
Completei os primeiros 1000 Km com a minha eBike, quinze meses depois de a ter adquirido.
Primeiro, uma pequena explicação sobre o modo de funcionamento da bicicleta. Não anda sozinha, isto é, sem pedalar, não saio do sítio (a não ser num declive). O motor eléctrico acciona por iniciativa própria e só em caso de necessidade, ou seja, numa descida, ele desliga sempre e, numa rua plana, raramente se acciona. Tudo depende do nível de ajuda que escolho. Tenho quatro níveis à disposição e ando 90% do tempo no nível mais baixo, o eco, conseguindo, por cada carregamento de bateria, cobrir distâncias de até 120 Km. Em qualquer dos níveis, o motor só me ajuda até aos 25 Km/h (já atingi velocidades de 30 Km/h, mas em descidas, quando o motor desliga).
A bateria é uma Bosch Power Pack 500. A energia necessária para um carregamento, e que me permite andar os tais 120 Km, é a equivalente à usada para ferver cinco litros de água. Não sei dizer quantas vezes pode ser recarregada, mas, segundo o fabricante, chega para dar volta e meia ao planeta. Além disso é susceptível de ser reciclada, tendo eu, para isso, de a entregar numa loja de bicicletas.
Trata-se de uma bateria de lítio, cuja extracção acontece, muitas vezes, em condições catastróficas. Além disso, implica emissões de CO2, tanto na fabricação, como nos carregamentos. Por outro lado, e incluindo coisas tão necessárias como a alimentação e o vestuário, não conseguimos viver sem poluir. E, neste nosso mundo globalizado, fugir a produtos conseguidos através de trabalho em condições de escravidão é praticamente impossível. Seria necessária muita vontade política e o ser humano teria de controlar a sua ganância, o que, pelos vistos, representa um sacrifício incomportável.
Enfim, importante, para mim, é tentar poluir o menos possível. Segundo dados do Ministério do Ambiente alemão, andar de automóvel implica ser responsável por emissões 40 vezes superiores às de uma eBike. Estes dados baseiam-se em cálculos de que metade das deslocações de automóvel, neste país, ficam aquém dos 5 Km. Os custos são igualmente muito inferiores. Para um automóvel ligeiro, incluindo combustível, seguro, impostos e parqueamento, eles comportam uma média de 12 € por 100 Km; com a eBike são 0,25 € – estes dados constam da brochura “Bosch eBike Systems / DE”. Nunca me debrucei sobre o assunto, mas alguém me poderá dizer se a indústria do petróleo não implica trabalho infantil e/ou escravo?
Uma bicicleta destas é, assim, uma óptima alternativa ao carro, em deslocações citadinas. Não se pode comparar o número de decibéis causados pelo meu motor eléctrico com o de um motor de combustão. Além disso, não empesto o ar nas minhas deslocações. Não sei se haverá alguém que goste do cheiro dos escapes e das fumarolas por eles libertados. Eu detesto e já constatei que o uso da máscara em parques de estacionamento cobertos, por exemplo, não é apenas útil para minimizar o contágio do Coronavírus. Claro que também ando de carro, mas, para fazer compras pequenas (que caibam no cesto da bicicleta), para ir ao café, ao médico, ou nos tempos livres, nem hesito em usar a bicicleta. Enfim, em pouco mais de um ano, já evitei 1000 Km de carro, dentro da minha cidade.
E porque tem de ser eléctrica? Tive sempre bicicletas normais, até comprar esta, em Abril do ano passado. Já sentia bastantes dificuldades em vencer subidas, o que me tirava a vontade de usar este meio de locomoção. Quem já não tem a força da juventude, usa, muitas vezes, este argumento para não andar de bicicleta. E que dizer de pessoas com certas doenças ou outras incapacidades? Ora, uma eBike permite a pessoas com limitações de vários tipos uma forma de deslocação saudável e mais sustentável. Para todos os outros aconselho as bicicletas normais.

” cuja extracção acontece, muitas vezes, em condições catastróficas. Além disso, implica emissões de CO2, tanto na fabricação, como nos carregamentos.”
