
Em jornalismo, quase sempre, menos é mais. Lembrei-me desta frase, inspirada no lema artístico de um célebre arquitecto, quando vi aquela que considero a melhor capa de revista deste amargo ciclo anual prestes a chegar ao fim. A da edição dominical do El País.
Uma capa em que a fotografia diz tudo, surgindo acompanhada de uma data que funciona em simultâneo como título e legenda. A foto transpira autenticidade e tem cunho universal: foi captada em Espanha, mas poderia ter sido em muitos outros países igualmente golpeados pelo coronavírus que nos envolveu num cortejo de luto e dor.
A carga emotiva desta imagem torna irrelevante qualquer palavra. E nem é preciso situá-la no espaço: basta enquadrá-la no tempo. Quatro caracteres bastam: 2020. Ano de pesadelo.

Com a tendência que sempre existe para acentuar a desgraça, falta faz uma foto com os recuperados dessa e outras doenças a serem acompanhados pelos profissionais de saúde à porta de um hospital ou de casa para demonstrar a alta.
Também existem lágrimas de alegria.
Concordo consigo…
@Pedro, afia-de-not%C3%ADcias/cat-looks-down-at-a-u krainian-soldier-resting-fotografia-de-n ot%C3%ADcias/1206473871?adppopup=true
Boa escolha! Eu partilho duas, receio dizer se foram as que mais me marcaram, mas são imagens poderosas, em meu entender e publicadas pela AFP: https://www.gettyimages.pt/detail/fotogr
https://www.gettyimages.pt/detail/fotogr afia-de-not%C3%ADcias/this-picture-taken-o n-may-4-2020-during-the-fotografia-de-no t%C3%ADcias/1211845407?adppopup=true
Mais teria, mas como disse, menos é mais…
Feliz Natal…
Feliz Natal, meu caro. Haja saúde.
Neste caso não é preciso “acentuar desgraça”: ela marcou, e de que maneira, este ano de pesadelo.
O jornalista competente reflecte a realidade: não a maquilha nem a deforma.
É uma realidade tão válida quanto a que apresentei. 2020 em nada tem sido diferente do que há milénios ocorre um pouco por este mundo. A única diferença está nos protagonistas: somos nós. Podemos contar na primeira pessoa o que outros viveram.
Feliz Natal, porque isto, sim, é uma felicidade.
Feliz Natal. Sem “distanciamento social”, agora mais que nunca.
Calma!
2021 não vai ser fácil, isto infelizmente ainda não acabou…
Cada coisa de sua vez. Para já ainda estamos em 2020.
“2020. Ano de pesadelo.”
Ano de pesadelo sim, mas não por causa das mortes, que não foram assim tantas nem de gente importante – a grande maioria dos mortos são pessoas que já estavam presas à vida por um fio.
Ano de pesadelo por causa das medidas repressivas governamentais, que nos fizeram a vida negra.
Ano de pesadelo também para as mortes não covid que já são dez mil a mais em relação ao ano passado.
Também.
Desvalorizar mortes de seres humanos como se fossem lixo é algo que coloca quem assim pensa a esse nível.
Não admira, portanto, que todos os que vomitam tais “opiniões” se refugiem num cobarde anonimato. Jamais diriam de cara descoberta e à luz do dia o que vão bolçando sem identificação nas redes sociais.
Por um fio ou por uma guita.
É deixá-los ir.
Fia-te nisso, de só os “frágeis” morrerem de covid.
“fizeram a vida negra.” Nedgra?? Racismo!
Os “amaricanos” passaram a proibir essa palavra, que para eles é tabu e para nós era de uso corrente. Agora até na carga semântica dos vocábulos passámos a aderir às imposições deles: somos todos “amaricanos”.
Conclusão: a coisa ’tá preta.
Negra, nem pensar.
Não foram assim tantas? Raramente me lembro de um ano em que tenha morrido tanta “gente importante”. A maior parte não de covid. Mas que é um ano negro, é. Sim, sobretudo pelas mortes, sejam “importantes” ou não.
Grande, grande capa!
Sem dúvida, Teresa. O mais simples tantas vezes é o que resulta melhor.
2020 ainda não terminou.
O próximo ano, o da vacina, não estou particularmente optimista.
Pior ainda vão ser as repercussões de tudo isto, ninguém faz a mínima das consequências da virose, e temos um ano de casa, sem actividade física e social ditas “normais”. Isto vai pagar-se.
Vai pagar-se e vai pegar-se.
A foto é brutal. A imagem do desespero.
No entanto, para mim, o pior de 2020 foi não poder velar os mortos. Muito pior que as mortes (que as há sempre e em números semelhantes). Velar os nossos mortos define-nos como seres humanos. Ninguém merece essa privação…
Concordo em absoluto.
Esta foto pode ser de qualquer ano, pois a morte é inevitável e faz parte da vida, mas não deixa de causar tristeza e dor aos entes próximos.
Não, não pode ser de qualquer ano. É uma foto tristemente emblemática deste ano de pesadelo.
Concordo com a força desta imagem.
Mas …. quando olhei para ela uma das primeiras ideias que me assaltou foi: estão fazer o que é desaconselhado a fim de eviatar a transmissão do vírus. Não sei se é possível ver a foto e não pensar nisto.
A força expressiva da imagem também tem a ver com isso.
Nada de poses risonhas e contentinhas.
Nada de arco-íris e V de vitória para satisfazer as boas almas que não suportam sequer uma dorzinha de cabeça e são incapazes de conviver com a desgraça alheia.
Nada de “distanciamento social”, essa tradução literal do “amaricano” que nos inundou neste ano de pesadelo, incentivando cada um a encerrar-se numa bolha sanitária onde as palavras “tu” e “nós” não entram.
Um abraço que é amparo num momento de indizível dor – que toca a todos.
Solidário, não solitário.
Concordo com a maneira como encara os acontecimentos. Incluindo o enjoo que o “distanciamento social” causa. Acho intragável. A propósito: hoje no Público vem a palavra Moldova. Então não é Moldávia?
Tenho impressão de que muitos jornalistas nunca ouviram falar de dicionários. Eu tenho sempre um à mão e mesmo assim de vez em quando sai-me cada asneira….
É um tema que também me suscitado perplexidade. “Moldova” é, pela morfologia e até pela sonoridade, um adjectivo. No nosso idioma não faz sentido, portanto, ser substantivo – muito menos um substantivo próprio.
O substantivo, neste caso, será mesmo Moldávia. Ou Moldóvia, para a distinguir da outra Moldávia, pertencente à Roménia. ltorio/perguntas/moldavia-e-moldova/3234 3
O Ciberdúvidas, como noutros casos, pouco esclarece:
https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consu
Faz muita falta, nas redacções dos órgãos de informação, o antigo (e excelente) Dicionário Onomástico e Etimológico, de João Pedro Machado.
Património da língua portuguesa, que devia ser reeditado. Urgente missão de serviço público.
vejo a coisa com outra complexidade. Claro que nao defendo que se mistifique, que se engane a realidade. Mas justamente porque a situaçao é problematica, até de pavor relativamente a cada pessoa que o sente, mas o termo terror é exagerado, sendo a situaçao problematica, nao “precisamos” de imagens chocantes, mesmo quando sem sangue.
Inclusivé, lá vem a badalada questao da saude mental, nao se trata com pessimismos tais.
Quem anda, que continue a andar, mas com cuidado pois o “chao” , algum chao nao assinalado, está armadilhado.
Por vezes, uma imagem vale mais que um milhão de palavras.
É este o caso.
Plenamente de acordo.