
A propósito do que o Pedro Correia comentou aqui, deixo-vos este momento da construção de Xanadu, o lugar ficcionado de Charles Foster Kane, a figura central do filme de Orson Welles Citizen Kane (com Orson Welles e Agnes Moorehead, de 1941), com a sua mansão acastelada a dominar ao fundo. Xanadu e o nome de Kane têm servido, desde então, para apontar os excessos e as loucuras que sempre rodeiam e fazem parte da vida de algumas celebridades endinheiradas. Foi o caso de Michael Jackson, por exemplo, com o seu Neverland Ranch. Também a propriedade de Bill Gates é conhecida por Xanadu 2.0, com a alusão ao mundo da informática associada à grandeza.

O ‘palácio’ de Hearst, na Califórnia (que, segundo a lenda de Hollywood, Welles parodia no ‘Citizen Kane’), bem justifica uma menção, um dia destes, na tua série sobre Artitectura, compadre.
Registado, compadre.
Tem toda a razão João. Nós por cá também temos a nossa Xanadu que dá pelo nome de Jardim Oriental Buddha Eden…
O Buddha Eden, o Jardim da Paz no Bombarral? Hum,,,
Sim, pela minha parte, considero aquilo de um irreprimivel mau gosto…
Sem dúvida, Ariel, entendo-a perfeitamente. Mas parece que foi feito à laia de resposta pela lamentável destruição dos famosos Budas Gigantes de Bamyan.
Pois, compreendo João, mas de boas intenções…
:)))
Lá isso é verdade.
Diria antes que o seu correspondente em Portugal se chama Palácio da Regaleira.
Não posso concordar. O palácio da Quinta da Regaleira ou Palácio do Monteiro dos Milhões pode ser discutido, mas tem gradiosidade, tem uma época e tem uma combinação intencional (até rigorosa, talvez) de estilos puros que se espalham aos quatro hectares em que se insere a habitação, entre o românico e o gótico, o renascentista e o manuelino.
Tem, sobretudo, uma volumetria que pode dar-se ao luxo de aguentar a arrojada combinação arquitectónica sem retirar uma certa harmonia, pese embora algum excesso. Por outro lado, assume a sua vocação palaciana, o que deita por terra qualquer hipótese de novo-riquismo. Decididamente, goste-se ou não, tem tudo menos a veleidade de parecer o que não é, porque ele é mesmo o que parece: um palácio ostensivo.
Claro que tem grandiosidade. Mas a comparação era entre construções excêntricas que alguns magnatas ergueram para habitar, e em Portugal pareceu-me um bom exemplo (noutra escala temos uma data de chalets e casas de “Brasileiros” torna-viagem).
Eu entendi a ideia, João Pedro, mas repare que V. fala de palácios, de magnatas e de “brasileiros torna-viagem”.
Este do Krane é uma excentricidade palaciana, sem dúvida, mas é de ficção. E o ponto de partida para este apontamento foi o Palácio Ideal francês (“Artitectura”-6), que só é excêntrico, mas não passa de uma casinha ‘naif’ de um homem modesto.
Já o Palácio da Regaleira é efectivamente um palácio e nem sei bem se chega a ser excêntrico: como palácio assumido, tem tudo de palaciano. Não é necessariamente uma excentricidade, a menos que consideremos qualquer palácio verdadeiro uma excentricidade. O que aceito se for visto dessa forma, se é que me faço entender, e sem embargo de uns serem mais sóbrios do que outros.
Um abraço.
João, em ficção tem muito mais graça – a cenografia , para mim, é um elemento importantíssimo na 7ªArte – neste caso – “Os Mal Amados” – como fonte de inspiração, para o Wells , foram – Bentidos ” – digo eu:))
(“realidade e ficção”, nesse contexto, belíssima ideia, João)
Benditos, pois, claro…))
Percebi. E dou-lhe razão, Maria.
:))
‘Tá toda sorridente.
A ‘artitectura’ no cinema também dá pano para mangas, como se nota.
É como vês. Dá mesmo.