O meu filho diz – com o ar descontraído de quem tem 14 anos – que vai fazer um trabalho sobre Jose Luis Borges. Conhecendo a criatura, o filho, não me espantaria se tivesse dito:
Vou fazer um trabalho sobre Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo.
Bom, que é o escritor argentino, eu percebi de imediato. O que não percebi foi a escolha e como é que ele tinha lá chegado. Respondeu-me:
Gosto da forma como ele pensa.
Mantive o silêncio.
Falaram-me de um video de uma revista semanal que foi fazer um questionário à porta das universidades. Perguntas como: quem é o Presidente da UE? Quem pintou a Mona Lisa? Quem escreveu os Maias? É triste dizer que o video só provoca aquilo a que se costuma designar por “vergonha alheia”. Pelo sim, pelo não, perguntei as mesmas coisas ao miúdo cá da casa, ele respondeu tudo direito, desta vez com ar de enfado. Depois perguntei por 3 filósofos e ele respondeu Kant, Aristóteles e Montesquieu. Ok. Tudo bem. Fomos ao hipermercado, carregámos com as coisas para casa, jantámos na cozinha a ouvir o novo disco de Sting e ele perguntou:
Como é que sabemos que o amor é mesmo amor?
Eu não consegui responder.

O meu filho de 14 anos não faz, certamente, a mínima ideia de quem foi Jorge Luis Borges, nem conhece Os Maias, nem sabe o que é a Mona Lisa.
Admira-me que o filho da Patrícia saiba isso tudo. Quem lhe ensinou? E de onde vem o interesse dele por isso?
Bom, o Jorge Luis Borges, pelo que entendi, encontrou uma entrevista no youtube, a Mona Lisa – mea culpa – foi ao Louvre ver. E quanto aos Maias, é obrigatório na escola, tem um irmão mais velho e sabe que é um escritor de que gosto muito, tendo a colecção completa que herdei do meu tio-avô. De resto, não acho que seja um miúdo diferente, tem as suas coisas, como todos os miúdos e, de momento, o foco são as namoradas, ou o amor. 🙂
O seu filho sai da norma: aos 18 sai de casa.
É o mais certo:)
Minha querida podias ter-lhe respondido que o amor, mesmo amor, é aquele que existe enquanto estamos convencidos disso. Depois, vem outro amor tão verdadeiro como o primeiro e que acabará quando for caso disso. Os amores verdadeiros existem, mas têm prazo de validade.
Alguns transformam-se em sentimentos muito bons, mas diferentes á medida que o tempo passa. Como aquele queijo fresco que o tempo vai curando…e se torna noutro petisco.
Julgo que ele compreenderia!