O Presidente do Governo espanhol, Rodriguez Zapatero, anunciou hoje que não será o candidato do PSOE nas eleições legislativas que terão lugar em 2012. Nos últimos meses, várias vezes foram salientadas as semelhanças de percurso entre Sócrates e Zapatero. Os líderes dos dois partidos socialistas ibéricos mantiveram, de facto, uma relação difícil com a realidade, negando a evidência do descalabro da gestão governativa. Ambos protagonizaram uma visão despesista do Estado, mais orientada para a satisfação de clientelas do que para os reais interesses da população. Um como outro proclamaram-se, de forma cínica e com evidente falta de pudor, como defensores do Estado Social. Isto, enquanto os seus governos iam minando, na prática, a viabilidade do próprio modelo. Se o percurso foi semelhante, importa neste momento reconhecer algumas diferenças plenas de significado. Desde logo, Zapatero, apesar de renitente, foi muito menos teimoso e imprevidente do que Sócrates na abordagem à crise. Há precisamente um ano atrás, a Espanha tomou e executou decisões de corte da despesa classificadas, à época, como muito violentas. Sócrates assobiou para o ar, convencido de que o tempo remediaria o desconcerto. Perdeu tempo e comprometeu definitivamente a confiança dos mercados. Neste momento, Portugal afunda-se e a Espanha começa a ver luz ao fundo do túnel. A outra diferença fundamental relaciona-se precisamente com a forma escolhida para abandonar o poder. Zapatero renuncia. Sócrates permanece incrustado na sua irredutibilidade. Zapatero convenceu-se de que a quebra de confiança do eleitorado espanhol o impede de protagonizar uma solução para problema. Desta forma, permite ao PSOE e à sociedade espanhola trilhar o caminho da renovação política. Quanto a Sócrates, tornou-se ele próprio num problema sem solução. Indiferente ao facto de ser o principal factor de bloqueio da situação política, mantém o PS refém da sua liderança e insiste numa visão unipessoal de irresponsabilidade ilimitada da democracia portuguesa.
Zapatates e Socratero (ou talvez não)
Rui Rocha,

Não há luz ao fundo do tunel em Espanha.
E vão-se juntar outros.
A ser assim, teríamos que admitir que em Portugal já nem há túnel.
O curioso é que ambos chegaram ao poder de forma muito enviesada… um através de um golpe de estado presidencial da maçonaria o outro através de um golpe terrorista da Al-qaida.
Que morram longe! (do poder, claro)
Eu diria mais, Carlos Alberto. Que sejam felizes. Longe da nossa vista. Um já tirou billhete. O outro insiste em fechar a porta de saída à chave.
España se desmorona……
Portugal se ha hundido…
Há mais diferenças a ter em conta. Espanha é uma monarquia com um soberano popular e estão à nossa frente vinte lugares (20) no índice de alfabetização. Isto é, trata-se de outro mundo. Do 1º.
Sim, é verdade. O campeonato é outro. Também na liderança política e, sobretudo, na exigência dos cidadãos.
Acho muito bem que o Sócrates não saia pelo seu pé.
De outro modo, tirava-nos o gosto de o correr a ponta do dito…
Pois é, Alberto. Mas, entretanto, temos soluções adiadas só para o Eng. Pinto de Sousa ter a ilusão de manter a auto-estima.
“…mantém o PS refém da sua liderança…” !!
Eu diria que ele é que é o refém! Pois afinal o PS é que vota nele, e não o contrário. E essa é que é a grande tragédia, não quererem a mudança interna. O PS assim, bem pode juntar-se ao PSD, pois não há lugar para ele na Esquerda.
É verdade, Ana. A liderança de Sócrates impede o PS de se afirmar como alternativa à sua própria governação.
Chegados aqui, depois de lidos os comentários que este post suscitou, e se abrisse-mos um concurso de ideias sobre o que será a Europa em 2015? E convidar Sócrates para abrir a vaticinação?
Pois. Essa é na verdade uma questão muito interessante, José. Quanto ao que Sócrates diria, imagino que o dito lhe respondesse já na qualidade de Presidente da Comissão que deve ser onde ele se vê em 2015. Nunca menos que isso.
“Abrisse-mos”?
Ele há coisas…