Yes men


Teresa Ribeiro,

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A opinião que António Capucho tem acerca dos critérios de Passos Coelho para seleccionar o seu staff é-me indiferente, o que me interessa é a reflexão que me suscita sobre a prática, que me parece corrente, de pessoas com cargos de decisão nomearem para as suas equipas preferencialmente gente que não arrisca uma discordância, dizer o que pensa, comprar uma briga em nome de um valor mais alto, que é o de desempenhar o seu papel com competência.

Dir-me-ão que isto é natural por parte de gente que se pensa dona da razão, que gosta de impor as suas ideias e acredita piamente nas suas capacidades e no seu instinto. E eu continuo a pensar que é comum, mas não é natural.

Não é natural que abdiquem de ver e ouvir através das pessoas de confiança que escolheram para trabalhar consigo. E ainda é menos natural que confiem mais depressa em quem lhes dobra a espinha do que nos que pretendem prestar colaboração exercendo as suas funções com brio. Mas exercer o poder, para muitos, é isto. 

0 comentários em “Yes men”

  1. Uma coisa é dizer-se que os líderes se devem rodear de pessoas que os façam refletir, ver outros pontos de vista, etc.

    Outra coisa é esperar que se rodeiem de pessoas que aproveitam todas as oportunidades para os desautorizar publicamente.

    Por exemplo, Miguel Morgado e Bruno Maçães (os “imberbes fanáticos de Passos Coelho”, para citar Daniel Oliveira) serão “Yes men!”? Se sim, porquê? São incapazes de formular uma ideia própria? Ou simplesmente têm uma relação de confiança com o líder e não discordam dele em público? Como se faz a distinção?

    1. Confunde as coisas. Claro que de um assessor não se espera que formule em público ideias próprias, muito menos discordantes das da pessoa para quem trabalha. Ter low profile não é, nestas funções específicas, sinal de incompetência, muito pelo contrário, nem pode ser confundido com sabujice. Não é pela discrição em público que se identifica um yes man.

      1. Então como é? Quem foram/são os “yes men” de Passos e como os identifica?

        Mais depressa me parece que Passos se rodeou de algumas personagens sinistras (Relvas, Marco António, etc) a quem ficou a dever favores (e sem as quais não teria chegado à liderança) que propriamente de “yes men”. E entretanto (por força das circunstâncias) até largou alguns pelo caminho.

        Que ministros foram “yes men”? Maria Luís, Vítor Gaspar, Álvaro? Que acessores?

        1. Está a levar a discussão por onde não me interessa. No post comecei por dizer que não queria pronunciar-me acerca das opiniões de António Capucho. Parece-me mais interessante questionar porque tanto líder – não só na política – prefere rodear-se de gente assim. Nunca observou o fenómeno? Infelizmente já, nas mais diversas circunstâncias e nada tem a ver com cores políticas. É transversal e cultural.

          1. Se está a falar em abstracto, sim já vi. Acho que todos sofremos um pouco disso, uns mais que outros. Discutir pode ser extremamente produtivo e estimulante, mas também é bastante cansativo. Podendo escolher, é mais fácil roderamo-nos de pessoas com quem tendemos a concordar.

            No caso em apreço, acho que a liderança de Passos encaixa muito pouco. Mais depressa vejo em Passos alguém que segue quase cegamente uma outra personalidade (ou corrente), do que alguém capaz de exercer esse tipo de domínio sobre terceiros.

  2. A Teresa aborda uma questão que por ser comum se torna natural. O tema importante a sugerir é o facto de neste país, em particular com a nova era que se pretendeu implantar com o regime subserviente do PSD/CDS (refiro-me aos que possuem responsabilidade), ter proliferado um conjunto de ditos “assessores” saídos não se sabe de onde ( e até mesmo de onde se sabe), na sua grande maioria fazendo crescer curriculas e não currículos, que pensam que o seu grande conhecimento sobre as mais diversas matérias resulta dos encostos que possuem e das nomeações que se lhes seguem para um qualquer trabalhito, até mesmo de assessores.

    Como vivemos numa sociedade feita de imagens e/ou figurinos, é comum e, consequentemente, natural que o importante seja parecer. O fenómeno da refundação proposto pelo PSD traduziu-se na replicação de si mesmos.

    Imagino a asfixia em que se encontram as raríssimas excepções.

    Dito isto, estou bastante grato que o meu país, em particular pela acção desenvolvida por António Costa, tenha compreendido que o modelo a seguir passa precisamente pela ascenção dos ditos partidos da tradicional oposição a uma governação efectiva.
    Por isto mesmo vivo com gratidão por ter visto consumadas minhas ideias sobre em que consistia a refundação do sistema e do regime.

    Quer o PS quer o BE quer o PCP quer o PEV e outros realmente independentes ficarão na história europeia pela introdução de um novo modelo verdadeiramente participativo e inclusivo.