Por mais volta que lhe demos acabamos sempre por poluir. O cerne do problema é outro: há população a mais no globo. Nunca houve 7 biliões de humanos e vai aumentar rapidamente. O que descreve são paliativos que não levam a nada (talvez adiem o desfecho trágico). Há que diminuir a população. Como? Da maneira mais indolor e racional possível. Se não formos por aí, a população diminuirá por efeito de guerras, pandemias ou outras desgraças e infelicidades. Um número infinito de pessoas não é possível. Mas, pelo menos na Europa, pretende-se é aumentar a natalidade!!! Um verdadeiro suicídio.
Bem, eu, ainda que involuntariamente, contribuo para a diminuição da população mundial, pois não tive filhos. Nem terei netos, nem bisnetos e por aí fora.
Ora aqui está um autêntico grasnar de patos.
Como se o suicídio demográfico da Europa não estivesse a ocorrer desde há dezenas de anos. Como se as taxas de natalidade explosivas não estivessem a ocorrer noutros continentes, nomeadamente no africano.
Como se nesses continentes, depois de se exemplificar o uso de preservativos para controlo da natalidade desenrolando-os numa cana, as mulheres locais não ficassem grávidas porque os homens locais desenrolam, de facto, o preservativo na ponta de uma cana.
Pelo que, não obstante, contudo, pese embora e apesar de tanta ignorância, se quiser contribuir para a diminuição da população do planeta muito lhe agradecia que começasse por dar a sua contribuição derradeira de forma antecipada.
Antecipadamente grato.
“Como se as taxas de natalidade explosivas não estivessem a ocorrer noutros continentes, nomeadamente no africano.” Estamos de acordo. O que eu disse é que é impossível o número de pessoas crescer indefinidamente. Acaba por rebentar por si. Não interessa qual é o continente.
“…. desenrolando-os numa cana,…” É ignorância. Mas seja por ignorância, seja de propósito o resultado é o mesmo. Não importa se a população cresce na Europa, na África ou na Ásia.
“começasse por dar a sua contribuição derradeira de forma antecipada.” Não tenho poderes para dar origem a uma política demográfica aceitável. Ou não sei o que fazer. A única coisa que posso fazer é …. falar. É pouco? De facto é.
Mate-se você, que não diz nada de jeito!
Pelo que, não obstante, contudo, pese embora e apesar de.
Gostei da argumentação s-the-lightest-carbon-fiber-e-bike-weve-t ried-yet/
Ando diariamente, quase com 77, numa Cube 140, cura milagrosa de artroses e bálsamo da alma.
Mas veja isto:
https://www.cnet.com/news/gogoro-eeyo-1s-i
Obrigada pelo link.
“Claro que também ando de carro, mas, para fazer compras pequenas (que caibam no cesto da bicicleta), para ir ao café, ao médico,”
Tudo isto é poluidor, incluindo idas aos médicos consumo de remédios e utilização de aparelhagem médica como em imagiologia etc. etc. Mesmo andar a pé polui. Andar a pé aumenta a entropia. É da Física (teremos a sorte de a Física estar toda errada?). É que a máquina humana não anda sem utilizar energia e aumentar a entropia. É assim o Universo. Quantos humanos aguenta a Terra? 100 biliões? Não sei. Se for 100 não demora muito a chegarmos lá. Li com atenção o seu artigo mas não acredito que o que descreve valha a pena. Só pode servir para adiar o fim, mais nada.
Foi que eu disse: é impossível viver sem poluir.
Mas eu tenho uma coisa chamada consciência e sinto-me melhor assim, que quer?
“tenho uma coisa chamada consciência e sinto-me melhor” Reconheço que isso é bom. Muito bom. Só que não resolve o problema da sobrevivência da espécie humana. Pessoalmente não sei se é um grande mal se esta espécie acabar. Não sei explicar. Os dinossauros não acabaram? O lince não está em vias disso? Qual é o problema? O urso ibérico não foi à vida? (E bem, assim posso passear descansado nas matas da minha aldeia).
Julgo que existe um programa do governo português, patrocinado pela UE, para a compra destas bicicletas. Estou a pensar em comprar uma. Obrigado pelo post Cristina
https://www.e-bikelovers.com/bicicl eta-eletrica-incentivo-de-350-euros-na-c ompra-em-portugal/
De nada.
