Xenofobia


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De há alguns a esta parte instaurou-se um discurso mediático – muito dinamizado pelo diário da SONAE e cavalgado pelo esquerdismo radical – que sumariza o nosso país como sede de um abrasivo racismo e concomitante xenofobia. Não há como contestar essa visão, assente numa mescla de vontade revolucionária, sensibilidade benfazeja, elisão das realidades, desprezo pelo comparativsmo e, talvez mais do que tudo, aldrabismo retórico (textos académicos a bolçarem insanidades sobre “racismo cultural” serão suficiente exemplo disso). Enfim, não há como contestar isso pois quem acredita nesta patacoada perora em cima de um estrado moral e vê os seus críticos como pagãos satânicos. 

Eu tenho apreço pelo comparativismo (deformação profissional, ainda que milite na secção indutiva). E às vezes diante deste demonizar de Portugal – recorrente entre os clientes da SONAE e os admiradores do dr. Ba – sorrio ao ver outros exemplos alhures, que passam ao lado destes “críticos” brinca-na-areia.

O nosso maior fluxo imigrante é brasileiro. Decerto que muitos serão pobres, em difíceis e até algo precárias situações laborais e socioeconómicas. Muitos terão razões para se sentirem desvalorizados (“discriminados”, no jargão actual). Mas será interessante analisar a protecção legal que têm e se esta é menor do que a que cobre nacionais e oriundos de outros países. É também relevante se sofrem efectiva perseguição dos nossos cidadãos (de modo que seja sociologicamente relevante, para além de um qualquer despautério ou zaragata). E em terceiro lugar, será necessário perceber que tipo de discursos públicos – e sua reprodução mediática – sobre eles existem, que categorizações negativas são produzidas e ecoadas, que estereótipos são mantidos e publicados. Com objectivos de desvalorização, exclusão e mesmo de ostracização.

Vem-me isto à cabeça no sábado soalheiro devido às notícias do futebol brasileiro. Pois desde há anos, após a ida bem sucedida de Jorge Jesus para o Brasil, que lá são amplamente divulgados discursos xenófobos, discriminatórios, dos portugueses, e sistematicamente usando estereótipos que nos são avessos. Primeiro contra Jesus, depois contra os vários treinadores nossos compatriotas que foram contratados para aquele país. Ultimamente uma verdadeira concertação de importantes treinadores brasileiros contra Abel Ferreira. E hoje vejo no Record um idoso treinador brasileiro denegrindo Paulo Sousa através do consabido chavão “voltou para Portugal e abriu uma padaria“. 

Ou seja, num país onde o futebol tem uma enormíssima importância, os seus agentes – principalmente jornalistas e treinadores – não têm qualquer rebuço em proferirem discursos explicitamente xenófobos contra os portugueses. Sem que isso, friso, tenha qualquer comparação com hipotéticos dichotes ou desatinos que por cá se passem.

E nenhum “activista” – por lá usualmente chafurdando na patética construção “consciência africana” ou quejanda, por cá entretidos nas quermesses anti-apropriação cultural e nas coalizões entre causas políticas e erotismo – se pronuncia sobre o assunto. Imagine-se o que não seria se umas dezenas de imbecis por cá tivessem discursos semelhantes sobre renomados brasileiros aqui trabalhando …

Quantos jornalistas brasileiros seriam convidados a “denunciar” isso nas televisões, quantos “observatórios” proclamariam a nossa crise nacional e defeito identitário, quantas páginas do boletim da SONAE seriam dedicadas ao assunto, quantas indignações do comunista dr. Ba?

Mas assim? Nada. “Vamos ao pão”, fazê-lo, que é o nosso destino. De “tugas”.

21 comentários em “Xenofobia”

  1. Tenho para mim que as asneiras dos outros não justificam as nossas. E que antes de nos preocuparmos com as asneiras dos outros devemos evitar cometer as nossas.
    Mas isto é uma opinião muito pessoal

    1. Sim. Mas julgo que o postal é suficientemente explícito para que se perceba sobre o que falo. E de como se avaliam as tais aludidas “asneiras” próprias

    2. “Mas isto é uma opinião muito pessoal”

      Não é. É sua opinião de neo-Marxista, por isso é que propositadamente esconde o exagero dos nossos problemas apresentados pelos escudos neo-marxistas da SONAE.
      Por isso é que você aceita a táctica totalitária das “alterações climáticas”<=>”racismo sistémico” . Onde o facto de uma qualquer instituição portuguesa logicamente por estar desenhada por portugueses beneficiar melhor portugueses é prova de racismo.
      Tal como qualquer mudança climática hoje é provocada pelos humanos.

