante e pertinente este post (al).
bi-obrigado
Caso sério, jpt — isto o melhor para não falhar, é desenhar um pirilau gigante em cima de cada um deles.
(Bom Ano!)
basta ter estado numa mesa de voto para perceber que anular o voto com alguma mensagem (invectiva ou outra) é uma inutilidade – ninguém liga ao conteúdo.
E o valor da auto-satisfação?
(duplo sentido)
Com ou sem voto das Caldas, defendo o branco (lá vem o Ba) ou o nulo
Eu não contesto o direito ao voto branco ou nulo (prefiro o branco, por questão estética). Nem o direito à abstenção (que pratiquei amiúde). Apenas digo – como botei em comentário imediatamente anterior – que escrever ou desenhar no boletim de voto só serve como catarse (ou auto-satisfação, como refere). E ninguém atenta no seu conteúdo.
A meu ver é um exercício de livre arbítrio para o fazedor — não chega a importar que alguém se indigne com a coisa. No dia em que isso acontecer, acabou a liberdade.
E é por isso que só há liberdade no Ocidente. Mas está a acabar.
V. mas eu não contesto a “esbracejar” no boletim de voto. Apenas me parece que há gente que julga que as invectivas nos boletins de voto chegam a alguém – quem desenha pirilaus, como aqui aventado foi, quem escreve manifestos ou imprecações, etc. Mas, de facto, mal se nota algo traçado fora do sacro quadrado o boletim vai para a pilha “nulos” e ninguém sequer atenta no que lá esta. Servirá como catarse – e isso não é pouco – mas para nada mais.
Sem dúvida.
Não é a primeira vez que aparece no boletim de voto ‘candidato nulo’. Os votos são tipografados dentro de determinado prazo e pode haver candidatos/partidos nulos. O contrário é que não pode ser, logicamente.
Numa assembleia de voto, assisti a uma contagem e num nulo apareceu escrito ‘cuidado com as vigarices do ……..(nome de um presidente de mesa)’, e foi o suficiente para haver um pequeno grupo a dizer ‘você não toca nos votos’.
O nosso problema crónico: a política tem sido sempre a correia de transmissão das vigarice local para as vigarices de Estado — é a mesma gente. E mesmo as famílias chiques e endinheiradas padecem desse mal do amiguismo e dos arranjinhos de família, fazer favores aqui e receber favores ali. Basta ver a Ana Gomes, essa populista anti-corrupção. Até numa coisa simples e praticamente sem importância (por acaso até tem embora não tanto à escala individual), recorrem aos amigos, aos partidos e sabe-se lá mais a quê
É falta de ética individual — mesmo os que pensam que a têm muitas vezes não têm — e enquanto isto não mudar, não muda nada.
é possível, claro (presumo que o caso que narra se tenha passado num pequeno local, no qual as pessoas se reconhecem). Do que vi, em várias eleições em vários países, votos com grafismo desencontrado são empilhados sem qualquer atenção ao seu conteúdo substantivo …
Somos uns nabos. Na Alemanha é que tudo funciona bem, até dão 5 doses de vacina COVID a fim de se ter a certeza de que o bicho morre mesmo. Então no Reino Unido com o Boris, é uma espectáculo …. onde tudo corre bem.
👏👏👏👏👏
Pronto, quem dá o que pode a mais não é obrigado. Assim sendo, muito obrigado pelo seu comentário tão pertinente.
Nós, ao consentirmos coisas destas, somos uns sem vergonha.
Assim é, infelizmente
Se a moda das 6 assinaturas pega eu quero ver como é que os juízes do palácio raton vão conseguir validar 60 milhões de assinaturas nas próximas eleições presidenciais.
Vai ser a recuperação das saudosas Páginas Amarelas.
Por fim os votos em branco têm para onde ir.
Proponho dar início hoje mesmo à campanha:
Vota Eduardo Baptista!
Seria engraçado.
