
«Exmo Sr Jerónimo de Sousa,
É com muito prazer que lhe escrevo sobre as reformas antecipadas, mas permita-me primeiro cumprimentá-lo pela sua coerência batendo-se pelo melhor daqueles que muito trabalharam.
Actualmente estou reformado, com 64 anos e com uma carreira contributiva de 49 anos de descontos. Leu bem: 49. Apesar de não ter tido penalização mensal de 0.5 /mês, tenho a penalização do factor de sustentabilidade. Assim, espero que V. Exa. faça reverter a situação, já que, para o ano de 2019, vão permitir reformas antecipadas sem cortes, incluindo o factor de sustentabilidade. Agradeço que tenha em consideração este assunto de modo a ficar também contemplado com o respectivo valor.
Aqueles com 60 de idade e 40 anos de descontos ou 63 de idade e 43 de descontos não terão qualquer corte na reforma. E eu, com 64 anos e 49 anos de descontos? Comecei a trabalhar aos 11 anos.
Fico grato pela sua atenção e aguardarei com a maior expectativa a resolução a favor dos que, como eu, muito contribuíram para podermos ter uma reforma condigna.
Receba um abraço.»
Do nosso leitor António Roque Ribeiro. A propósito deste meu texto.

“Aqueles com 60 de idade e 40 anos de descontos ou 63 de idade e 43 de descontos não terão qualquer corte na reforma.”
Não??? São só 0,5% ao mês até aos 66,5 anos de idade!!! 39% de corte!!!
Se somar os 0,5% mensais, tem também que somar os 99,5% e dividir os 39% por esta segunda soma. Não fique espantado se der 0,5%, é uma mania que a matemática tem, esta de obrigar a usar o mesmo denominador…
Um caso aparentemente similar, o do ex-sindicalista António Chora, foi focado no Expresso de ontem.
Tanto quanto percebi, o que se passa é que a lei não permite rever (em alta) reformas que já foram atribuídas. Ou seja, quando a lei melhora para os novos reformados, as melhorias não são atribuídas aos reformados mais antigos.
E os que começaram a descontar aos 28, apostaram na formação, com licenciatura de cinco anos, cumpriram o serviço militar obrigatório e atingem os 40 anos de serviço com 69 anos?