O comentário da semana


Pedro Correia,

«Porquê um dia estabelecido para os pais? Que define ou que propósito justifica? Amam-se mais as crias nesse dia, ou elas mais os progenitores?

No que particularmente me concerne, os outros não sei, a minha experiência enquanto pai foi a que a minha indelével mulher promulgou. Tanto para a família como para a prole.

Nos casos em que a minha participação opinativa se evidenciava por ignorância, ou brilhava por desnecessária, não falhava:

– Sai! Não te metas! Deixa as MINHAS filhas!

(Dia da mãe.)

Nos casos ligeiramente mais problemáticos, aí acertava em cheio:

– Estás à espera de quê? Mexe-te e vai lá resolver o assunto das TUAS filhas.

(Dia do pai.)

De resto não estou a ver muito bem qual a necessidade de um dia determinado para um ou outro progenitor.

E um domingo para dia do pai, como o Pedro preconiza, é que não vejo mesmo nada em que isso possa reforçar a relação entre progenitor e o rebentinho, e muito ao invés estou mais virado para a ruptura total.

Domingo há futebol e não estou a ver qual o pai neste país que, em seu perfeito juízo, o pretira a favor do empecilho que por ali ciranda a tagarelar como um papagaio.

“Logo hoje é que se lembrou de mandar para cá o cachopo. Raio de mulheres, nunca se pode contar com elas.”

 

Portanto, domingo nunca. Se as mais das vezes a sintonia conjugal já se encontra meio periclitante, não vai agora o Pedro, dar-lhe o empurrão decisivo.»

 

Do nosso leitor Corvo. A propósito deste meu texto.

0 comentários em “O comentário da semana”

  1. Parabéns aos 2. Posts que deram para rir, mas nunca entendi muito bem a história dos ” Dias de…”. Pai e/ou Mãe devem falar, opinar, pois… também zangar com as crias quando lhes é possível. É como o dia da Mulher… Tem que haver uma data especial para relembrar o que tem que ser diário? Esqueçam lá isso.

    1. Foi o que eu disse: “ter de haver uma data especial para relembrar o que tem de ser diário”
      Com apenas a particularidade de me ter alongado num arrozado interminável, e a menina num elegante sintetismo, ter corroborado.

        1. Muito obrigado.
          Sinto-me deveras sensibilizado.
          Igualmente para si. Resto de um bom dia e de uma excelente semana.
          Toda a minha simpatia.

        1. É como a abnegação deste mundo tão carenciado.
          Os serventuários do Céu; mais serventuárias. Essa alminhas caridosas, abençoadas virtuosas, corações puros e almas límpidas sempre dispostas a verterem uma lágrima pela estupidez do mundo.
          Essas cenas tão e tão

  2. Quando alguém diz umas verdades (concorde-se ou não), a chuva não tarda… E só acalma se alguma vedeta corroborar e assim o enxame vai procurar mel para outro lado.

    Já não o “via” há muito.

  3. Vou de admiração em surpresa, e dessa em estupefacção.
    Anónimos, anonimatos, encapotados e envelopados, camuflados e metamorfoseados.
    Então isso não era fauna só para outros habitats? Lá para celestiais prados verde…jantes?
    Vá lá alguém jactar-se (eu) de nada mais o mundo ter para o surpreender.

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