25 de Abril desfilado


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Todos os anos a organização das comemorações lisboetas do 25 de Abril tem este conteúdo programático: agitando um património afectivo procura-se correlacionar o conteúdo da “democracia” e da “liberdade” a um peculiar aglomerado político. Esse mesmo que, após ter sido aventado durante décadas, se consagrou nas duas últimas legislativas sob o formato de anacrónica “Frente Popular”, dita “geringonça”. Nisso se conjugam socialistas pragmáticos, feixes de “idiotas úteis” e as forças políticas antidemocráticas, filiadas ao Terror que assombrou XX. E alguns continuam a crer, decerto que por adesões alquímicas, que desta amálgama ainda advirá um qualquer melhor futuro – como se este possa vir a brotar de perversas ditaduras.

Ontem o meu amigo Miguel Valle de Figueiredo, fotógrafo, acompanhou o desfile da tal “Frente Popular” aprés la lettre. E cedeu-me estas fotografias para colocar aqui. Falam por si, desde a utilização do folclorismo mais patético – sobre a qual nenhuma análise “decolonial” a la jornal “Público” surge – até à candura juvenil, a daqueles que julgam consagrar a “liberdade” quando desfilam junto dos que sempre contra ela luta(ra)m. Miúdos, alguns, que se soubessem o que foi a luta pela “unicidade sindical” e se percebessem o que aquilo era, talvez duvidassem da pertinência de marchar junto de quem tanto a defendeu, por exemplo. Estranhos miúdos, note-se, capazes de desfilarem invocando a liberdade da Ucrânia, com todos os defeitos desta, ao lado dos paladinos – explícitos e implícitos – do imperialismo fascista russo…

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Enfim, para além da algo estafada mas resistente mitografia de “Abril”, do sufragar desta deficiente de até esparvoada noção de “liberdade” e da suicidária crença numa “outra democracia”, destes desfiles anuais fica apenas isto:

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Há quem goste. Está no seu direito, e é democraticamente respeitável. Combatível mas respeitável. E há os que ombreiam, apenas por incúria festiva – e esses não são tão respeitáveis.

 

 

27 comentários em “25 de Abril desfilado”

    1. Julgo que não. O meu amigo Miguel Valle de Figueiredo é um excelente fotógrafo. Mas tem um assinalável defeito – não é omnipresente.

      1. Sim, mas o desfile da IL estava atrás e não muito longe do desfile principal. Não seria esforço demasiado fotografar o desfile da IL após ter fotografado o principal. (Parece-me a mim.)

        1. Caro Balio, não foi uma questão de esforço (apesar dos quilos de material às costas a subir e a descer a avenida não sejam propriamente um passo à beira-rio…) e sim de interesse. Interessou-me, como diz e isso sim, o principal, talvez a última descida da Avenida com Jerónimo de Sousa à frente do pelotão e muito pouco, para não dizer nada, o acessório, leia-se a manifestação ou lá o que era da IL/ “Somos todos Ucranianos” . E, de borla, a gente faz o que entende e só. Cumprimentos do mvf

          1. A IL fez o que como fazia há uns anos a UDP, entram no desfile à parte para aproveitar a ocasião para outro protesto a jeito.
            A IL nunca gritaria as palavras de ordem dos organizadores do desfile, e por isso oportunistas/populistas da sardinha assada.

          2. x, deixei entrar este seu comentário (entre a mole dos que vem aqui deixando, quase sempre em registo descabido) apenas para frisar isso: a IL não fez isso, fez exactamente o contrário. E francamente não percebo a pequenez de espírito que leva um tipo a acampar num blog dizendo atoardas anónimas nos comentários.

          3. Podia ter sido o próprio “balio” a fotografar a IL, já que se intitula militante desse partido.
            Lapso imperdoável.

            Parabéns pelas excelentes fotografias, Miguel.