“E o que é doloroso, quase incrível se – de facto, – não seja o habitual, é que diante de um escândalo destes nenhum alto responsável assume responsabilidades, nenhuma cadeira cai, nenhuma “cabeça” rola. Nem as pessoas se ofendem.”
A moral do país é definida pelos adjectivos empregues pelos jornalistas nos escritos e as caras que os apresentadores de telejornais fazem . Se os jornalistas que são na verdade os padres contemporâneos, pois são eles que definem o que é pecado não declararam pecado então não há pecado.
——
As duas candidatas já disseram que não vão cumprir a Constituição. Os jornalistas não fizeram caras…
que raio de igreja é essa?
“Progressista” o que dá para tudo e o seu contrário desde que usadas as palavras piedosas.
pelo aspecto deve ser dessas proféticas, de origens norte ou sul-americanas …
Não é mentira nenhuma. Se fosse, o PR e o PM e os seus acólitos não governavam em primeiro lugar para o efeito televisivo.
Caro JPT ,
peço desculpa por fugir ao tema ou talvez , mas vou colocar o link das palavras de Maria Jose Morgado https://youtu.be/71lJsZVCgKE
Vejam , penso que são muito interessantes .
Luis Almeida
São interessantes, obrigado pelo aviso. Passo por cima da campanha anti-vacinas. Até porque põe completamente em causa (ou seja, denota total incompetÊncia intelectual) tudo o que antes a senhora disse. Agora sobre estes “totalitarismo manso” que estas medidas político-administrativas denota e induz botei (em Maio passado) um texto de 40 e tal páginas (não só sobre isso mas também): foram as espantosas (e mesmo irracionais) delongas do Estado, e da tutela em particular (“limpas” pela imprensa – de tal forma que até aqui, em comentário colocado há breves horas, se propõem condecorações para as altas autoridades da Saúde Pública), e também o comportamento irreflectido e errático do poder (PR, Governo, AR, em particular – ao contrário de muitas Câmaras), que implicaram a “necessidade” (e também a pertinência, esta sem aspas) de medidas de controle público de facto excessivas. E que induzem mentalidades do tipo que Maria José Morgado refere.
Mas, insisto, neste momento (e até por causa das preocupações que ela ali expressa) vir fazer campanha contra a vacinação é uma contradição total, tamanha que até imoral.
O que deduzo das palavras dela é que prefere correr risco da doença a tomar a vacina .
Não considero que alguem que tenha um discurso diferente do oficial demonstre incompetência intelectual e seja imoral .
Luis Almeida
Luís Almeida; a questão é vasta (e já a abordei no meu mural de FB e no meu blog [se tiver interesse/paciência: https://estan.blogs.sapo.pt/contra-a-va cina-covid-19-154748 ]).
O que penso sobre isto é simples: houve demasiadas delongas no início de medidas de combate a esta pandemia. O que contribuiu para a necessidade de medidas restritivas muito rigídas. E houve uma prática errática (e pejada de soberba e de incapacidade comunicativa) do governo, da elite política e administrativa. O que promoveu maiores indices de infecção (para além de desorganização dos serviços sanitários, mas isso é outra conversa). Mas também promomveu maior extensão das medidas restritivas e induziu uma mentalidade de maior aceitação e exigência pelos cidadãos de medidas securitárias (principalmente tecnológicas). Ou seja, grosso modo, concordo com muito do que MJMorgado disse.
Outra coisa é a questão da vacina: estamos diante de crise económica, que é piorada pelas medidas securitárias. E estamos diante de uma crise moral, um receio generalizado (porventura exagerado), que também alimenta a económica.Vacinar extensamente a população não só minorará os riscos sanitários como apressará o final tanto das medidas restritivas como do ambiente moral, nacional e internacional. E retirará argumentos para os que defendem a extensão de “olhares vigilantes” (em particular as tecnologias intrusivas de controlo de práticas populacionais), bem como desmontará os argumentos discriminatórios a que MJMorgado alude, baseados em questões (e temores) sanitários. Ou seja, independentemente do que considerarmos sobre a real dimensão deste perigo Covid-19, a vacina é um dado positivo para se terminar esta crise.