        1. Você acabou de o escrever acima. E já o fez muitas vezes que aceita beneficar o pior infractor desde que assegure que seja sempre a Civilização Ocidental a ficar com o maior opróbio.

  2. Mas viu o discurso do Abel e do Vitor que suscitaram as criticas ? Se um treinador estrangeiro em Portugal abandonasse o campo na altura dos penalties e respondesse a um jornalista que preferiu ir ouvir música para o balneário …ou se à pergunta do jornalista se estava preocupado com a possibilidade de ser dispensado respondesse ‘ você sabe quanto dinheiro eu tenho no banco ? ‘ ……o que é que acha que acontecia ?…..não confundir criticas justas com xenofobia.

    1. Obrigado pela simpatia (estava cheio de gralhas, coisa de obter escrito e publicado em telefone, algo que quase nunca faço. Exactamente por isso, entre o maldito corrector e a dimensão do objeto)

  3. Recordo o início da década de 1980.
    Num jantar no Rio de Janeiro os convivas resolveram brindar-me com um abundante sortido de ditos e bocas sobre portugueses.
    Estavam divertidíssimos e nada visava atingir-me pessoalmente bem como a outros portugueses presentes.
    Comentei: ‘ tudo isso advém de vos termos dado a independência cedo de mais’. O silêncio que se seguiu foi confrangedor…
    Por cá a esquerdalhada tudo quer reverter, até o multiculturalismo racial promovido pelo Estado do Minho a Timor..

  4. Já passaram uns anos, mas no Maracanã em 1972, na Final da Copa do Mundo, quando o Jordão quase marcava golo, eu mais uns tantos levantamo-nos como empurrados por uma mola e o nosso ah!ah!ah! foi imediatamente absorvido por centenas de gritos ameaçadores em nossa direcção ‘matem esses galegos’.
    Outra coisa: o que é ‘esquerdismo radical’ ? Há esquerdismo comedido?
    O resto do postal é bem agarrado, e o Ba serve de exemplo para coisa nenhuma.

      1. Tem razão, não foi a “Copa do Mundo”, foi um torneio “Taça da Independência” que os brasileiros chamaram “Mini Copa”.

  5. É lógico que os brasileiros são xenófobos mas isso irá acabar em breve, quando o Lula ganhar a eleições. Esteja tranquilo…o progresso e a ordem irão voltar.

  6. A questão racial bem como a do género e até das alterações climáticas (entre outras claro) são bandeiras do multiculturalismo e progressismo Neo-marxista cujo objetivo é apenas dividir para conquistar e que não é de todo uma corrente democrática mas sim autoritária que se julga moralmente superior para impor a sua agenda sobre as demais seja por que meios for – neste caso através de meias verdades, desinformação e manipulação do discurso oficial. O racismo existe em todo o lado seja de brancos para negros, amarelos para pardos ou até entre negros (sim os negros também são racistas entre as suas diversas etnias). O racismo não é nem nunca foi uma invenção maldosa dos europeus. Os africanos não são nem melhores nem piores do que os europeus (há boa e má gente em todo o lado). A escravatura já existia muito antes da ascenção das grandes nações europeias e continua ainda hoje a existir sendo muito maior em países do oriente médio ou da Ásia por exemplo, do que na Europa.

    O problema é que a larga maioria das pessoas de hoje lê qualquer patetice num Facebook ou Twitter e toma isso como verdade absoluta ou então engole tudo o que lhes enfiam pela goela abaixo nas tvs. O espírito crítico é cada vez mais escasso e a vontade de aprender e de procurar fontes mais fiáveis é praticamente nula. Hoje o que se quer é ter tudo de mão beijada sem esforço nenhum e, por isso, os discursos falasiosos, demagogos e populistas são cada vez mais aceites. É pena!

