É em nós que é tudo. É ali, é ali…


Teresa Ribeiro,

 

Neste país descuidado e desatento, habituado a correr atrás dos seus mortos para lhes transmitir, em tempo inútil, tudo o que ficou por dizer, é bom que de vez em quando o feitiço se quebre.

Ontem gostei de ver a sala Luís de Pina da Cinemateca encher-se em homenagem a Abel Escoto, um homem cuja carreira se confunde com a história do próprio cinema português, e de testemunhar o interesse que os filmes Abel Escoto – Fragmentos de uma Vida, de Miguel Cardoso, e Abel Escoto e as Fitas do Seu Tempo, de Tony Costa , suscitaram na plateia. Mas mais que tudo, o que me deu prazer foi poder aplaudir o homenageado olhos nos olhos e verificar que naquela sala não houve desperdício, porque a vida, ao contrário do que é habitual, não se baldou ao evento e da primeira fila bateu-lhe palmas de pé.

 

Nota: A frase do título deste post, da autoria de Fernando Pessoa, roubei-a ao Miguel Cardoso, que a usou no cartaz do seu filme. É isso, Miguel. E não há palavras para dizê-lo melhor.

3 comentários em “É em nós que é tudo. É ali, é ali…”

  1. Feliz e justa homenagem. Infelizmente, como apontas, coisa rara – com o homenageado ainda em vida. Tanta coisa vai mudando em Portugal – esta de nos circunscrevermos às homenagens ‘post mortem’ é uma das que deviam ser mudadas com mais urgência.

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