Esta não será uma simples transformação nem foi apenas a quarentena que pôs as pessoas meio loucas. Isto vai mais fundo. O liberalismo parece condenado ou estará, no mínimo, em fase terminal. O nosso futuro inclui sobretudo a expansão das legiões da intolerância, como vemos em todos estes episódios da aplicação de uma moralidade contemporânea ao passado e, talvez ainda mais perigoso, o triunfo da intransigência na política e da mentira no pensamento. As discussões que antes pertenciam ao domínio das velhas instituições democráticas saltam para a rua e perdeu-se a transparência que ainda havia, a favor de maquinações feitas por organizações misteriosas sobre as quais sabemos muito pouco, nomeadamente sobre quem as financia e porquê. Os meios de comunicação (e era aqui que queria chegar) tendem a ser trincheiras militantes ou baratas tontas. É ocultado tudo aquilo que possa sair da narrativa conveniente. O próximo ciclo político vai ter menos referências do jornalismo e mais aldrabices, com guerras de cultura mais aceleradas e incivilizadas. As redes sociais serão os palcos privilegiados da política, os campos de batalha que vão determinar quem passa ao nível seguinte. O caos económico global beneficia meia dúzia de homens já estupidamente ricos, como nunca houve em tempo algum, donos das empresas que venceram a grande ruptura digital. Cada um é génio ou filantropo e alguns têm dinheiro para ir à lua. Toda esta comoção, que as suas criações amplificam, é como se não fosse nada com eles.
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Luís Naves,

Eu diria que o neo liberalismo, mais as forças anti democráticas, estão mortas e enterradas. O liberalismo, não. A democracia também não (não basta um país, regime ou político, dizer-se liberal para sê-lo) Aliás, se atentarmos ao que se passa em países com regimes iliberais (EUA, Brasil, Filipinas, Hungria, etc) constatamos a sorte que temos em vivermos numa democracia liberal (no sentido político). Luís, se me permite, mas não destacava, há uns tempos, de forma positiva, o regime personificado por Viktor Orban? Não escreveu há uns anos uns textos de beneficiência a Trump? Cumprimentos
Incomoda-me que o palco da política se transfira para as redes sociais. Parece-me errado, mas os nossos políticos estão mortinhos por deitar às redes o seu peixe. E, em vez de ficar à seca, não; logo todos compram ou oferecem préstimos, ou se esgatanham de discordância. Não foi assim que aprendi a política. Não confere com o conceito de política que me foi passado.
Isto vem de muito antes.
A Esquerda Marxista constatando o seu falhanço no mundo físico com a queda do Bloco Soviético mudou-se para a conversão das almas: jornalismo e educação.
lucklucky
Há uma herança que cada geração possui, essa herança leva por nome estupidez.
A estupidez a que aludo reside no facto de cada ignorante geracional comportar-se como se de um sábio eleito e iluminado tivesse sido constituído para purificação do mundo.
Na razão histórica também somos herdeiros dos actos por anteriores praticados que nos trazem a um outro momento histórica.
Nessa estupidez da ignorância cada geração é levada a pensar que a história começa aí e aí terminará. E a estupidez ignorante ainda é mais agravada quando se vê a história como estória e não como circunstância. Ainda mais estupidamente ignorante é pensar-se que se faz história julgando com estórias a história.
A vida não é um episódio: é uma história de circunstâncias que só é possível corrigir com consciência que a circunstância histórica nada mais reflecte que a ignorância estúpida que os sábios de cada momento propagam julgando fazer uma nova história.
A história que falta realizar para edificar uma boa história será fazer de cada momento em cada pessoa uma estória vivida no acolhimento da miséria histórica para mudar a circunstância que cada um é portador. É aqui que reside o Saber, isto é, saber que a história supera-se e melhora com o ver a miséria com misericórdia. Isto não é uma atitude piedosa, mas de grande Saber.
Portanto, cada momento histórico tem reflectido somente que a história é feita de uma herança igual em ignorância, mas que se presume sábia.
“Bem-aventurados os misericordiosos…” l8s
https://www.youtube.com/watch?v=5Abn_WZ4
O liberalismo parece condenado ou estará, no mínimo, em fase terminal.
Isto diz o Luís Naves, que é um inconfesso admirador da “democracia não liberal” de Viktor Orbán. Tal como Marx via já em fase terminal o captalismo que ele detestava, também o Luís Naves vê em fase terminal o liberalismo que ele inconfessadamente abomina. Tal como Marx se enganou, também o Luís Naves se engana.
não vale a pena estar a continuar com isto. As pessoas não entendem o que escrevo, ou fingem que não percebem. Perco o meu tempo.
O regime de Órban não é iliberal (que conceito bizarro), portanto, vir aqui lembrar essa história, com base no que foi escrito, é absurdo. Não vou voltar a esse tema por uma razão simples: não tem qualquer vantagem andar aqui a tentar desmentir um mito e uma mentira que, aliás, se aplica perfeitamente ao que escrevi. Se as pessoas querem ser enganadas, façam favor.
As análises que tentei escrever sobre Donald Trump do Delito de Opinião foram sempre no sentido de tentar desmontar algum exagero que se via na CS e que agora é uma verdadeira loucura.
Mas tudo isto é inútil. Não vale a pena escrever aqui. As pessoas podiam usar isto, que é gratuito, como nota que ajude a pensar, mas preferem outras coisas, que não percebo.
Sou um confesso admirador de tudo e mais um par de botas, como diz o comentador Lavoura. Vou mas é escrever romance.