
Adolfo Mesquita Nunes: «O cenário político actual caracteriza-se por uma clara supremacia do PS. O sistema está desequilibrado para a esquerda e à direita existe pouca certeza quanto à melhor forma de o equilibrar.»
João Carvalho: «Os franceses e os gregos conhecem os sinais. Paira no nosso horizonte o receio de que venha a explodir e a alastrar uma séria agitação social em Portugal. Não sei se os desvios irregulares da banca que o regulador do Estado não regulou, além dos danos que isso está a provocar, configuram os tais sinais. O que sei é que estes nascem sempre de dramas que atingem o desespero.»
Sérgio de Almeida Correia: «Procurarei ser tão regular e assíduo quanto possível, evitando que o meu desencanto invada as páginas desta casa, mas com a certeza, porém, de que com toda a simplicidade e honestidade, em cada sílaba que escreva, tal como fez Tabucchi no sulco do Pessoa, procurarei colocar o universo.»
Eu: «O Avante!, que passa o tempo a suspirar de nostalgia pela revolução soviética de 1917, insurge-se hoje contra a RTP “pela recuperação de acontecimentos com 20 anos, nas vésperas das eleições, como os ocorridos em 1989 na República Popular da China.” Sempre me enterneceram estes duplos critérios do PCP. E os suaves eufemismos que o partido liderado por Jerónimo de Sousa utiliza, como este de chamar ‘acontecimento’ ao massacre de Tiananmen. Que devia envergonhar todos os comunistas do planeta, hoje como há 20 anos.»

O PCP é um OPNI.
suaves eufemismos que o partido liderado por Jerónimo de Sousa utiliza, como este de chamar ‘acontecimento’ ao massacre de Tiananmen
Tratou-se de facto de um acontecimento. Não é um eufemismo.
Esse acontecimento pode ser descrito como um massacre, mas tal não é obrigatório. “Acontecimento” foi certamente; “massacre”, depende do ponto de vista.
As pessoas quando descrevem algo não são obrigadas a utilizar um qualificativo.
O cenário político actual caracteriza-se por uma clara supremacia do PS. O sistema está desequilibrado para a esquerda e à direita existe pouca certeza quanto à melhor forma de o equilibrar.
Somente dois anos depois de Adolfo Mesquita Nunes ter escrito estas palavras, a direita alcançava o poder.
Aproveitei para reler o texto de João Carvalho. Certeiro. Nessa altura, outros viviam no país das maravilhas comandado pelo grande líder Sócrates. Agora, parece que os tempos repetem-se sob a égide “costista”. Em suma, apetece desabafar: fado d’um ladrão!