No passado dia 13 de Abril a RTP pediu ao anterior Governo a suspensão das emissões da RDP Internacional em Onda Curta. A ANACOM achou que tudo bem, o ministro Lacão também. Ninguém explicou exactamente até quando decorreria a dita suspensão, e os ouvintes apenas foram informados que poderiam aceder às habituais emissões de rádio através da internet, do cabo ou satélite. Mário Figueiredo – o actual Provedor do Ouvinte – manifestou-se veementemente contra esta decisão desde o seu início; a Comissão de Trabalhadores da RTP lembrou há pouco que foram investidos seis milhões de euros na Onda Curta, um instrumento do serviço público que alcança o que nenhum outro meio de comunicação consegue. Basta ouvir esta emissão para perceber que está em causa o vínculo de embarcadiços, de motoristas de longo curso, de concidadãos de mais que uma geração que vivem provisória ou definitivamente em pontos distantes do globo, de associações de estudantes estrangeiros que querem aprender a nossa língua, saber do nosso país, e que outros recursos para além deste não são alternativa viável para a sua substituição.
A radiodifusão em onda curta é um serviço patriótico de primeira importância. Nem toda a gente pode aceder à internet, ao cabo, ao satélite. Repito: basta ouvir esta emissão. Espero que esta suspensão seja suspensa depressa.
Actualização: Está em curso uma Petição Pública em favor da manutenção da emissão da RDPI em Onda Curta. Se concorda, assine aqui.


Cláudia, gostei tanto de te conhecer! E a acta daquela noite quente, ventosa e tão curta? Vá lá…
Sai já amanhã (quero dizer, hoje)!
Boa! Já começava a pensar que o problema era dos convivas….
É moda. Fizeram o mesmo ao BBC World Service. E não notam que a parte de “service” é o essencial nisto.
Como dizia um dos queixosos na Antena 1, João, é até uma imprevidência acabar com este tipo de emissão quando já se provou que, em caso de catástrofe, a onda curta é extremamente fiável; não por acaso, no Brasil está protegida por decreto federal.
Cada vez mais gosto dos brasileiros…
Chama-se a isto falta de visão estratégica. Se Portugal tem um verdadeiro interesse no espaço lusófono ( e em particular em África) devia manter a onda curta.
A internet, o satélite e cabo ainda não chegam às tabancas do interior da Guiné… E eu sou insuspeita até porque trabalho para a concorrência (que emite em português e em onda curta, apesar de ser uma uma rádio pública alemã ).
E você acha que a onda curta da RDP chega às tabancas do interior da Guiné? Eu tenho bastantes dúvidas.
Quando eu vivia na Alemanha captava as emissões de onda curta da RDP com imensa dificuldade e muitas interferências. Passava longos minutos a tentar sintonizar o rádio para ouvir uma emissão em condições geralmente pobres. E ao fim de poucos meses desisti – passei a ouvir onda curta de todos os países menos de Portugal.
Olhe que chega, Luís (tenho família lá; é uma questão de ter um receptor adequado).
Nem mais, nem menos, Helena. Nem aí, nem ao interior do Acre, do Colorado, do Malawi. Qualquer pessoa com família ou experiência de vida num lugar mais recôndito do globo sabe quão falível é toda esta nova tecnologia…quando a há. Onde quer que esteja, bom trabalho!
Eu admira-me que haja tanta gente que goste tanto da onda curta portuguesa, pela seguinte razão. Quando vivi na Alemanha comprei de propósito um rádio com ondas curtas para poder captar as notícias de Portugal. Mas rapidamente concluí que as emissões eram muito difíceis de captar, a qualidade do som muito fraca, as interferências imensas. Acabei a usar o meu rádio muito mais para ouvir emissões em ondas curtas de outros países que não Portugal. (incluindo uma vez em que ouvi, com excelente qualidade, uma canção da Amália transmitida pela rádio… jordana!)
Eu digo, se as emissões portuguesas em onda curta forem atualmente da mesma qualidade que eram há vinte anos atrás, quando vivi na Alemanha, não se perde muito em que tenham sido extintas.
Luís, como refiro no post, houve um grande investimento (seis milhões de euros, é seguir o link…) na melhoria da emissão em onda curta entre 2003 e 2006, portanto presumo que a situação não seja a mesma de há décadas.
Estou nessa, Ana Cláudia. Tens toda a razão.
Ainda hoje devo alguma coisa do que aprendi às noites passadas na onda curta. Não apenas na da RDP, mas também da BBC, da France Inter, da Deutsch Welle ou até de Rádio Tirana, ainda no tempo dos camaradas que zurziam no PCUS.
Tenho pena de já não ser do tempo dos verdadeiros entusiastas da rádio, Sérgio. Cheguei a ela tarde. Só para teres uma ideia da minha iliteracia radiofónica, certa vez ouvi um escritor descrever uma estadia prolongada num hospital de província onde os relatos de futebol passavam ao domingo em onda média; enquanto ele os descrevia imitava aquele ruído de fundo característico desse tipo de emissão, e eu tive de pedir explicação para aquela ‘banda sonora’ a um amigo mais velho, um dos que o ouvia e sorria, meio nostálgico.