À esquerda, as presidenciais estão a servir para mobilizar os socialistas sem grande simpatia por Manuel Alegre, com destaque para os soaristas, que se apressam a lançar um nome alternativo: Jaime Gama. Precisamente numa altura em que o presidente da Assembleia da República – segunda figura na hierarquia do Estado, em termos protocolares – ganha protagonismo público com a sua recente iniciativa de impedir os deputados de poder fazer desdobramentos de bilhetes de avião e acumular créditos de milhas, como até agora acontecia – iniciativa que justificou aplauso unânime.
Sérgio Sousa Pinto foi o primeiro a sugerir o presidente da AR como alternativa a Alegre numa candidatura a Belém. Não por acaso, João Soares enaltecia há dias Gama no seu habitual espaço de comentário na SIC Notícias. E na sexta-feira passada Correia de Campos, em entrevista ao semanário Sol, não deixou lugar a dúvidas: "Gama é o melhor candidato a Belém." Demonstrando assim que o presidente do Parlamento já contabiliza apoios fora do tradicional reduto dos soaristas.
Convém recordar que Gama encabeçou a lista à Comissão Nacional do PS patrocinada por José Sócrates na sua candidatura à liderança do partido, em 2004. E que Sousa Pinto foi então o responsável pela apresentação da moção do secretário-geral. Isto anda tudo ligado, como dizia o outro.

“iniciativa que justificou aplauso unânime”
Não da minha parte.
Mas, é claro, a minha opinião não conta: o que conta é a opinião dos jornalistas. A qual tem o gravíssimo defeito de ser, invariavelmente, uma opinião populista e demagógica.
É espantosa a ligeireza com que você mete tudo no mesmo saco com um carimbo em cima. Nada populista, nada demagógico.
Bom, vão-se pagando favores uns aos outros, apoiando-se uns aos outros – nisso, não vejo grande mal.
Mas tenho memória de que, cda vez que nas hostes do PS começa a aparecer um candidato a candidato, normalmente é nome para queimar daí a uns tempos.
E também tenho memória de que, se hoje o Jaime Gama é aquela figura pesada, calada e que quando abre a boca exige-nos um esforço de decifração, tempos houve em que contribuiu largamente para fracções nos seio do PS nos anos 80. Parece-me que isso tb. não será esquecido quando o PS tiver que decidir qual o candidato.
Lúcia, eu por acaso tenho uma memória diferente. Recordo-me de um determinado político que se chegou à frente, antes de qualquer outro, e disse muito simplesmente: “Sou candidato”. E foi. Chama-se Jorge Sampaio e foi eleito para dois mandatos como Presidente da República.
Eu até acho graça ao humor de JG, vindo das profundezas dos oceanos. Mas só apoiaria a sua candidatura se quisesse ver Cavaco mais cinco anos em Belém.
Isso dá matéria para outra conversa, Joana. Para já, parece-me inequívoco que Manuel Alegre será recandidato. E parece-me inequívoco também que um sector do PS tudo fará para que lançar uma candidatura alternativa (o duelo de 2006 no PS está tudo menos esquecido). A primeira que for para o terreno levará logo vantagem só por esse facto.
Olá Pedro,
vê isto: http://oamornostemposdablogosfera.b logs.sapo.pt/103583.html
Abraço.
Já vi e achei muito interessante a tua reflexão, João.
Abraço
Pensando apenas no homem, não há dúvida de que seria um candidato fortíssimo, até pela sua capacidade de fazer pontes e pelo prestígio de uma carreira política com dezenas de anos, com excelentes prestações em pastas ministeriais diversas, o que lhe atribuiria, igualmente, um grau elevado de experiência tão necessária para o cargo. É igualmente um homem de cultura o que também não é despiciendo dado o cargo a desempenhar.
No entanto, o mais importante é saber se o visado está disposto ou tem condições pessoais para aceitar tal função.
Evidentemente, M. Coelho. Por mim, não tenho dúvida de que seria um bom candidato presidencial. O que não significa que seja essa a minha preferência.
Também eu não disse que era a minha preferência. Falei apenas “como homem é um candidato fortíssimo…”
Quanto a preferências é ainda cedo, embora, à partida, saiba em quem não votarei…
Saudações
Começa a desenhar-se de novo a apresentação de dois candidatos a Belém da área socialista: um pelo partido, outro independente, a dizerem mal um do outro, para gáudio de Cavaco.
Neste caso, julgo que não. Penso há muito (e escrevi isso logo em 2006) que Cavaco não será candidato a um segundo mandato.
Se nos lembrarmos bem, os soaristas nunca estiveram muito próximos de Gama (Mário Soares dizia que “politicamente era um nabo”), e em 2004, joão soares perdeu contra a lista da qual o presidente da AR fazia parte.
Ainda assim, pode-se dizer que tem sentido de estado. É dos poucos.
Tem sentido de estado, seguramente. Quanto às frases de Soares, valem o que valem (para usar a expressão sobre as sondagens que Almeida Santos imortalizou). “Quem é o gajo?”, perguntou ele quando Cavaco Silva chegou à liderança do PSD. Ficou a saber logo depois.
“Isto anda tudo ligado, como dizia o outro”.
O outro tem nome: chamava-se Eduardo Guerra Carneiro, foi um bom poeta e publicou um livro com esse título, sabia?
Sabia. Agradeço-lhe a achega, sem dúvida oportuna, mas a melhor homenagem ao autor de uma frase é vê-la incorporada na linguagem comum, como um adágio, destituída de autoria. Frases como “em política o que parece é” ou “o povo é sereno” são frases com autor. Mas também são frases que se incorporaram no nosso património linguístico.
Fica, de qualquer modo, a merecida homenagem ao Eduardo Guerra Carneiro. Isto anda mesmo tudo ligado.
Do tempo do Bokassa ao político combativo, AJJ!
Não esquecer as desculpas para não substituir Guterres
http://www.youtube.com/watch?v=_89Wa8f1 myo&feature=player_embedded#