  7. vou deixar aqui algo, para os Portugueses não ficarem constrangidos, quando um Brasileiro disser que foram independentes a Portugal. Isto que trago são provas de Reinados de Portugal, e o Brasil como Província, só com isto, os brasileiros ficam calados. Nem piam

    Eu 10 DE JILIO DE 1867 do Director do Archivo Publico.-Remette a Bulla, que se transcreve, do Papa Bento XIV de 7 das Kalendas de Maio de 1746, sobre alterações nos limites das Dioceses do Brasil.

    6. Secção. Rio de Janeiro. Ministerio dos Negocios do Imperio em 10 de Julho de 1867.

    Remetto a V.S., para ser guardada no Archivo Publico, a inclusa Bulla do Santissimo Padre Bento XIV, datada de 7 das Kalendas de Maio de 1746, sobre alterações nos limites das Dioceses no Brasil.

    Deus Guarde a V. S.- José Joaquim Formales Torres. Sr. Director do Archivo Publico.

    Balla do Papa Bento XIV, de 25 de Abril de 1816, a que se refere este Aviso, remettida ao Ministerio do Imperio pelo Enviado Extraordinario e Ministro Plenipotenciario do Brasil em Lisboa, com officio se 11 de Junho de 1867.

    D. Luiz por graça de Deus, Rei de Portugal + dos Algarves, elc. Faço saber que, havendo-me requerido João Pereira de Andrada que no real archivo da Torre do Tombo se lhe passasse por certidão o teor da Bulla do Santissimo Padre Bento XIV, -Significavit nobis nuper-do anno da Encarnação de 1746, a 7 das Kalendas de Maio (25 de Abril) sexto do Pontificado do mencionado Santissimo Padre, pela qual foi concedido a El-Rei o Sr. Dom João V, e a seus successores, faculdade para determinar os novos limites das parochias do arcebispado da Bahia, bispados e prelazias da America; e obtendo despacho do Guarda-mór do dito archivo na data do dia 27 do mez de Maio do anno de 1867, em seu cumprimento se buscarão os massos respectivos, e no masso 55 de Bullas, n.° 3, foi achada a dita Bulla, do teor seguinte:

    N. 79.- FAZENDA EM 16 DE FEVEREIRO DE 1867.

    Trata de um resurso relativo ao despacho de duas caixas contendo obras de ouro com coral e pedras falsas, a respeito do quał houve processo de arbitramento, em que forão infringidos varios artigos do Regulamento das Alfandegas.

    Ministerio dos Negocios da Fazenda. – Rio de Janeiro em 16 de Fevereiro de 1867.

    Zacarias de Góes e Vasconcellos, Presidente do Tribunal do Thesouro Nacional, declara ao Sr. Inspector da Thesouraria de Fazenda da Provincia da Babia que o mesmo Tribunal, tendo em vista o recurso interposto por C. Borel & Comp. da decisão da Alfandega da dita Provincia, e remettido com officio n.° 227 do mencionado Sr. Inspector, de 26 de Setembro de 1864, relativo a duas caixas de marca G. & C., contendo obras de ouro com coral e pedras falsas, importadas de Southampton nos vapores Paraná e Magdalena; e Considerando, quanto ao processo de arbitramento: 1.o que não consta delle, e nem de declaração do Inspector da Alfandega, ou informação sobre os fundainentos do recurso, que os peritos do commercio prestassem o juramento exigido no art. 578 do Regulamento das Alfandegas ; 2.. que o arbitramento não foi proferido por um só parecer por todos assignado, mas em pareceres distinctos e separados, e portanto sem aquella discussão e conferencia, que entre os arbitros se faz conveniente ao acerto de seu julgamento, não se guardando assim a determinação do $ 3.o do art. 577 do mesmo Regulamenlo, o qual expressamente exige que reunidos sob a presidencia do Chefe da Repartição, que lhes fará à exposição do facto, dêm os arbitros seu parecer por escripto por todos assignado; 3.o que a designação do 5.0 arbitro escolhido posteriorinente em substituição do 1.”, sc fez desde logo que este deixou de comparecer, quando, além de não constar o motivo do não comparecimento, se não designou outro dia e hora para a escolha do novo 5.o arbitro, contra o disposto na 2.* parte do ‘cilado $ 3.o do dilo art. 577 ; .’, finalmente; que nesse arbitramento interveio um Despachante sem autorisação ou poderes especiaes dos donos ou consignatarios das mercadorias, recusando qualificações, e propondo e aceitando arbitros contra a positiva determinação do art. 544 do Regulamento:

    João Felgar

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