Vós, benfiquistas


Rui Rocha,

Vós, benfiquistas, que continuais com piadas sobre Jesus para mais em plena quadra natalícia, vós estais a perpetuar a cadeia histórica de repetição das palavras que são a tradução da linguagem da desigualdade e da discriminação. Estais a aderir à tese da lei do mais forte. Dizeis que se trata apenas de liberdade de expressão. Mas a tese deriva de uma mais geral e que se aplica a todas as dimensões da vida. Se achais mesmo que a liberdade de expressão não deve ter limites e que não devemos ceder à autocontenção do discurso, tal não vos é proibido mas define-vos. Vós, benfiquistas, vós sois de direita.

7 comentários em “Vós, benfiquistas”

      1. O texto da senhora vale o que vale. Alastra a alegada “superioridade moral” dos comunistas à esquerda que (ainda) se não afirma comunista. Ou revela um passo na radicalização do Partido dito Socialista. Num caso ou no outro, não sei nem – confesso – me interessa particularmente saber como se sentirá o PC perante esta violação de uma sua patente. Em qualquer caso parece-me ser, no imediato, um ralhete doméstico, de modo que farão eles o favor de se entender.

        Mas não deixa de preocupar que uma figura destacada do Partido dito Socialista o escreva. É que a pretexto de uma presunçosa lição sobre os malefícios de uma conduta liberal, vem – precisamente quando o P(d)S depende para manter o poder de quem não hesitará, chegada a sua hora, de severissimamente limitar e manipular a liberdade de expressão – invocar a igualdade como limite à liberdade.

        Ora poucas coisas a experiência comunista, onde imperou e sobre quem imperou (e impera), já tornou tão claras quanto o insignificante valor da liberdade (de expressão e bem para lá dessa) quando a meta suprema é a igualdade forçada. Concede a autora que só não pode ser dito o que é crime dizer-se. Muito bem, no plano dos princípios e quando está em causa o elementar respeito pelo direito ao bom nome e pela verdade (e esta quando objectivamente apurável). Mas da desconsideração moral de uma liberdade ao que parece “de direita” (que fica de cátedra postulada no texto: já não é, então, coisa de gente mal-educada gozar por exemplo com a condição de deficiente, é coisa de – horror – “gajos de direita”), até à sua criminalização, não parece ir grande distância, neste texto tão preocupado com o supremo bem da igualdade. Basta, fica entendido, chegar o dia em que fique na mão da esquerda a definição do momento em que começa o “crime”.

        Há já muitos anos, terá entre nós Alexandre Herculano alertado para o perigo que a igualdade erigida em valor supremo representava sobre a liberdade. Mas também terá dito que “isto dá vontade de morrer”. Bem vistas as coisas, o desabafo mantém-se actual.

        Costa

  1. Eu, benfiquista, afirmo solenemente que não piadarei mais sobre Jesus, não porque deixe coartar a minha liberdade de expressão, descurando-a, não porque me envergonhe, por ser de direita. Simplesmente, Jesus piada-se por si.

  2. E eu que me fartei de escrever ali em cima, esqueci (e é muito bem feito, sirva-me de lição!) o essencial para o superior interesse da Pátria – suponho que “pátria” já passou a conceito de esquerda, certo? Pode-se usar sem levar sermão da sra. doutora: se os benfiquistas, donde certamente o Benfica, são de direita, em que clubes e adeptos se deposita a esperança do heróico Futebol Progressista Português?

    Bom era que um tal de Rui Santos (é o nome dele, certo?) se apressasse a iluminar as massas. O tema é importantíssimo! Eu sou analfabeto de bola, mas só pode ser…

    Costa

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