Ao mesmo tempo, logo que ela(s) surge(m), disparam os discursos públicos anti-vacinas: não apenas das minorias religiosas (new age ou cristãs proféticas) tradicionalmente anti-vacinas, mas também de núcleos (integrando alguns locutores públicos com algum eco na opinião pública, como esta MJMorgado) que apupam a pertinência da vacina. E que reforçam as desconfanças que alguma população tem: alguns sempre avessos á medicina preventiva, outros receosos da rapidez do processo de desenvolvimento destas vacinas, outros por modorra existencial. Ou seja, há uma série de locutores ilustrados que, por razões de discordância com os processos políticos e sociais que vêm vigorando neste covidoceno, vêm de facto apelar – insisto, de facto é um apelo – a que naõ nos vacinemos. Por motivos “interpretativos” (ou mesmo ideológicos), e que irão reforçar as suspeitas e negações por estratos menos ligados às práticas de vacinação.
Em suma é uma contradição: contestam as medidas restritivas, invocam os seus efeitos negativos, e depois apelam (mesmo que se refugiem na falsidade de dizerem que é apenas a opinião deles, relativa à sua vida) à abstenção face à medida que mais rapidamente obstará a toda esta situação. E fazem-no apenas por pirraça (disfarçada de patético “encher o peito”, como o triste exemplo do final destas declarações de MJM, uma patacoada. Sim, a vida é um risco, sim corremos riscos, já agora, corri eu mais riscos físicos e morais do que ela ao longo da minha vida, e nem precisei de ser pós-adolescente esquerdalho. E sim, não tenho medo do que o Covid-19 me fará, Mas vacinar-me-ei por cidadania. E se não me vacinar guardarei para mim, para que nenhum outro se sinta acalentado pelo meu (triste) exemplo. Ou seja, MJMorgado que vá à merda.
O único candidato sério e bem falante é o Tino de Rans.
Vai ter o meu voto!
Nunca o ouvi, mas ainda assim prefiro-o a alguns dos outros.
Olhe que não há almoços grátis. Aumentar os prazos para entregar as candidaturas, implica a marcação das eleições mais cedo e pré-campanhas mais longas, o que prejudica os candidatos independentes sem acesso à máquina eleitoral dos partidos..
Não sei como se define que irregularidades são sanáveis e quais são insanáveis, a menos que se diga que uns candidatos têm de ter tudo pronto e a outros até assinaturas falsas são permitidas. Ou então não se dá prazo nenhum para sanar incongruências e o candidato que tente para a próxima – o que é intoleravelmente discricionário ou muito justo, dependendo do apreço que temos pelo candidato.
A chatice das regras é que elas têm de ser claras e aplicáveis em qualquer caso, mesmo quando parecem absurdas.
Em várias eleições houve candidatos que desistiram, não me parece que foissem menos justas por estar no boletim um candidato que não era válido.
Não concordo consigo. Nem mesmo no argumento “prático”: a notícia é de cerca de um mês antes das eleições. “não podiam esperar mais” mas puderam esperar até àquela data. Se os prazos fossem para uma semana ou duas antes ,nada disto aconteceria. Isso torna a pré-campanha mais extensa e assim mais cara? Um pouco mais extensa, mas nada de verdadeiramente significante em termos de despesas com pré-campanha (principalmente no modo descentralizado que as campanhas vêm adquirindo). Mas sim, as candidaturas tÊm diferentes recursos (económicos e também simbólicos). Mas isso é a realidade, e equidade e não a igualdade. Ou seja, prazos melhor planificados, ligeiras alterações, porventura indutoras de ligeiríssimas diferenciações em termos de recursos (mas as quais até já existem à partida), e esta pantomina não aconteceria.
Quanto ao argumento dos desistentes que continuam a constar nos boletins de votos: é evidente que se trata de outra coisa, totalmente diferente, nem sequer argumentarei sobre isso.