Vivemos assim em trincheiras


João Sousa,

“Killing Eve (segundas-feiras no amc) é uma boa série britânica no meio do lixo que nos vai inundando, porque tem as medidas certas de humor, suspense e escrita escorreita. (…) Andei a ler umas coisas sobre a série e descobri que na quarta temporada, por via de um menor peso dado à personagem interpretada por Sandra Oh, o povo quase pegou em armas. Resta dizer que Sandra Oh é de origem asiática e terá havido então acusações de racismo à mistura. Vivemos assim em trincheiras, à procura de tudo o que possa configurar desrespeito por uma qualquer identidade. Estamos feitos…”

 

Fernando Proença, Jornal do Algarve (11/7/2021)

18 comentários em “Vivemos assim em trincheiras”

  1. A propósito, o filme A rapariga dinamarquesa, nomeado para vários Óscares, gerou polémica por o papel principal, um personagem trangénero, não ter sido interpretada por um … actor trangénero. O próprio actor Eddie Redmayne veio pedir desculpas por ter aceitado o papel. O mundo ao contrário. 🙃
    Isto não é inocente, porque há gente sem qualquer préstimo que faz da indignação o seu modo de vida. E parece funcionar.

    1. Acredito. Quando Viggo Mortensen realizou recentemente um filme onde o personagem principal, um homossexual, era interpretado por ele próprio, houve quem o criticasse por não ser alguém homossexual a interpretar esse papel: parece que este tipo de personagens só deve ser permitido a actores que façam parte dessas minorias demográficas. Mas quem o exige já não se mostra tão preocupado quando é o inverso: por exemplo, Neil Patrick Harris ou Luke Evans a representarem heterossexuais.

      1. Referiram aqui o Robinho dos Bosques do Kevin. Tinha um árabe. Negro. Mal sabia ele ser um percursor das quotas.
        O whitewashing já, era, venha o gaywashing.
        Alguém se indignou pela etnia da voz portuguesa da Mulan?

        1. Anonimus, não me torture com o Robin do Kevin. Eu ainda tenho ataques de stress pós-traumático só de ouvir uns acordes da cançoneta do Adams, tal o ror de vezes que a ouvi nas televisões, rádios e festas populares do Seixal.

          1. Não, o tema principal do filme era mesmo do Bryan (a banda sonora era de outro compositor). Aquela cançãozita dá-me o mesmo tipo de arrepios que a da Celine Dion.

  2. O clássico western “os sete magníficos” teve uma nova versão há poucos anos, em que no grupo dos sete só lá falta um pigmeu e um canhoto albino para ter ser mesmo mesmo correcto.

    1. Tivemos as caçadoras de fantasmas, as 11 oceanas, agora há uma wiona earp.
      Exijo sexo e a cidade, com 4 tipos que passam a vida a beber, conversar sobre gajas e pinar com tudo quanto é saia.

      1. Eu já vi as “caçadoras de fantasmas”. Não é um filme tão mau como receei pelo que fui lendo. O filme falha em várias áreas, que fique claro, em especial por em ocasiões parecer um filme para adolescentes. Mas naquela fase neo-girl-power há muito piores: as “oito oceanas”, por exemplo, ou o remake dos Anjos de Charlie.

        1. O que me faz confusão neste tipo de girl power é o facto de tenderem a retratar as mulheres com características tendencialmente masculinas. Serem óptimas em actividades físicas, desferirem murros e pontapés certeiros. Não digo que as mulheres não sejam capazes de fazer isso. Com treino e muita dedicação conseguem ultrapassar o homem mediano. No entanto, na minha opinião, essa não é a sua maior força. 💪

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