Vida moderna


cronicasnofeminino,

Nesta onda do politicamente correcto, da vidinha saudável, casta, contida e longe de qualquer vício, nem a arte escapa. Desta vez a vítima foi Monsieur Hulot. Numa retrospectiva de Jacques Tati, a Cinemateca Francesa não pôde incluir o cachimbo de Monsieur Hulot, uma vez que a lei gaulesa não o permite. Resta saber o que virá a seguir. As mulheres de Rubens deverão ser sujeitas a uma lipoaspiração, às imagens de Botero impõe-se uma banda gástrica, às mulheres de Modigliani não faltarão rinoplastias e “A Criação do Mundo” de Courbet deverá ser submetida a uma depilação urgente. Não há paciência.

 

 

58 comentários em “Vida moderna”

  1. É uma ditadura como outra qualquer! Além do mais irritante porque reveladora de um paternalismo sem fim!

    Gostei do modo como ilustrou a crítica!

    : ))

  2. Mais ridiculo ainda, Leonor: puseram um catavento amarelo no lugar do cachimbo do pobre Hulot. A brigada do politicamente correcto começou com o cigarro do Lucky Luke e só vai parar quando conseguir pôr o Sherlock Holmes tomar chá de limão em vez de cocaína!

  3. E qualquer dia começam a proibir também histórias como ‘O Capuchinho Vermelho? e etc, para não «estigmatizar» os lobos, e a ‘Branca de Neve’, por dar mau nome às maçãs.

          1. Os exemplos não acabam 😉 “Os Comedores de Batatas” do Van Gogh também não teriam grande futuro com uma alimentação tão desequilibrada. Onde já se viu só comerem hidratos de carbono?

          2. Não se pode dizer anões e não se pode dizer autista e não se pode dizer cego e não se pode dizer mudo e não se ode dizer surdo e não se pode dizer coxo e não se pode não se pode não se pode não se pode…

          3. Ou seja tem de se dizer (seguindo a sua ordem)
            1) Indivíduo cuja estatura é inferior à dos homens em geral.
            2) pessoa com um estado mental caracterizado pela tendência a alhear-se do mundo exterior e ensimesmar-se.
            3) pessoa que não vê também designada como invisual
            4) pessoa que está sempre calada
            5) pessoa que não ouve
            6) pessoa a quem falta um membro inferior

            Faltou-lhe o maneta. Pode-se dizer maneta?

            : )))

          4. Maneta também não, Maria do Sol. Em relação ao que propõe, devo dizer que tenho as maiores dúvidas quanto à pertinência da expressão “indivíduo a quem falta um membro inferior”.

  4. Cara Leonor:

    O seu post foi o estímulo para esta deliciosa troca de comentários em que me intrometi. De repente dei comigo a pensar que fazia aqui no meio da vossa equipa!

    grazie a tutti quanti!

    :))

      1. Fica provado, com este nosso delírio colectivo, que a imaginação humana pode ser um pau de dois bicos. Se, em vez de brincar, pertencêssemos à brigada do politicamente correcto e tivéssemos poder para fazer alterações em todos estes clássicos, já imaginaram como seríamos perigosos?? 🙂

        1. Ora aqui está muito siso concentrado! rsrs

          É assim mesmo! Até porque posso sempre ter uma verruga na ponta do nariz, uma corcunda proeminente, cabelo crespo empertigado, uma vesguice aguda que embaraça qualquer mortal, ser belfa, usar a unha do dedo mindinho mais comprida do que as outras , dizer então é assim: prontos João Carvalho , hades ir longe a cativar leitores derivado a estas posições. eheheheeh

          A bem dizer estou demasiado cansada para dar uma resposta mais original. O seu comentário merecia-o mas, é a vida!!

          : ))))

      2. Oh Leonor: é o que já uma vez disse: Apesar do Delito ser uma grande superfície o “cliente” (ai que me vão chamar nomes) é supr bem atendido! É um gosto vir por aqui
        Gracias!

        🙂

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