Jogar com um falso ponta-de-lança não é o mesmo que jogar com um ponta-de-lança falso. Um falso 9 não é um ponta-de-lança, é certo. Mas é, veja-se o caso de Fabregas na selecção de Espanha, outra coisa qualquer. Extremo, armador de jogo, trinco, o que quiserem. É um pouco como ter 5 euros e escolher entre comprar laranjas ou maçãs. A opção é discutível. Em qualquer caso, de uma maneira ou de outra, há sempre o que comer. Isto é, o falso 9 não joga na posição de ponta-de-lança. Mas joga. Ainda que noutra posição. E por isso a equipa apresenta-se, efectivamente, com 11 jogadores. No caso do ponta-de-lança falso a coisa é diferente. O 9 falso joga realmente no lugar de ponta-de-lança. Só que, realisticamente, não joga nada. Apostar no 9 falso é como ter os mesmos 5 euros disponíveis e não comprar laranjas, nem maçãs. Nem nada. Pior do que isso, é deitá-los fora atirando-os para dentro de campo. Isto é, a opção pelo falso 9 não é uma fórmula matematicamente errada. Embora possa estar, ou não, futebolisticamente equivocada. Já no caso do ponta-de-lança falso, o 9 vale matematicamente 0. Nessa situação, a nulidade matemática resulta irremediavelmente em erro futebolístico. Jogar com um 9 falso equivale, na verdade, a jogar apenas com 10. É verdade que Pedro Abrunhosa não sabe cantar. É, se quisermos, o equivalente musical do falso ponta-de-lança. Joga com o 9 do vocalista nas costas mas, não fazendo aquilo que alguém naquela posição deve fazer, faz outras coisas. Fala, sussurra, declama, proclama. Abre outras linhas de passe e, no final, pelo menos para alguns, aquilo resulta. Bem diferente seria ter um cantor calado. O problema com a nossa selecção não é, por isso, de táctica. É de matemática. Não faz qualquer sentido insistir em jogar com um ponta-de-lança falso quando podíamos, pelo menos, experimentar jogar com um falso ponta-de-lança. Nada, nem sequer o memorando da troika, impõe esta espiral recessiva de transformarmos, ainda antes de entrarmos em campo, os 11 a que temos direito nos 10 que temos visto. É que, ao contrário de Pedro Abrunhosa, Postiga nem sequer esperneia. A responsabilidade, é claro, não é dele. É de quem não o deixa sair de cima.


A ideia de Paulo Bento é que o 9 funcione como o 10 menos 1 ou seja o 8 mais 1 que juntamente com o 7 forma a linha de ataque composta do 7 +1 -10-1 igual a 9 assim sendo teriamos um ataque em escala de 7+9+11 o que daria mais força à linha horizontal tendo em conta que os 5+6+3 actuarão em bloco e recuarão para tràs consoante o 11 e 8 adversário fluteem na àrea do 1 e do 2 não devemos esquecer que no banco temos o 23 45 17 50 33 e as estrelas 4 e 3 ou seja um jackpot ´.
Boa sorte
saramago Junior
Sim, vamos precisar. E independentemente das tricas tácticas, é o que queremos.
Que desastre…
É que não retiro uma vírgula, Lucky.
Rui: o Postiga deve ter lido isto e ficou espicaçado. Bom trabalho.
Certo. Valeu a pena. Passo a aguardar instruções do Paulo Bento para o próximo jogo.