
«A verdadeira glória dos sonhos reside na sua atmosfera de liberdade ilimitada. Não é a liberdade do ditador, que impõe a sua vontade ao mundo, mas a liberdade do artista, que não tem poder, que é virgem de poder.»
Karen Blixen, África Minha (1937), p. 78
Ed. Relógio d’ Água, Lisboa, 1994. Colecção Ficções. Tradução de Ana Falcão Bastos

Um dos livros / filmes da minha vida.
África. Um lugar mágico, onde o conceito de liberdade nunca foi tão controverso.
Belíssimo livro, sobre um tempo irrepetível. Aliás todo o livro decorre com essa noção clara da parte da autora: a do confronto com o espaço, que parece ilimitado, com o tempo cada vez mais exíguo.
E, no entanto, a casa dela ainda lá está, ao fim destas décadas. Bem preservada, ao que se diz. Tornou-se até atracção turística, desde o sucesso mundial do filme.
e não é artista quem quer. Um filme admirável com desempenhos notáveis e paisagens tão belas,sóo pode ter sido inspirado num livro a condizer.
O livro é absolutamente fascinante. Se existem obras-primas na literatura do século XX, esta é sem dúvida uma delas.
África, minha terra.
Onde o bicho corre
Vive e cria
Luta e morre.
África, terra Mãe
Oh ironia
Da nossa Era
Que da mesma Eva
nos corra o sangue
Na nossa Veia.
“África, terra mãe.” Belo verso, tão apropriado a este belo livro.
Lucubrações, caro Pedro: tudo são lucubrações.
“I had a farm in Africa at the foot of the Ngong Hills. The Equator runs across these highlands, a hundred miles to the north, and the farm lay at an altitude of over six thousand feet. In the day-time you felt that you had got high up; near to the sun, but the early mornings and evenings were limpid and restful, and the nights were cold”
E assim começa uma viagem inesquecível por África, pelas mãos da baronesa Blixen. Um livro e um filme absolutamente imprescindíveis.
Belíssima escolha, a de hoje.
Um dos mais belos livros que li nos últimos anos. E sem dúvida um dos melhores parágrafos de abertura que tenho lido desde sempre.
«Tive uma fazenda em África, no sopé das montanhas Ngongo.» Esta tornou-se uma das mais célebres frases iniciais da literatura do século XX.
Aproveito para trazer aqui outra citação desta deslumbrante obra de Karen Blixen:
«A arte de escutar uma narração perdeu-se na Europa. Os nativos de África, que não sabem ler, ainda praticam essa arte. Se lhes começar a contar “Uma vez um homem caminhava por uma planície e encontrou outro homem”, eles começam a escutar atentamente, com os espíritos a seguir o trilho desconhecido seguido pelo homem na planície.»
E na quente noite africana,
sonhadora amante nua,
o luar derramava prata.
Já vi que esta obra o inspira. E bem.
Não propriamente o livro. O tema.
A minha terra. A terra do meu despontar.
Quente, ensanguentada, mártir, meu eterno amor.
Ouço o teu canto.
O mesmo manto,
cobre-te o pranto
duma criança,
que não alcança.
África, terra amada.
Eu sou teu,
sou o teu povo.
Sou a senzala,
a negritude,
o pirão e funge.
Sou os tam tans
do teu batuque
quebrando a noite.
Sou a impenetrabilidade,
do fatalismo
da tua gente.