
Se há quem admire nesta vida, um dos indiscutíveis é seguramente Alessandro Zanardi.
A notícia que todos recebemos do acidente que sofreu ontem, numa prova de estrada destinada a deficientes, constitui mais uma desgraça que se abate sobre a vida de um homem com o seu talento, a sua força, a sua perseverança.
Já não bastava tudo o que lhe aconteceu ao longo da vida, a forma como foi superando obstáculos que para a maioria seriam absolutamente intransponíveis, indo buscar força e motivação onde se suspeitaria só existir desespero e resignação, para agora ter um acidente da magnitude do de ontem. Capotar com o triciclo de handbike duas vezes, acabar batendo num camião que seguia em sentido contrário, e o helicóptero não poder aterrar no local do acidente tendo de ser primeiro transportado de ambulância para um heliporto, não é apenas um azar, mais um, na vida de Zanardi. É a continuação de uma condenação inaudita, sem sentido, de um homem bom, de um exemplo de tenacidade, e de um verdadeiro herói de carne e osso.
Se, como dizem para aí, Deus é grande, é incompreensível que alguém tenha de sofrer o que Zanardi enfrenta.
Espero que uma vez mais consiga recuperar, e que nos volte a dar a todos um motivo para continuarmos a acreditar nalguma coisa. Forza, Alex.

E se, como alguns pensam, Deus não existe, é igualmente incompreensível.
E inelutável.
Um exemplo.
lucklucky
E caso para dizer: Grande Zanardi.
Este Zanardi é um caso sério de teimosia com a própria vida.
Não sendo assunto para brincar, apetece dizer já sem pernas e se agora ficar sem braços não vai desistir e tentar a natação com as orelhas.
O contraste entre uma tal postura e uma decisão como a tomada pelo actor Pedro Lima.
Da inacreditável superação ao desespero mais profundo: eis o ser humano.