Vislumbre do mundo novo


Luís Naves,

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O mundo do futuro pertencerá às máquinas e estaremos agora a assistir aos primeiros vislumbres de uma tendência que ameaça mudar não apenas a civilização, mas a própria humanidade. Recentemente, impressionou-me um artigo sobre uma máquina que imitava os gestos de um chef de cozinha (só não conseguia lavar sozinho as mãos), mas também se encontram na imprensa de divulgação artigos sobre carros e comboios automáticos, aviões de guerra não tripulados que atingem os inimigos limitando baixas colaterais, algoritmos que permitem escrever notícias, traduzir textos ou fazer complexas transacções financeiras.

Segundo explicam alguns autores, nenhuma actividade que envolva ecrãs de computador poderá escapar à ascensão das máquinas, que parece inevitável nos próximos 30 anos. As tarefas rotineiras serão executadas por robôs incansáveis e baratos, mas não é difícil imaginar que nos hospitais ou escolas de província possa haver modelos mecânicos um pouco mais caros baseados em cirurgiões e professores de competência mundial, capazes de diagnósticos precisos e ensino sofisticado. Os transportes, a limpeza, a vigilância, as finanças e a indústria podem ser mecanizados, talvez também a hotelaria, a administração, a educação e a saúde. As implicações para o emprego serão devastadoras e teremos proporções quase inimagináveis de gente sem trabalho.

Aparentemente, restam-nos as artes e a política, mas até nesses campos a supremacia biológica será duvidosa. Dizem que, por causa da tecnologia, a capacidade de atenção das pessoas continua a diminuir. Em breve, poderemos retirar do trabalho e da economia todo o erro humano, enfim, o nosso lado irracional e contraditório, a nossa incompetência e fadiga, a falha da memória e a distracção, a intuição errada e as imprecisões do movimento. No final, será impossível evitar a tentação de colocar um bocado de máquina no nosso próprio corpo, permitindo melhorar certas características naturais, a começar pela longevidade, sempre insuficiente.

0 comentários em “Vislumbre do mundo novo”

  1. As crianças também podem acreditar que um Homem de Lata fala, como no Feiticeiro de Oz.

    Conforme
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Intelig%C3%AAncia_artificial

    Impossibilidade de Simulação Qualitativa

    (…) Por exemplo, a noção de infinito é impossível ser tida por uma máquina finita (computador ou neurónios se produzirem apenas um número finito de resultados num número finito de tempo). (…) Por isso, o infinito e outras noções abstractas têm que ser pré-adquiridas numa máquina finita, não são aí programáveis.

    Ou seja, a inteligência artificial é impossível.
    Mecanizações nada têm a ver com a inteligência infinita que os humanos detêm.
    Ponto final.

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