          4. Sobre este balio é caso para a IL dizer “com militantes destes quem precisa de adversários”.

    1. Maria Dulce Fernandes eu não concordo muito: julgo que o 25 de Abril não envelheceu mal. Democratizámos (sempre insuficiente e imperfeitamente, como é intrínseco às democracias); Descolonizámos (de forma atabalhoada, mas foi o que as delongas históricas provocou); Desenvolvemos (imenso, ainda que bem se pudesse ter feito bem mais). Vivemos numa democracia “de tipo europeu” [o célebre “A Europa Connosco”] – foi esse o anseio (explícito ou intuído) da esmagadora maioria da população, logo desde o início e sistematicamente reafirmado até hoje. E é essa a Liberdade democrática da qual o 25 de Abril é data e símbolo.

      O que envelheceu, muito e mal, é esta pantomina esquerdista de reclamar (e particularmente todos os aniversários do golpe) o património da liberdade e da democracia, do 25 de Abril.

        1. Quero descrer no que diz (mas, claro, vou resmungando isso mesmo – apenas me acalenta a ideia de que esta resmunguice com a falta de fibra dos jovens é coisa que todas as gerações vão sentindo com o passar da idade …)

      1. Pois, essa da “pantomina esquerdista” é que tem alimentado a comemoração desta data, doutra forma já tinha sido levada para um simples hastear de bandeira como o 5 de Outubro, ou nem isso. O feriado já teve a pena de morte anunciada.
        E não se via a alegria do povo a desfilar como muito bem lhe apetecesse comemorando o dia da liberdade politica.
        Um dia, anos 80’s estava a ver passar o desfile próximo do Hotel Tivoli e um casal de estrangeiros perguntou-me : todos a cantar e cravo ao peito? (tradução><), respondi por ser a dia da liberdade.

    2. O 25 de Abril criou 5 ditaduras, Angola, Moçambique, Guiné Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Principe. E ainda o desastre em Timor mas esse por culpa da Indonésia.
      Boa parte dos que fizeram o 25 de Abril, queriam ditaduras ainda piores que as que tinhamos e as colónias tiveram-nas, pois os “Movimentos de Libertação” foram movimentos intolerantes e fanáticos ainda piores que o tardo-colonialismo dos anos 70.
      Pensar que 12 anos mais tarde chegou a Perestroika e tudo poderia ser diferente sem 1 milhão de mortos.

  1. Creio conhecer aquela escultural moçoila de cravo na orelha. Pena ser benfiquista…

    A sorridente retratada com o cravo na mão direita, alérgica ao ditador russo, tem desde já convite para integrar o DELITO DE OPINIÃO.

    1. As duas jovens mais abaixo não ficam atrás!
      Reparei que foram fotografadas a cores, ou cederam as fotos ao fotografo?
      Lembro uma amiga que levou uma foto para o CC,,julgando que estava ainda no tempo do BI,
      Quando olhou par o CC ,entrou num pranto incoercível

  2. só a miúda das trancinhas. almoçar, sair à noite, trabalhar, conversar, jantar aqui connosco, cantar. tudo o resto me aborrece.

      1. Ahah 🙂 Obrigada, Pedro! Às vezes, ler o JPT 🙂 Tenho que voltar mais. Retornar a esse bom hábito. Grande abraço, saudades

  3. 25 de Abril……..sempre, fascismo nunca mais.
    25 de Novembro para sempre! Social-fascismo nunca mais!!!!!!!!!!!!

  4. Será acessa dita frente (ou traseira) …paga os direitos de se ter apropriado do quase acrónimo 25 de Abril?

  5. Ontem 25/4 eu e um grupo razoável de velhotes na casas dos 70 anos para cima e alguns mais jovens comemoramos o feriado cantando a Grândola Vila MODERNA :
    ttps://aopedaraia.blogspot.com/2016/04/grandola-vila-moderna-maismenos.html
    e
    http://novacasaportuguesa.blogspot.com/search/label/Guimar%C3%A3es.
    Informem-se.

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