2


Luís Naves,

Por razões que não são inteiramente claras, vivemos na era da incerteza. Ideias sobre a natureza imprecisa da realidade passaram para a consciência popular, foram absorvidas, por assim dizer, por uma sociedade cada vez mais fragmentada, onde muitas pessoas se sentem inseguras. Essa ambiguidade produz desconfiança em relação às instituições, que estão geralmente em declínio. Talvez isso explique que nos países desenvolvidos o eleitorado prefira líderes que parecem ter tudo sob controlo e que, por isso, são criticados pelos poderes mediáticos em perda de graça. A descrença contemporânea pode estar ligada ao envelhecimento da população ou à infantilização da juventude, mas também parece que os antigos conflitos entre classes deixaram de ser percebidos como tal e são hoje interpretados como a insatisfação injustificada de pessoas cuja opinião não conta. A cultura é hoje dominada por sentimentos de culpa, mitologias identitárias e lutas simplificadas entre o bem e o mal.

3 comentários em “2”

  1. Hoje?

    Há 40 anos boa parte dos portugueses “cultos”, “instruídos” e “modernos” queriam a Albânia, a União Soviética ou a China, Maoista.

    lucklucky

  2. Tal e qual , penso que o caos e incerteza terá a ver com o corte, que nos foi imposto pela pós pós modernidades muito moderna, com a Tradição e com os nossos antepassados , ficámos desenraizados.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *