Despropósito


Sérgio de Almeida Correia,

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(foto de Miguel A. Lopes/LUSA)

 

É compreensível que os portugueses fiquem satisfeitos, penso eu, por poderem acolher a fase final da mais importante competição europeia a nível de clubes, a Liga dos Campeões.

Com ou sem adeptos nos estádios, com mais ou menos riscos, certo é que a elite do futebol europeu estará durante uns dias por Portugal, ocupando hotéis e restaurantes, dando uso aos estádios, e, concedo, promovendo a imagem do país e das suas cidades no exterior.

Não vou aqui discutir os méritos ou os deméritos da iniciativa, a sua oportunidade, os riscos que comporta, e outras questões igualmente relevantes e que merecem atenção. Isso ficará para os jornalistas e os profissionais do comentário.

Eu fiquei satisfeito na justa medida do que isso representa em termos de incentivo e impulso para se procurar melhorar e combater a crise internamente.

Mas o que quero mesmo é apenas sublinhar a minha estupefacção pelo espectáculo que as nossas principais figuras de Estado continuam a proporcionar.

Como se o facto de ter existido um COVID-19, para todos os efeitos uma desgraça para a maioria, que por um bambúrrio atirou para Portugal a fase final da competição, se devesse ao nosso trabalho, ao nosso esforço, aos nossos êxitos.

Fazer do acontecimento um sucesso nacional, nesta fase do combate à epidemia, e quando tantos são os problemas que há para enfrentar, como se daí viesse a solução de todos os nossos dramas, não é sinal de auto-estima ou de feito histórico.

Para além da manifestação ser despropositada, na dimensão e na exultação, é acima de tudo provinciana.

Como alguém de quem me estou a lembrar diria, se fosse vivo, em matéria de provincianismo somos de facto imbatíveis. E uns tremendos parolos.

13 comentários em “Despropósito”

  1. A estatutária em primeiro plano na foto é que necessitava ser derrubada.
    Em vez disso, eis-nos focados no coitado do padre Vieira…

  2. TRANSPARÊNCIA OPACA
    Uma desgraça coletiva, indecorosamente aproveitada em beneficio próprio, por títeres para desavergonhadas campanhas eleitorais.

  3. Até que enfim…, até que enfim, eu vejo o Senhor Professor sem ser a nadar nos cais perigosos das cidades deste jardim, à beira lixo… E, também até que enfim, não vejo o Senhor Professor, derreado com carradas e carradas de livros… para estimular os hábitos de leitura (cá da aldeia), perdão…, para estimular o seu ego “professoristico”. Até que enfim. fl

    Muita saúde por aí.

    Cumprts de:
    ler é o melhor remédio – nos tempos livres
    https://lereomelhorremedio.blogs.sapo.pt/

  4. Afinal, foi a Federação que trouxe o evento para Lisboa, e foi o Governo a apropriar-se do feito.
    Já agora, se o evento traz vantagens, também seria bom conhecer os encargos, e quem os paga, Federação ou todos nós. É que a UEFA não costuma dar ponto sem nó…
    Mas, nesta matéria proibida, nem uma perguntazinha se ouve…
    http://quartarepublica.blogspot.com/2020/06/materia-proibida.html

  5. É nisto que está transformada a política a nível nacional – propaganda e mais propaganda.
    Parece impossível esta gente não ter assessores que lhe abram os olhos: parece que estão todos drogados e a pensar unicamente na forma de conservarem o poder. Mas quem mais me surpreende é o prof Marcelo, a quem confiei o meu voto. Será que está lélé da cuca?

  6. É o oportunismo político de ocasião que, tal como na I República nos deu um Hino Nacional criado nos tempos da monarquia constitucional como canção de protesto contra o ultimatum inglês, nos dá agora futebol. A fazer lembrar que “o fado induca e o futebol instrói”, tudo alimentado pela ignorância e pela propaganda. Pão pouco e circo muito.

    Felizmente que não somos todos provincianos e parolos, muito embora essa condição seja minoritária e cada vez mais minoritária, parece-me.

  7. Pior, mais manipulação, que provincianismo.

    E nada disto está confirmado sequer, tal é impossível, depende de como o vírus continuar.

    lucklucky

  8. Rir é o melhor remédio.
    -A cúpula do poder político a gerir, solenemente, com pompa e circuntância, gabando-se da (discutível) resultante do trabalho de entidades privadas.
    -Um cachecol futebolístico -obtido no camarote do Estádio- em plena reunião de um orgão da união europeia.
    Uma bola de futebol europeu como argumento de peso num encontro entre o político #1 português e o político #1 dos EUA.
    “Lá-lá land” política.

  9. Como se o facto de ter existido um COVID-19, […] se devesse ao nosso trabalho, ao nosso esforço, aos nossos êxitos.

    Não. Nós não vencemos o covid-19. Vencemos foi a Alemanha e a Espanha, que também estavam a querer ficar com a final da Champions. E vencer a Alemanha e a Espanha não é fácil. E tê-las vencido é um grande sucesso, que é justo celebrar.

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