    Neste desenvolvimento quer PSD quer CDS ficarão a carpir as suas mortes e os seus mortos, mas dificilmente compreenderão a verdadeira dimensão da transformação em curso.
    Sem dúvida que eu gostaria que neste projecto existisse a possibilidade de eles se deixarem incluir. Mas será pedir demasiado que o farisaísmo que os caracteriza cesse nesta e na outra geração. Será necessário esperar por outra lá mais para a frente.

    1. Olá, Vento
      Deixe-me dizer-lhe que me preocupa muito mais o critério de quem escolhe equipas do que essas mesmas equipas. Assessores com esse perfil só assumem funções se alguém os escolhe.
      Não creio que este problema se verifique apenas entre a gente do PSD e CDS.

      1. Eu escrevi isto:
        “A Teresa aborda uma questão que por ser COMUM se torna natural”.

        Depois afirmei isto:
        “em particular com a nova era que se pretendeu implantar com o regime subserviente do PSD/CDS (refiro-me aos que possuem responsabilidade),…”.

        Para chegar a isto:
        “Por isto mesmo vivo com gratidão por ter visto consumadas minhas ideias sobre em que consistia a refundação do sistema e do regime”.

        Isto é, a refundação do sistema não se faz com grupos e clientelas que se reproduzem a elas mesmas. Faz-se incluindo os ostracizados que por conhecerem sua situação obrigarão a alteração do status quo.
        Pena tenho, por exemplo, que ainda não sejam incluídos nos governos e nas mais diversas instituições pessoas saídas de bairros tipo lata, e até mesmo os “naturalmente” proscritos, para que existisse uma verdadeira refundação e renovação do sistema.

        Já aqui afirmei que o futuro demonstrará que serão estes “periféricos” e/ou marginais da sociedade que trarão a tão almejada renovação.
        Até lá o que está a ser feito é o abrir de portas.

        Foi precisamente o discurso da refundação que eu procurei salientar. E PSD/CDS demonstraram uma fraude com o seu sistema, em particular o PSD. Portanto, os penduras do sistema são aqueles que depois agirão de igual forma. Não havendo carácter é isto que sempre ocorre.

          1. Salvaguardando o(s) engagée(s), escrevi isto:

            ” (…) NA SUA GRANDE MAIORIA fazendo crescer curriculas e não currículos,…”.

            Mas devo dizer-lhe que esses raros engageés estão nos partidos por pouco tempo. Ao contrário os curriculas pretendem eternizar sua função.

            É um pouco como o poema com uma ligeira nuance, por isso não o coloco entre aspas:
            O poeta é um fingidor;
            Finge tão completamente que pensa ser dor a dor que deveras não sente.

            A tantos poetas a mostrar dores que não sentem, Teresinha.

          2. Salvaguardando o(s) engagée(s), escrevi isto:

            ” (…) NA SUA GRANDE MAIORIA fazendo crescer curriculas e não currículos,…”.

            Mas devo dizer-lhe que esses raros engageés estão nos partidos por pouco tempo. Ao contrário os curriculas pretendem eternizar sua função.

            É um pouco como o poema com uma ligeira nuance, por isso não o coloco entre aspas:
            O poeta é um fingidor;
            Finge tão completamente que pensa ser dor a dor que deveras não sente.

            Há tantos poetas a mostrar dores que não sentem, Teresinha.

            Nota: Inclui o H na última frase. Por isto envio 2º. comentário.

  3. Pelo menos neste governo temos muitos conhecidos de pertencerem a um governo de bancarrota, e familiares. Isto para além do recorde de nomeações. Brilhante.

  4. 1. A subserviência faz parte da natureza dos partidos. Sem ela, deixaria de existir a disciplina partidária e, sem esta, os partidos não subsistiriam. Eis uma das razões de o nosso regime não ser uma verdadeira democracia.
    2. A linguagem pode, por si só, começar a mudar as coisas. Por isso sugiro que deixemos de falar em PODER e passemos a falar em SERVIÇO. Porque é verdadeiramente – deveria ser – de um serviço que se trata.

  5. Cara Teresa, Não percebo a “aparente” surpresa…afinal, já nos idos de 80 o grande Miguel Esteves Cardoso (MES) identificava esse cancro nacional, que apelidou de “culambismo”. Vemos isso em qualquer lugar que tenha um “chefe” e seus “colaboradores”…na política, oh na política, em TODAS organizações do estado, mesmo Todas. Basta ver como funcionam os modelos de avaliação e progressão nas carreiras…! Aliás este comportamento generalizado de “”yes men” constitui uma das causas porque tão sublime e generoso povo gera efectivamente um estado fraco, uma sociedade anémica, sem respeito pelo bem e serviço público etc, etc…em suma, somos atrasados.
    Paulo Dias

    1. Sei bem que não é novidade e a promoção de yes men resulta, justamente em atraso. Estou consigo. Mas, repito, o que mais me incomoda nem são os praticantes do desporto tão bem identificado pelo MEC, são os que preferem sentir a corte à volta a desenvolver verdadeiro trabalho de equipa.

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