
Foto: Filipe Farinha / Lusa
Rui Rio prepara-se para accionar disciplinarmente os sete deputados do PSD que ousaram votar contra o vergonhoso pacto com o PS para trocar a presença quinzenal obrigatória do primeiro-ministro na Assembleia da República por deslocações bimestrais de Sua Excelência ao hemiciclo.
Tão vergonhoso foi esse pacto que 28 deputados socialistas também votaram contra, incluindo vários ex-ministros e ex-secretários de Estado: Ana Paula Vitorino, Ascenso Simões, Bruno Aragão, Capoulas Santos, Carla Sousa, Cláudia Santos, Eduardo Barroco de Melo, Fernando Anastácio, Filipe Neto Brandão, Francisco Rocha, Hugo Oliveira, Isabel Moreira, Joana Sá Pereira, João Paulo Pedrosa, Jorge Lacão, José Magalhães, Marcos Perestrello, Maria Begonha, Marta Freitas, Miguel Matos, Nuno Fazenda, Olavo Câmara, Pedro Bacelar de Vasconcelos, Sérgio Sousa Pinto, Sónia Fertuzinhos, Susana Correia, Tiago Barbosa Ribeiro, Tiago Martins. E cinco abstiveram-se: António Gameiro, Diogo Leão, Elza Pais, Rosário Gamboa e Pedro Delgado Alves. Além dos representantes de todas as restantes bancadas parlamentares – BE, PCP, CDS, PAN, PEV, IL e Chega.
A diferença entre as duas metades do bloco central é que os socialistas dispuseram da liberdade de voto que Rio cerceou na bancada laranja – apesar de só o PS ser partido de governo e a alteração agora introduzida ao regimento da Assembleia da República apenas beneficiar o primeiro-ministro enquanto lesa os direitos da oposição parlamentar da qual nominalmente o PSD ainda faz parte.
Assistimos, portanto, a este facto extraordinário: enquanto se comporta como serviçal do Governo, Rio dirige a sanha persecutória contra os sete rebeldes do seu próprio partido que agiram em consciência quando se insurgiram contra a honra perdida do PSD no momento da votação – entre eles o novo líder da JSD, Alexandre Poço, e a líder cessante, Margarida Balseiro Lopes.
Procura assim, com esta absurda ameaça de processos disciplinares, quebrar os últimos vestígios de dissidência no grupo parlamentar:
Marcelo Rebelo de Sousa poderia dizer-lhe como se dirige um partido tolerando a autonomia de decisão dos deputados. Quando o actual Presidente da República liderava o PSD, as bancadas socialista e comunista tomaram a iniciativa de apresentar projectos de lei que ampliavam as circunstâncias legais da prática do aborto. Marcelo era contra, tal como a esmagadora maioria dos parlamentares do PSD. Mas não houve disciplina de voto nem monolitismo. Assim, no momento da votação, três deputados – José Pacheco Pereira, José Silva Marques e Rui Rio – divergiram do líder sem recearem consequências disciplinares.
Foi em 1998. Rio não hesitou então em colidir com o presidente do partido enquanto deputado. Mas agora, na posição que Marcelo ocupava há 22 anos, procede precisamente ao contrário. Prestando assim mais um favor aos socialistas: o de os distinguir, por contraste, como campeões da liberdade individual.
Um favor que António Costa nem sequer se dará ao incómodo de lhe agradecer.

Capturado.
Capturado pelo PS, sim. E parece gostar.
Tal como Silas, temos de dizer que é uma pena, mas não sabe mais que isto.
O Rio parece desprezar o parlamento e os parlamentares. Acha-os dispensáveis no processo político.
É verdade que muitos deputados são uns artolas (numa empresa quando alguém pica o ponto pelo colega, vão os dois de vela), o próprio líder da AR é o que se sabe, e os debates parlamentares são de uma indigência intelectual gritante, mas a credibilização da Assembleia não se faz reduzindo deputados, acabando com os debates ou transformando o voto numa formalidade em que basta estar lá o representante da bancada para a coisa se fazer.
Ao invés de querer melhorar a qualidade da AR, Rui Rio quer simplesmente acabar com ela.
Esconder as misérias é uma arte vulgarizada tanto na politica como na sociedade.
O PSD actual é um partido no qual não se pode votar em nenhuma circunstância.
Nem sequer para derrubar o execrável e incompetente PS.
Susana V.
PSD era o de antigamente. Hoje é só PS(d)
apoiado…..100% …..curtas palavras ….mas sábias!!!
