Algumas correntes do pensamento filosófico contemporâneo acreditam ser possível não perder nem o Porto-Benfica nem o jantar do Delito. Claro que o ravioli e as vieiras já tinham partido e do crème brulée embrulhadinho em massa filo nem sinal, nem aroma. Pois claro, ubíquo mas não tanto.
Dos ausentes lamentou-se a ausência, desculpada por serem conhecidas as ponderosas razões da vidinha e da distância, esse Adamastor de quem mora muito longe ou está, temporariamente, ainda mais longe. Mas ficou assente e decidido que, para o próximo jantar, a insistência na necessidade de galgar esses quilómetros aumentaria e muito.
Os presentes, bem instalados em mesa ergonómica ali pela Barata Salgueiro, deliciaram-se com a conversa, com os aromatizados carpacci e com as outras iguarias que os seguiram. Debalde se pediu que fosse diminuída a toada musical de fundo bem escusada a sobrevoar a mesa de quem tem tanto para conversar. E de que conversam os membros do Delito quando se reúnem? Pois é, sei muito bem que esta é a grande questão. Melhor é experimentá-lo do que julgá-lo, mas julgue-o quem não poder experimentá-lo, sendo que esta citação camoniana pode já ir levantando o véu a uma nova série a correr brevemente no Delito.
Assombrava, todavia, o repasto a obrigação imposta ante rem de que, pelas onze horas, fossem delituar para outro lado, sem apelo nem agravo. Por qualquer razão ou desígnio que não se descortinou, passaram as onze e as seguintes e ninguém se atreveu a mandar levantar tão bem reunida gente. E, a ter acontecido, podia ter coincidido com um dos momentos fracturantes da noite quando dois delituosos se levantaram para ir fumar, numa varanda exterior, o vigésimo oitavo cigarro. Separava a dita varanda da sala de actos uma porta de vidro que, uma vez fechada, não podia ser aberta do lado de fora. Foram salvos porque o ouvido apurado de uma das delituosas, por sinal a que escreve estas linhas, atendeu às leves pancadas no vidro, perfeitamente confundíveis com as batidas da música, a omnipresente e incansável música.
E partiram, cada um para sua banda, dados os abraços finais. Uns, a braços com um volante caprichoso . Outros constipados, mas livres. De táxi.

Isso, isso, gentinha sem coração. Castigai os relapsos por via destes relatos que não demonstram qualquer compaixão. Hádem ter muitos amigos, como dizia o Coelho. O outro, o que realmente manda nisto.
Começamos é todos a duvidar seriamente da tua existência, Rui… eheheh
Pois, nós os intelectuais de esquerda somos sempre muito sensíveis ao apelo da clandestinidade.
Excelente, Ivone! Foi o teu baptismo nos nossos jantares e gostámos muito de ter-te connosco. Tens razão, o teu bom ouvido salvou-me de falhar redondamente uma incumbência, e salvou o Luís e a Cláudia de uma valente constipação. Mas ninguém nos salvou a todos de uma pneumonia acústica! 🙂
Espero que esta pandemia de pneumonia acústica não tenha reflexos no ritmo e qualidade de publicações neste blogue! A bem do superior interesse da sanidade mental dos seus leitores…
Guer dizer, guase salvou…
bazei o dia ranhoza e a dozir, e dão voi do SG Mendol…Bas valeu a bena, cobo sembre; o deu relado esdá épigo, barabéns, Ivode!
Brondo, agora vou beber bais um
Ohhh, berdão! Bea culpa, bea báxiba culpa…
Bobendo queixinhas: há gue dão esguecer gue a Dereza dambém dão dos abriu a porda, ah ah ahaaaatchiim!
Gongluzão: o dabaco brovoga gonsdibação!
Gonglusão? A gonglusão é gue o dabaco brovoga uma chibação do garaças!
Vui abanhada, vou bassar à clandesdinidade
As belhoras!!! Beijos
Sendidos agradecibendos, adódibo adódibo.
* rrrrrrranhóc *
A Barata Salgueiro também estava lá? Estou mesmo ciumento. A sério.
O próximo jantar é no Porto, João. Afinal de contas, metade do Delito está no Norte. Ou então dividimos o mal pelas aldeias e fazemos em Coimbra (quem vai ficar contente é a Laura).
Qualquer das alternativas me parece bem. Finalmente, algum rasgo???
No Porto é melhor que é para não fugires. E depois, há tantos sítios e com tanta pinta! Sempre quero ver…
Não queria tanto! Mas podemos arranjar um repasto num sítio que muito contribuirá para a cultura geral dos delituosos e que nos merece. Sim, não somos nós que o merecemos, aquele enclave da história portuguesa é que nos merece! Ora, como conheces bem o chef, Ana, acho que as duas arranjávamos um jantar digno do Carlos da Maia, a preços de fora da capital. Não vejo melhor ambiente para a converseta… Com jeito, e se fosse em Outubro, começava-se logo com um aperitivo pelos jardins e pela mata. Fica o anzol……
A Quinta das Lágrimas? Sim, podemos pensar nisso. E sossego para conversar teremos com certeza! 🙂
Alinho. Almoço de sábado, jantar de sábado?
Almoço é melhor. Arranja-se um transporte colectivo a dividir por todos, que é mais barato. Os do norte podem fazer o mesmo e assim encontramo-nos a meio caminho. Pura democracia delituosa!
Este blog é realmente muito democrático, não há duvidas! Beijo
Muito bem, Ivone! O jantar estava óptimo mas a companhia excede qualquer iguaria (rima e é verdade). Gostei muito de te conhecer e de matar saudades dos outros delituosos.
Ivone, estiveste muito bem a fazer a escrita do repasto. E gostei muito de te conhecer.
Gostámos de te conhecer, Ivone. E o Delito só ganhou com a tua entrada. Gostámos também de voltar a ver o José Gomes André entre nós, embora só em horário pós-futebol. Pena não ter estado mais gente, mas a dispersão geográfica dos autores deste blogue não ajuda. Com o nosso ‘açoriano’ João, o nosso portuense JAA, o nosso bracarense RR,o nosso alentejano adoptivo António, o nosso alentejano nativo John, a nossa coimbrinha Laura e a (agora) nossa algarvia Ana Sofia à distância (longe da vista mas perto do coração). Faltas justificadas tiveram também o Luís ML (por estar em São Paulo), o Adolfo (em Roma), a Cláudia K (em Istambul) e o Zé Maria (na China). Perderam um bom jantar. Eu queria ter falado sobre a ‘antologia Delito de Opinião’, mas fica para o próximo repasto, que não deve tardar.
Pedro, se me tornas a chamar coimbrinha entorna-se o caldo. Se conhecesses a gíria local (espero que não conheças, senão o caso piora) saberias que esse é um epíteto que não me serve
As minhas raízes conimbricenses e figueirenses tornam-me insuspeito de animosidades contra quem é natural desses torrões que tão garbosas filhas e valerosos filhos à pátria deu.
(hum… até já estou a escrever como um coimbrinha que eu cá sei)
eheh … com essa ficaste absolvido… (e nota-se que se quisesses tinhas a escola de certa escrita local 😉
Também eu gostei de vos conhecer a todos. E esperemos que, no próximo, estejam os que não puderam estar desta vez.
Lá para Outubro de 2013 havemos de nos conhecer todos, Ivone.
Obrigada por nos fazeres as “ausências”, Ivone. Para o próximo estarei de certeza;)