A lenda de S. Jorge e o dragão serve de mote às comemorações catalãs que motivaram a escolha deste dia como Dia Mundial do Livro. De acordo com tradição de Sant Jordi, é dia de oferecer rosas, vermelhas como o sangue do dragão, e livros. Eles oferecem rosas, elas oferecem livros.
Nenhum pretexto é fútil para oferecer um livro, por isso, esta é uma das mais belas tradições que eu adorava importar para Portugal.
Nesta data, em 1616, assinala-se também a morte de dois dos mais relevantes escritores universais: William Shakespeare e Miguel de Cervantes. No mesmo dia. Que grande coincidência! Demasiado grande, segundo nos informa o Professor Marco Neves, que cito: “Na verdade, os dois países tinham calendários diferentes e, embora a data fosse a mesma, os dois escritores morreram com duas semanas de diferença. A coincidência continua a ser espantosa — ou talvez nem por isso, se tivermos em conta que Cervantes, na verdade, morreu no dia 22 de Abril, embora o óbito só tenha sido registado no dia seguinte.“
Com ou sem rosas, compre um livro hoje. Para oferecer a alguém ou para si. Várias livrarias oferecem descontos nesta data, aproveite. Dia mais lindo, não há!

(Dia da festa de Sant Jordi, em Barcelona, num 23 de Abril de outro ano)

Dia da festa de San Jordi
Não é San, é Sant.
Veja na wikipedia: “Diada de Sant Jordi”.
Corrigido (o pior é que eu sabia isso…). Obrigada!
Foi em Abril de 2000 que os Metallica processaram o Napster (a propósito do Dia de Direito de Autor)
Sempre desprezado, o direito de autor, ora ignorado, ora referido em letrinhas pequenas. Também eu cometo esse delito.
“…comemorações catalãs que motiveram a escolha…”
Motivaram.
Já vi que hoje é o dia do livro e dos revisores, é mais uma para emendar.
Ora, nem mais! Vou corrigir, obrigada!
Excelente sugestão Zélia. Darei o meu contributo daqui a pouco no DELITO.
O meu dia favorito. Talvez venha a ficar empatado com o Dia Nacional das Bibliotecas Públicas, se a proposta apresentada vier a ser viabilizada.
Quando trabalhava em Moura fazíamos a Feira do Livro nesta altura. Durante alguns dias instalava-se uma enorme tenda na praça principal. Toda a cidade e arredores vinha à Feira do livro, – e compravam livros – era quase um fenómeno social. Criámos alguns projectos muito interessantes, como os Padrinhos de Leitura, em que as empresas do concelho apadrinhavam uma sala de aula do jardim-de-infância ou primeiro ciclo e ofereciam um livro a cada um dos alunos dessa turma. Um verdadeiro esforço conjunto da sociedade para a formação de novos leitores. O dia 23 de abril era o ponto alto desta festa do livro e da leitura. Dia feliz, feliz!
23 de Abril. Dia Mundial do Livro.
Esta é minha comemoração:
https://youtu.be/_cwEFP1XaeA
Pouco adianta comemorar um dia e até mesmo um livro sem se falar na capacidade e no dom que uma leitura pode produzir.
Com o trecho que transcrevo, desejo demonstrar como as transformações ditas civilizacionais são capaz de transformar em merda de gente a gente que julga ser gente.
A Irmã Lúcia narra nas suas Memórias como foi a pandemia de 1918, a pneumónica ou gripe espanhola.
«A epidemia (pneumónica, de 1918) atingiu quase toda a gente. A mãe e minha irmã Glória andavam de casa em casa a tratar os doentes. Um dia, o ti Marto foi avisar o meu pai de que não deixasse a mãe nem as filhas andar por casa dos doentes a tratá-los, porque era uma epidemia que contagiava e podíamos, também nós, ficar doentes.
À noite, o pai, ao chegar a casa, proibiu a mãe e as filhas de irem às casas dos doentes para tratá-los. A mãe escutou, em silêncio, tudo o que o pai disse e depois respondeu:
– Olha, tu tens razão. É mesmo assim como tu dizes. Mas, olha lá, como podemos nós deixar morrer aquela gente, sem ter(em) quem lhe(s) chegue um copo de água? O melhor seria que viesses tu comigo e vias como as pessoas estão e se nós podemos deixá-los assim abandonados. E, apontando para uma grande panela que tinha pendurada na corrente da chaminé, sobre o braseiro da lareira, disse:
– Vês esta panela? Está cheia de galinhas. Algumas nem são nossas; trouxe-as de casa dos doentes, que as nossas não chegavam para tudo. Está a ferver, para fazer caldos, e já tenho aí as panelinhas que trouxe das suas casas, para lhos levar. Se tu quisesses vir comigo, ajudavas-me a levar as cestas com as panelas dos caldos e, ao mesmo tempo, vias e resolvíamos como se há de fazer.
O pai aceitou. Encheram as panelas de caldo e lá foram os dois, cada um com duas cestas, uma em cada mão. Daí a pouco, volta o pai com um bebé num bercinho e disse para a minha irmã Glória e para mim:
– Tomai conta deste menino. Os pais estão os dois de cama, com febre, e não podem olhar por ele.
Voltou a sair e, daí a pouco, regressou com mais duas crianças que já andavam, mas ainda não podiam valer-se, e disse:
– Tomai conta de mais estas duas, que não fazem senão chorar, à volta da cama dos pais, e eles estão com febre e não podem atendê-las.
E assim trouxe mais. Não me lembro quantas. No dia seguinte, vieram dizer que também em casa da tia Olímpia, estavam todos de cama com febre. Os meus pais lá foram também tratá-los. Aí, na ocasião, melhoraram todos, mas quatro ficaram sempre com algumas décimas de febre que os foram minando e, um após outro, em poucos anos, morreram quatro: o Francisco, a Jacinta, a Florinda e a Teresa.
Nesses dias, os meus pais não fizeram outra coisa mais que andar de casa em casa, a tratar dos doentes. O pai com o meu irmão Manuel tratavam também dos animais que estavam nos currais a gritar com fome, e tiravam o leite para se dar aos doentes e às crianças. (…) Foi tão grande a necessidade, que meus pais não hesitaram em deixar-me ir focar, algumas noites, em casa de uma viúva que vivia só com um filho que estava tuberculoso no último grau, para que ela pudesse descansar, sabendo que tinha ali uma criança de 11 anos, que chegasse ao filho um copo de água ou uma tigelinha de caldo, ou a chamasse, se ele precisasse de outa coisa. (…) Também advertiram o meu pai de que era temerário deixar-me ir a essa casa porque podia contagiar-me. O pai respondeu:
– Não há de Deus pagar-me com o mal o bem que eu faço por Ele!
E assim aconteceu! A confiança de meu pai não foi confundida, que tenho quase 82 anos e ainda não senti o mínimo de vestígio dessa doença!” (Memórias da Irmã Lúcia V, n.º 3, pp. 19-21)
Dia Mundial do Livro, dia do Patrono de Inglaterra e, por causa disso certamente, do Escutismo, pois Baden-Powell era inglês… Em Monção e Redondela, São Jorge ainda luta contra a Coca… Para mim, além do mais, é o dia do onomástico.
Só para lembrar que a UNESCO fez questão de celebrar um terceiro aniversário ao instituir este dia comemorativo.