Foto: Nelson Garrido
Faz falta mais clareza de opiniões na nossa vida cívica, nos nossos meios culturais e nos nossos debates políticos. Pensei nisto ao fim da tarde de hoje, no auditório da Biblioteca Nacional, enquanto assistia ao lançamento do mais recente livro de Manuel Alegre, intitulado Uma Outra Memória. Um livro com notória carga confessional, em que o autor de Senhora das Tempestades percorre na sua prosa límpida diversos episódios da sua biografia pessoal, da sua vida literária e da sua intervenção política. Com saborosos e expressivos retratos de figuras tão diversas como Sophia de Mello Breyner, Amália Rodrigues, Humberto Delgado, Pedro Homem de Melo, Mário Soares, Álvaro Cunhal, Fernando Assis Pacheco, Eugénio de Andrade, José Afonso e Herberto Helder, entre vários outros.
Numa breve intervenção, após detalhada apresentação da obra por José Manuel dos Santos, Alegre fez um vibrante apelo à generalização do “estudo da História” – vital, como sublinhou, neste tempo de dispersão colectiva à mercê dos impulsos momentâneos das redes sociais, tão fugazes como ondas que se dissipam na superfície das praias.
“Há hoje uma grande crise de memória. Vivemos todos apenas na espuma dos dias”, declarou o poeta, reclamando contra os “inaceitáveis preconceitos” que nos levam a ocultar factos estruturantes do nosso percurso como antiga nação de corpo inteiro: “Ninguém fala de Aljubarrota para não chatear os espanhóis.”
Quantas pessoas se expressam em Portugal com tanta clareza nos dias que vão correndo?
Felizmente Manuel Alegre, em vésperas de festejar 80 primaveras, foge à regra e insiste em falar sem comer vogais nem mutilar consoantes ou ocultar ideias. Que nunca a voz lhe doa.

![749503[1].jpg 749503[1].jpg](http://3.fotos.web.sapo.io/i/B8009df2a/19428539_i97JB.jpeg)
Precisamente, caro Pedro Correia!! E incluiria, aí, a história universal, da era clássica à contemporânea. É, aliás, essencial quando observamos movimentos quase consensuais de negação do Estado Nação, animados pela cupidez ou embriagados pela auto indulgencia!! A história faz falta, para que se não repita a farsa do que já foi tragédia!!
Ainda ontem, no jornal da uma da RTP, creio eu, numa peça acerca de Fafe terra justa e direitos de asilo, concluía a jornalista, a propósito de um certo juízo de justiça que escapou à história universal vai para 4 mil anos, que “as fronteiras que dividem também podem, e devem, ser destruídas”!!
Sem dúvida, a história faz falta!!
Faz muita falta. Como base da cultura geral que tanto por cá escasseia. Mas o que esperar quando vemos um ministro da Cultura confundir “bolsar” com “bolçar”?
Uma autentica patarrona de força na língua escrita. E não fosse por outra razão, essa era já suficiente para o despachar!! Foge-lhe sempre a mão prá bolsa, talvez?
A propósito. Não sei quem aludiu, a título de comparação redentora, às pelejas queirosianas, que precedem o Eça mas que este elevou a uma categoria própria, dentro da tradição literária europeia e que os britânicos elevaram à categoria de arte. Dizia, Eça, nos pés do Ministro, se bolçasse tal coisa lançar-se-ia mar adentro!!
Abençoado Eça, que nunca perde actualidade. O que demonstra até que ponto Portugal continua a ser como ele nos definiu de forma lapidar nas páginas d’ Os Maias: «O País está todo entre a Arcada e São Bento.»
Coitado do visconde do barreiro
Conhecer melhor a história, seja qual for a área de saber, é muito importante. Ms não basta conhecê-la, é necessário extrair dela ilações e lições. Por isso, é quase certo que manuel alegre irá ficar na história por duas razões:
– pela sua escrita;
– pelo seu oportunismo.
Pela escrita fica, seguramente. É o poeta português vivo mais cantado e cujos versos mais compatriotas sabem de cor. E autor de livros memoráveis. ‘Senhora das Tempestades’ é um deles, seguramente.
Conheço e admiro Manuel Alegre. Não subscrevo, portanto, a sua segunda observação.
Especialmente, mas sem desmerecer outras vozes (O Mário Viegas interpreta como ninguém), caro Pedro Correia, na voz da Bethania.(apesar de na voz da Bethania qualquer coisa soar bem)
De acordo, meu caro: na voz da Bethânia até o tiroliroliro ficaria bem.