PS(d). A tal equipa B do PS. Para jogar a liga dos pequeninos.
Tem tudo a ver.
O Rui Rio está a ser assessorado por pessoas que são mais parecidas com o André Ventura do que com a ideologia do PSD. Esse é que é o problema.
Quis ter vices autoritários e pessoas ligadas a empresas de marketing e consultadoria, internacionais, que são mais defensoras do estado autoritário, ao estilo das empresas privadas, do que da ideologia do partido.
O maior exemplo foram as primeiras críticas à situação do NB, que o seu delfim, Hugo Carvalho, o corrigiu, levando a que a empresa que gere o Twitter de Rio, apagasse mais de 2000 comentários, para evitar maiores danos. Infelizmente, o mesmo Hugo, agora está ao lado de Rui Rio, acabando por se esquecer que há pouco mais de 3 semanas, pediu ao seu líder para não dar “tiros nas pernas”, pelo mesmo assunto e a forma como o fazia.
“O Rui Rio está a ser assessorado por pessoas que são mais parecidas com o André Ventura do que com a ideologia do PSD.”
Uma observação e uma pergunta.
Não faz sentido a introdução a martelo de André Ventura (mas ele agradece que falem dele) nessa questão de ideologia. Já faria sentido se tivesse dito Pedro Nuno Santos.
Desde quando o PSD tem ideologia?
“Quis ter vices autoritários e pessoas ligadas a empresas de marketing e consultadoria, internacionais, que são mais defensoras do estado autoritário, ao estilo das empresas privadas, do que da ideologia do partido. “
Pois é, o PSD apoiar o PS em tudo ou quase é defesa do estado autoritário.
Já a referencias às empresas deve ser newspeak.
lucklucky
Ouvi ontem a entrevista do Rio na RTP3.
Ouvi o Costa interpretar os debates com luta de ganhar ou perder.
Acabar com a exibição quinzenal de acrimónias e fogos-fátuos é um avanço democrático.
Os jornalistas perdem títulos? Que façam o trabalho que lhes compete em vez de parasitar ‘bocas’ de todo o cão e gato.
Ouvir entrevistas a Rio é tempo perdido.
É preferível ouvir as entrevistas a Costa. Para quê a fotocópia se tem acesso ao original?
A um manhoso sempre prefiro qualquer outro personagem.
Rio tem uma opinião muito diferente da sua.
Li há minutos n’A Bola online, sobre a apresentação de uma candidatura à presidência do Benfica: “Rui Gomes da Silva lança o reto”. Talvez comece a ser tempo de algum reto ser lançado contra Rui Rio. A bem da nação, claro.
Só pode ser gralha do jornal.
Silva lançou o reco.
É uma candidatura retal e retilínea.
Silva é abruto. omes-da-silva/
https://aventar.eu/2020/07/30/rui-g
Tempos diferentes!
E Marcelo Rebelo de Sousa não tinha a oposição interna e manhosa que hoje o Rui Rio tem dentro do PSD.
Por isso percebo a posição de Rui Rio.
Tempos diferentes, sim. O Rio de 2020 levantaria processo disciplinar e aplicaria multa ao Rio de 1998.
Até o século é diferente.
E o milénio também.
O que eu penso! Um PM, seja ele qual for e de que partido for, que tem de prestar contas de 15 em 15 dias ao Parlamento, não tem tempo para governar. Gasta uns dias a preparar cada sessão (ele e alguns dos seus ministros), se é que vai para lá preparado, e esquece aquilo que lhe é pedido como primeira preocupação: governar.
Em nome do regime que possuímos, um regime parlamentar, ou em nome de outro regime qualquer, entendo que deve haver este tipo de debates e que o Parlamento deve ser dignificado. Acho que deve haver sessões mensais der prestação de contas.
Não esqueçamos que, durante maiorias absolutas, o Parlamento tem sido muito desprezado, e não deve sê-lo. É durante períodos de não maiorias que deve legislar-se no sentido da dignificação das instituições. Acho bem que se acabe com os 15 dias. Não concordo com os dois meses.
Você é daqueles que detestariam viver no Reino Unido, onde há sessões semanais – todas as quartas-feiras – de controlo do Governo na Câmara dos Comuns, com a presença do primeiro-ministro.
Nem sei como é que Boris Johnson consegue arranjar tempo para trabalhar. Partindo dessa lógica que responder aos deputados da oposição não é trabalho.
