Pôr fim à discriminação


Pedro Correia,

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Agora que tanto se fala – e muito bem – contra as discriminações, venho apontar uma. A do Dia do Pai, relativamente ao Dia da Mãe.

Esta última festividade calha sempre a um domingo, o que facilita imenso o convívio entre as mães e os filhos de qualquer idade. 

Pelo contrário, o Dia do Pai ocorre inevitavelmente a 19 de Março, o que na maioria dos anos – como na semana passada aconteceu – coincide com uma jornada de trabalho e de actividade escolar. Dificultando precisamente esse convívio que se desejaria incentivar.

Talvez não fosse má ideia transferir o Dia do Pai também para um domingo – neste caso o domingo imediatamente posterior a 19 de Março, por exemplo. Não seria medida original, na medida em que o Dia da Mãe se celebrou durante décadas a 8 de Dezembro antes da alteração que o deslocou para o primeiro domingo do mês de Maio.

Em alguns países europeus e americanos, o Dia do Pai festeja-se no primeiro ou no terceiro domingo de Junho. Provavelmente faz mais sentido. E põe fim à discriminação actual, em que o calendário propicia muito mais encontros dos filhos com as mães do que com os pais nos dias estipulados para o efeito.

0 comentários em “Pôr fim à discriminação”

  1. Ocorreu-me que se adote -O dia dos pais- a um domingo em lugar da separação induzida que até pode constituir um fator traumatizante.
    Sendo -os meu pais- uma expressão vulgarmente usada quando nos referimos ao casal progenitor, talvez isso não ofendesse os fundamentalismos da igualdade de género.
    O masculino já é suficientemente esquecido, como na velha tradição de dar os parabéns à mãe quando nasce uma criança, mas se ignora o pai para quem bastava um simples bom trabalho.

    1. Essa discrepância das felicitações pelo nascimento de um bebé faz sentido. Nunca há dúvidas quanto à mãe, como verdadeira progenitora. Já o pai, é só presumido (ou putativo, como também há quem diga).

  2. Bom dia Pedro Correia.
    Concordo consigo.
    Mas temo que os donos vários que para aí andam considerem uma opinião machista.
    António Cabral

  3. Se eu tivesse que estar sujeito a um dia para conviver com o meu filho, muito mal andaria eu – ou o meu filho… datas, valem o que valem; um laço entre pai e filho tem pouco a ver com datas, ou com leis; existe ou não existe. Não é pai quem quer; é pai quem assume a paternidade.

  4. Para falar verdade eu ando enjoado com tanto dia disto e daquilo. Que, quando não são esquecidos, significam oferta de prendas insignificantes. E insignificantes porque muita gente não tem dinheiro para prendas significantes a tantos familiares, amigos ou conhecidos. Por mim, abolia todos excepto o dia do orgasmo (a 31 de Julho, não é?). E mesmo este já me aborrece porque raramente encontro alguém disposto (sou hetero) a colaborar comigo para comemorar condignamente e sem perigo (há sempre uma forte hipótese de ser acusado de qualquer inconstitucionalidade, desde falta de consentimento explícito até não sei o quê. Jogo na prudência e fico a zero ou faço a coisa à mão).

  5. Na verdade não concordo muito com isso de dias de isto e mais aquilo. Mas também ´reconheço que os filhos (e as respectivas progenitoras) enchem os restaurantes, é dia em que não há lugares vagos. Ou quase não há. Pergunto-me se eles iriam ao restaurante com a velhota se não houvesse um Dia da Mãe. É que fico sempre com a triste sensação de que acontece apenas uma vez no ano. Contudo, eu que sou mãe, julgo que é melhor que haja uma vez do que nenhuma. Seja lá qual for o motivo.
    Quanto ao Dia do Pai: é verdade que tem celebração mais modesta e sempre teve. Também não sei se os pais têm o mesmo peso que as mães no coração dos filhos. Julgo que hoje terão, a partilha de tarefas caseiras aproxima-os das crianças. Mas os pais mais antigos, salvaguardadas as devidas excepções, eram mais de andar por fora, eram ríspidos e de pouco jeito com crianças; metiam respeito para não dizer medo.
    Mas concordo consigo, toca a encher restaurantes de pais com os seus filhos. Nada de discriminação. Abaixo o dia do pai à semana.