Acho bem. Mas, antes de comprar, pense no problema da segurança daquilo que vai comprar. Vai ter que ter local seguro onde guardar a bicicleta para onde quer que vá. De cada vez que abandonar a bicicleta, terá que lhe tirar a bateria e levá-la consigo, porque a bateria é muito valiosa e (usualmente) fácil de roubar.
A um amigo meu roubaram-lhe a dele numa manhã de domingo. Não havia ninguém na rua, pegaram num daqueles pinos de metal que se colocam na rua para impedir os automóveis de estacionar onde não devem, e com o pino deram marretadas no cadeado até que o partiram.
Em Portugal qualquer motivo é suficiente para não se prescindir do carro. Ora é o calor, ora o frio, ora a chuva e o vento, ora as subidas.
Vá passar um fim de semana a Breda ou Roterdão e repara que aquela gente (até o Rutter disse até logo ao Costa e saiu de bicicleta) anda bicicleta quer esteja sol, chuva, vento, frio e a nevar só varia o tipo de bicicleta.
Junto da estação dos comboios em Breda há um parque para bicicletas, quer dizer para mais de 30.000 bicicletas.
Eu na Pensilvânia também andava de bicicleta todo o ano, até que num dia de inverno escorreguei numa fina camada de gelo que se tinha formado na estrada, caí e bati violentamente com a cabeça no chão. Felizmente não fiquei com sequelas sensíveis, mas a partir daí nunca mais andei de bicicleta (passei a andar a pé) no inverno.
É um excelente Post.
Mas permita-me um simples reparo!
As mulheres devem andar de bicicletas normais para abater a banha e só assim é que compensa, pois para andarem a passear de bicicletas eléctricas deviam ter vergonha.
Além do mais, permite poupar no ginásio 🙂
Uma grande verdade, Teresa.
Nunca entenderei pessoas que não dão um passo a pé (já nem falo de bicicleta), usam sempre o elevador (nem que seja para subir um andar), passam horas sentadas no sofá e, de vez em quando, vão suar ao ginásio. E ainda pagam por isso!!!
Verdade, Cristina.
O ideal é dar por dia 10000 passos. Aproximadamente 7 km.
Tento sempre subir duas vezes, por dia, até ao 8°andar.
Por falar nisso… até já
A energia necessária para evaporar 5 litros de água pura a 4ºC e à pressão atmosférica é de (96kcal+540kcal)5 = 636×5 = 3180 kcal
Considerando que o poder calorífico inferior da gasolina é de 9600 kcal/kg, temos que,
-para evaporar 5 litros de água necessitamos de 3180/9600 = 0.33125 quilos de gasolina, o que,
-considerando a densidade média da gasolina 0,75 kg/l, dá 0.33125/0.75 = 0.4417 litros de gasolina.
Ou seja, uma carga da bateria para 120km, necessita de um volume teórico de gasolina de 0.44 litros.
Admitindo que o rendimento do sistema propulsor eletromecânico da bicicleta é de 75%, necessitaremos de 0.44/0.75 = 0.59 litros de gasolina para os 120km, a que equivale 6.59 kwh (1 kilocalories = 0.0011627 kilowatt hours).
Eu uso sempre o elevador, nem que seja para subir ou descer um andar. É que, subir escadas custa muito com a idade e, mesmo quando se é novo, é um exercício bastante prejudicial para as articulações; e descer escadas é bastante perigoso, quando já não se é novo e o equilíbrio e a força já não são o que já foram.
Andar a pé é um excelente exercício; subir ou descer escadas, não.
Convém recomendar estas coisas sensatas aos Chineses, Indianos, Indonésios “et alia”…
JSP
Claro, a toda a gente!
Mas a segurança de uma coisa dessas é um grande problema.
Tem que se ter garagem em casa para a parquear. E na rua, mesmo com cadeados não é seguro.
Sim, pode ser um problema. Por acaso, tenho uma arrecadação que posso fechar à chave. Na rua, quando a deixo, além de lhe pôr o cadeado, tiro-lhe sempre o display (ou conta-quilómetros, ou como lhe queira chamar) e guardo na carteira. Sem esse aparelhinho, o motor não funciona e de pouco servirá uma bicicleta tão pesada!
Com a bateria, também pode haver problema. Mas é preciso uma chave para a separar da bicicleta e, tentar tirá-la à força, é bem capaz de a danificar.
