Os políticos ensinam-nos muito. Ensinam-nos, por exemplo, a desvalorizar a retórica e a descodificar declarações evasivas. Com o tempo também nos ajudam a separar o discurso da prática política e a identificar estratégias e tacticismos em comunicações inflamadas ou iniciativas populares.
Provavelmente no dia-a-dia os políticos esquecem-se desta coisa elementar que é a influência que exercem na educação cívica e democrática das pessoas que representam. Mas a verdade é que os seus gestos continuados não se perdem no vácuo, antes configuram aquilo que se convencionou chamar em democracia “cultura democrática”. E a nossa amadureceu. Sendo que amadurecer em democracia é, como se sabe, tornarmo-nos cínicos.
Se os nossos políticos pudessem evitar este efeito perverso da acção política sobre a educação cívica das pessoas, como seria fácil meter conversa com os eleitores durante a próxima campanha eleitoral e, antes disso, falar ao povo das “conquistas de Abril” sem tropeçar no espectáculo degradante da desilusão que é o desta democracia chegada à meia idade.