  6. Pois eu até acho que não se deve pôr fim à discriminação. Porque homens e mulheres não são iguais. Costumo dizer que são iguais em dignidade mas não o são no sentido que muita gente dá a igualdade. A maternidade é muito diferente da paternidade. Penso que a desigualdade que existe nas celebrações que refere é útil, pelo menos faz as pessoas meditarem no significa igualdade. Logo, sou contra o fim da desigualdade que o preocupa.

      1. “Dia do Anónimo. Que são todos os dias do ano aqui no blogue.” E muito bem. Este é dos poucos blogues que dá mais atenção ao argumento do que ao nome do autor do argumento. Sou um cartesiano convicto pelo que acho muito bem. Só me interessa o argumento, o nome não interessa. Graças a essa atitude o Delito conquistou um lugar ímpar na blogosfera.

  7. Não estou de acordo que se altere o dia, à conveniência do que quer que seja, o dia é aquele, um qualquer contacto nesse dia, por parte dos filhos, será suficiente, o que não obsta a que seja marcada uma comemoração posterior.

  8. não compliques a coisa !…organiza uma petição para tornar o dia do José carpinteiro em feriado religioso e os incréus e os inférteis são os primeiros a assinar !…

  9. essa é novidade para mim !…não sabia que o estado do Vaticano e a igreja católica é que controlava (mesmo num estado laico ?!…onde o Passos ‘surripiou’ vários aos crentes e o Costa foi ‘obrigado’ a repor pelos comunas) tal coisa…!

    se é assim já sabes a quem a entregar :-))

    eu ‘dantas’ julgava que era tudo tratado tipo, ‘a ceia dos cardeais’, entre 2 copos do sangue de Cristo e um bom naco do seu corpo, embrulhado, numas farripas de presunto

  10. A minha posição sobre esse assunto, ou não assunto, seria mais acertadamente dizer-se, pelo menos é o que me parece, é a seguinte:
    Porquê um dia estabelecido para os pais? Que define ou que propósito justifica? Amam-se mais as crias nesse dia, ou elas mais os progenitores?
    No que particularmente me concerne, os outros não sei, a minha experiência enquanto pai foi a que a minha indelével mulher promulgou . Tanto para a família como para a prole.
    Nos casos em que a minha participação opinativa se evidenciava por ignorância, ou brilhava por desnecessária, não falhava:
    -Sai! Não te metas! deixa as MINHAS filhas! – Dia da mãe.
    Nos casos ligeiramente mais problemáticos, aí acertava em cheio:
    – Estás à espera de quê? Mexe-te e vai lá resolver o assunto das TUAS filhas.
    – Dia do pai.
    De resto não estou a ver muito bem qual a necessidade de um dia determinado para um ou outro progenitor.
    E um Domingo para dia do pai como o Pedro preconiza, é que não vejo mesmo nada em que isso possa reforçar a relação entre progenitor e o rebentinho, e muito ao invés estou mais virado para a ruptura total.
    Domingo há futebol e não estou a ver qual o pai neste país em seu perfeito juízo, o pretira a favor do empecilho que por ali ciranda a tagarelar como um papagaio.
    “Logo hoje é que se lembrou de mandar para cá o cachopo. Raio de mulheres, nunca se pode contar com elas.”
    Portanto, Domingo nunca. Se as mais das vezes a sintonia conjugal já se encontra meio periclitante, não vai agora, o Pedro, dar-lhe o empurrão decisivo.
    Um excelente fim-de-semana

  11. Pois eu (que não se pode dizer -nem duvidar- que seja do contra) pouco me importa que “os dias de” sejam dias úteis ou não.
    O importante mesmo são as noites!
    E que eu saiba ninguém refere/distingue noites úteis de outras noites pois, creio ser consensual, que todas as noites são úteis!
    Mas se calhar esta minha concepção nocturna carece de interesse para o tema em questão.
    Despeço-me e vou ali beber qq coisa!

  12. sim, assino por baixo, contra tambem essa discriminaçao.

    Nao sei se havera quem argumente a favor da manutençao, aguardarei, agora alertado.

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