Viver devagar. Abrandar o ritmo, saborear cada momento, colocar intenção e atenção em tudo o que fazemos. Parece tão simples, como utópico. Tão próximo, como distante. Talvez seja a realidade de quem vive fora das grandes cidades, tenha um trabalho em part-time, ou tenha uma rede de suporte muito grande e organizada, que lhe permita não ter de ocupar o tempo livre com tarefas domésticas e afins.
Sempre procurei ser consciente em relação a tudo o que faço, respirar lentamente, sentir os cheiros, degustar os aromas e estar em contacto com a natureza, sempre que possível. Procurei instruir-me de forma abrangente, ler muito, ouvir música e escrever sobre o que estava a sentir. No entanto, a sensação de frustração, de correria constante, de pressa em vez de vagar, de pouca ou nenhuma atenção ao pormenor, é avassaladora. Vivemos tempos agitados, mesmo quando somos obrigados a parar a mente teima em preencher os espaços em branco, em estar permanentemente numa busca constante por algo que a ocupe, porque a mente é traiçoeira e quer estar sempre em vantagem.
O Yoga e a meditação ajudam, mas apenas se lhes dermos espaço para fazerem parte do nosso dia-a-dia, interiorizando a prática como uma rotina e não apenas como mais uma tarefa na lista de afazeres. Cada pessoa tem a sua forma de relaxar, tirar prazer da vida, mas é muito comum não darmos prioridade aos momentos prazenteiros, com a desculpa de que é só mais um esforço e depois já vamos ter todo o tempo do mundo para nos dedicarmos ao que realmente gostamos de fazer.
Querer estar mais presente, ter um espaço limpo, organizado e minimalista dá imenso trabalho, pelo que o ideal é traçar esses objectivos e ir com calma no caminho para os atingir. Ir fazendo tudo aos poucos, pequenas tarefas de cada vez, sem pressa de chegar, caminhando passo a passo, com a lentidão própria de quem quer sentir que a vida flui com calma e ligeireza. É com foco no momento que se vai vivendo devagar, que se vai tirando prazer das pequenas coisas e enriquecendo uma vida singular.

Excelente visão! Pena ser tão exigente de conseguir.
Bons conselhos.
Palavra que, se eu – e a grande maioria das mulheres – fizesse o que Joana nave diz fazer no segundo parágrafo, não me queixaria de falta de tempo. Preparar o ambiente dos outros (e nosso) exige tempo em continuidade e, havendo uma profissão que gasta grande parte das horas produtivas, dá conta das pretensas horas com a natureza, da música, da leitura, e até do recolhimento que talvez o yoga propicie a alguns. Mas esse mundo não é o mundo habitado pela maioria das mulheres, é tão só o diverso mundo de algumas. Nas quais a mudança de atitude é suficiente. Que às outras falta a condição necessária.
ter um espaço limpo
O meu mestre de karate na Pensilvânia ensinou-me que “um chão limpo é uma mente limpa”. (O que não é de estranhar, os karatecas praticam descalços…)
São bons conselhos, Joana. Vale a pena tentar, embora para muitos seja quase conseguir a quadratura do círculo. A verdade é que vendemos cada vez mais barato o nosso tempo. Com a “ajuda” da tecnologia muitos de nós passámos a trabalhar em sessões contínuas. Não está fácil…