Também não deixo a bicicleta em locais onde costumam ser roubadas, como na estação, ou em sítios isolados. Tento deixá-la sempre numa rua movimentada, onde passe muita gente.
Mas admito que em certos sítios possa ser um problema, sim.
“Mas admito que em certos sítios possa ser um problema, sim.” E eu que pensava que na Alemanha era tudo gente honesta, que bandalhice era só em Portugal. Pelo menos é o que aprendi nas redes sociais.
Em todas as metrópoles europeias há muita criminalidade. Porque haveria a Alemanha de ser diferente?
Eu tenho sorte, vivo numa cidade pequena, a criminalidade não é muita.
Não sabe nem tem maneira de saber o que é sustentável a este nível.
Andar de bicicleta come o pó dos travões, borracha e dos outros.
Este nível de obsessão só assegurará violência, suicídios em massa e o fim da Civilização no futuro.
lucklucky
Que se lixe!
A industria do petróleo está totalmente mecanizada, desde a extração aos postos de abastecimento.
E tem ou é obrigatório seguro? É que acidentes ocorrem.
Não, porque o motor não excede os 25 Km/h. Com ele desligado, pode-se passar disso, mas isso acontece com qualquer bicicleta.
As bicicletas, na Alemanha, nem sequer têm matrícula.
“alguém me poderá dizer se a indústria do petróleo não implica trabalho infantil e/ou escravo”
Não.
Trabalhei 13 anos num país do 3º mundo, 2º maior produtor de petróleo de Africa, e posso confirmar que tal coisa é quase impossível na industria petrolífera.
É das industrias mais avançadas tecnologicamente, das mais seguras, exigentes e menos poluentes (o que polui é o uso dos produtos extraídos, não a extracção em si).
O trabalho escravo/infantil está em industrias de pouco ou nenhum conhecimento técnico, algo impossível na industria petrolífera que é exactamente o oposto.
Já o mesmo não se pode dizer da industria mineira, de onde sai o litio, niquel, coltan e outros que utilizamos diariamente (a bem do ambiente, dizem…).
A bem do ambiente e do bolso de alguns. O problema está na ganância e na falta de escrúpulos.
Excelente!
E já foram 1000km…
Continuação de muitas e boas pedaladas!
Bem, precisei de quinze meses…
Muito obrigada, boas pedaladas para si também.

Só ando de bcicleta por puro prazer e fora de estrada. Não tenho eléctrica, mas tenho a idade suficiente para para não era vergonha de ter uma, mas não quero.
Não a quero para me deslocar porque não gosto de duas rodas na estrada, sejam movidas a pernas ou com a tal ajuda do motor eléctrico.
Fiz e continuo a fazer bcicleta fora de estrada, nada de radical, apenas passear, tenho nos últimos 14 anos, cerca de 16 mil km feitos e, quando chega a tal subida avalio-a da seguinte forma;
Se é só ingreme com bom piso sigo a pedalar
Se é com mau piso, mesmo que pouco íngrem, sigo a andar.
É sempre uma questão de pernas mas não deixo que o bom senso decida em sentido contrário, quer num caso, quer no outro.
O meu objectivo é precisamente prescindir do carro. Incomoda-me pegar no carro dentro da cidade para deslocações curtas, contribuindo para a emissão de gases poluentes e os engarrafamentos. E constato que sou mais rápida de bicicleta em certos percursos (não fico parada nos engarrafamentos, nem tenho de procurar lugar de estacionamento).
Ora bem, claro que, sendo a subida íngreme, se pode pedalar de maneira a vencê-la sem ficar exausto. O problema é suar. Como uso a bicicleta para, por exemplo, ir ao médico, ou aos ensaios do coro, vou de roupa normal (não de ciclista, ou desportista) e chateia-me chegar toda suada do esforço das subidas. Assim, com a eléctrica, chego mais fresca.

Completei os primeiros 1000 Km com a minha eBike, quinze meses depois de a ter adquirido.
Espantoso: a Cristina anda em média 2 quilómetros por dia de bicicleta, muito menos do que aquilo que eu ando diariamente a pé!
Eu também ando muito a pé, praticamente todos os dias (quando a cadela vivia, era mesmo todos os dias, 3 a 5 km).
Não ando todos os dias de bicicleta.