Precisões:
eu não disse que detestaria viver no RU, assim como não disse que responder aos deputados da oposição (e da situação, acrescento eu) não é trabalho. Quem o disse foi o Senhor Pedro Correia, opinião de que discordo.
O que eu expressei foi a opinião de que 15 dias é excessivo. Um mês seria o ideal (disse-o dircordando dos dois meses).
Há imensas formas de o Parlamento interpelar o Governo, talvez até com mais tempo e com mais minúcia, e os parlamentares, com todo o direito, fazem-no com frequência.
Respeito a sua opinião de que as audições devem ser quinzenais, reservando o meu direito de discordar dela.
Segundo a sua lógica, os britânicos têm imenso a aprender connosco em matéria de democracia. Eles (que horror!) obrigam o PM a ir todas as semanas à Câmara dos Comuns. Basta que ele lá vá uma vez por mês – ou seja, quatro vezes menos.
Excelente. Vamos ensinar aos ingleses como funciona a democracia.
Só como chalaça entendo o seu último parágrafo, embora deva lembrar-lhe que não foram os ingleses quem inventou a democracia, nem, muito menos, são eles quem melhor a pratica.
Como o que está em questão é a ida ao Parlamento do PM português, o corte seria de 50%, de acordo com o que eu preconizaria, o que ameniza bastante as preocupações com a defesa do bom andamento da democracia. Já com o que foi decidido no Parlamento, idas de dois em dois meses, não concordo de todo, até porque, como será lógico, a discussão se centrará nos últimos, quando muito, oito dias, o que é manifestamente redutor.
Mas como, tanto quanto me parece, a sua preocupação se centra na defesa da democracia, acho que pode estar descansado, pois ela foi defendida com toda a certeza, embora com uma maior distância na aferição do seu bom andamento.
Penso que esta questão está esgotada, mas, para ter a certeza, informo-o de que, este blog é uma das demonstrações de que a nossa democracia funciona tão bem quanto a Britânica. O escrutínio governamental pode, na sua leitura, não funcionar tão bem aqui em Portugal, mas, ao lembrar-me do tempo de governação da Sra. Teresa May e da intervenção política do Sr. Nigel Farage, eu, pessoaslmente, dou-me por bastante satisfeito.
O Rui Rio é um merceeiro de bairro. Ficou-se por ali. Sobrevive à custa duns pindéricos saudosistas, filhos duns abastados salazaristas que, tal como os mulatos, não gostam da mãe (a democracia) por ser preta, nem do pai (o fascismo) por ser branco. É um vingativo de meia tijela. Vai acabar com o PSD.
“Um favor que António Costa nem sequer se dará ao incómodo de lhe agradecer.”
Muito pelo contrário.
Deita-lhe em cara, a toda a hora e publicamente, e ostensivamente, o imenso desprezo que sente por tudo o que lhe cheire a PSD, passado, presente e futuro.
É, simplesmente, constrangedor, para quem presencia.
Não sei se Freud explica …
Freud explicaria que esta “oposição” é uma freude. Perdão, uma fraude.
O Rui Rio tem pela frente uma comunicação social extremamente hostil e completamente manietada (e capturada) pelo partido reinante (e seus novos apoiantes), assim como um partido cheio de fieis seguidores do anterior lider, que em nada se identificam com Rui Rio. Ao mesmo tempo enfrenta a atuação de novos partidos à sua direita que sugam constantemente eleitores (também ao CDS). É uma tarefa árdua a que tem pela frente. Contudo, as contas fazem-se no final. A ver vamos.
Tem, de facto, uma tarefa árdua. Não deve ser fácil ser mordomo do primeiro-ministro.
Vocês não se dão conta de quão mediocre é a gentinha que nos governa.
Se se dessem, dava-lhes um aperto no coração.
Isso é crítica a Rui Rio?
é util, adoro elementos concretos,a enumeraçao dos nomes dos tais deputados. Mais mais util para a generalidade dos leitores, era saber o que os une, como se caraterizam, se é que podem ser resumidos, etiquetados.
A disciplina de voto é flagrantemente e sempre uma materia complexa, e nao acredito que a parte “normal” do Pedro defenda cegamente a total disciplina de voto ou a …anarquia.
sobre o que interessa á outra parte ( pois, do Pedro) , vou ser disciplinado e…abster-me.
Quanto a achar que é um favor, nao só o Pedro nao é o unico ( e para mim, ate porque assim parece, mais razao para desconfiar ) , como é a narrativa que mais lhe convem.
sucintamente, é uma opiniao.