Frei Anacleto Louçã, o conhecido comunista que pessoas que julgam que não são julgam que não é, explica aqui, indignado, a moscambilha das pensões. A mim convenceu-me: trata-se de uma revoltante vigarice na qual uma muito real redução do valor real das pensões, resultante de actualizações que ficam muito aquém da desvalorização operada pela inflação, é apresentada como um benefício. O artifício de fazer em Outubro próximo um adiantamento é coisa das Arábias: operar o acerto em conjunto com o aumento futuro de modo a que a base de cálculo para 2024 seja não o que seria normal em 2023 mas uma pensão inferior (a que resulta do abatimento do adiantamento).
Isto, à falta de melhor, pode ser descrito como marketing político: o eleitor fica grato pelo bodo inesperado em Outubro próximo, e na altura do acerto a nova pensão é de todo o modo nominalmente maior do que a actual, ainda que não cubra a inflação – é sempre a subir, que bom.
Os economistas de todas as declinações, com excepção dos avençados do PS, vão-se esganiçar a demonstrar que, sem adiantamento nenhum e aplicando a lei em vigor, as pensões resultariam maiores.
Sucede que há muito se sabe que há cada vez mais pensionistas para cada vez menos trabalhadores no activo, e portanto o valor real das pensões só pode diminuir, ou então o Estado ser chamado a tapar o buraco. O mesmo Estado que, demonstradamente incapaz de se reformar, só o pode fazer aumentando a dívida.
Da dívida, porém, o que não se sabe é até quando o BCE segura as pontas, e este já vai dando sinais que o whatever it takes de Draghi já viu melhores dias.
Resta portanto apenas uma dúvida: quando o pensionista constatar que, apesar dos aumentos, vive pior, vai achar que foi enganado ou que são os donos dos supermercados, as gasolineiras, os chineses da EDP, os patrões e tutti quanti, que se estão a encher?
De outro modo: vai chamar gatuno a Costa, como alegremente fazia com Passos Coelho, que tinha a suprema lata de chamar cortes aos cortes, ou engolir a cana, o anzol e o isco costianos?
Não sei. Tenho pelo nosso Primeiro o mesmo desprezo que guardo para trafulhas de todas as declinações, mas também a involuntária admiração que se guarda para os Victor Lustig eleitorais.

Afinal o que ‘explica aqui’ é o Francisco Louçã, que tivesse fato escuro e como está sem gravata até parecia fardado à `Iniciativa Liberal.
Eu também acho que os pensionistas vão ser fintados, são sempre fintados: não recebendo o que teriam direito ou pura e simplesmente como anteriormente foram roubados.
Mas desta vez durmo descansado, ainda ninguém disse, talvez por em Lisboa haver bodo, com este despesismo vamos caminhar para a banca rota.
Na bancarrota já nós estamos só não o percebeu ainda porque ao contrário do que aconteceu em 2008, desta vez o BCE tem feito de tudo para que isso não seja perceptível. Portugal com este “Victor Lustig” do largo do rato, não aproveitou um enquadramento excelente até ao início de 2020 para reduzir a dívida e pior ainda, nada muda por pior que se esteja porque o homem só tem engenho e arte para fazer propaganda e vender banha da cobra mas é um zero à esquerda na gestão pública, um populista medroso e incapaz de afrontar lobbies e que tudo fará para que o tacho não lhe fuja. Este “Victor Lustig” que dá pelo nome de Costa é o pior pm que poderíamos ter tido nestes anos todos e que deixará um legado de miséria a começar pela destruição do SNS, passando pela adopção generalizada da política de deseresponsabilidade e acabando no país do rendimento médio cada vez mais próximo do salário mínimo. Ainda hoje acho inacreditável como é que o nosso país caiu no conto do vigário deste sujeito e lhe deu uma maioria absoluta depois do péssimo governo que apresentou nos tempos da geringonça… Enfim, agora aguentem e não chorem!
A engenharia está bem mais elaborada que a de Victor Lustig. A despesa pública está bastante ligada à dívida pública, e esta última é indexada ao PIB que é o indicativo ou mecanismo que permite aferir se a dívida sobe ou desce em percentagem deste mesmo PIB.
Como as previsões apontam que o PIB em 2022 será bastante melhor que a média da zona euro e da UE, a antecipação do pagamento das pensões e o consequente acerto nos anos seguintes permitirá uma visão dos números da dívida favoráveis à acção do governo a partir de agora e até 2024. Assim, a dívida subirá nominalmente e descerá em percentagem do PIB, pois o que agora se paga será deduzido no futuro.
Parece-me que alguém anda a comer o trigo dos pobrezinhos. Vejamos: a dita UE, os USA e a ONU propagavam que a Rússia impedia a saída dos grãos da Ucrânia para matar a fome no mundo e em particular aos esfomeados africanos. Dos 36 navios saídos dos portos com grãos ucranianos 34 foram para a UE e 2 chegaram a África (o equivalente a 1 mês para “sustentar” as pessoas). Significa isto que 380 milhões de pessoas vivem com carências de grãos para sustento seu e de seus filhos.
Estou expectante que Putin inicie a limitação da saída de trigo ucraniano, para que evite que este alimento seja a contrapartida para as despesas de armamento que os USA, UK e UE criminosamente enviam para a Ucrânia.
Nota última: Enquanto a inflação dispara a ocidente juntamente com a pobreza, verifica-se, comparativamente, o “downward” da inflação na Rússia. Bom trabalho Biden, conseguiste uma vitória de Pirro ao subjugar a UE a teus caprichos e a conduzires à pobreza que ainda aumentará!
Entretanto a inflação e os preços dos produtos e da energia dispararão ainda mais em virtude da desvalorização do euro face ao dólar. E os russos acabam de celebrar o acordo com a China na venda de energia com pagamentos em yuan e rublo. Adeus hegemonia do dólar!
A inflação é o truque para reduzir a Dívida Politica(não uso Dívida Publica) ás custas dos que têm poupanças em dinheiro e dos que trabalham, só é preciso cuidado para o aumento dos juros ter um atraso significativo para o truque funcionar…por isso é que o BCE não aumenta os juros para valores próximos da inflação, deitaria o truque abaixo.
Básicamentea Europa e boa parte do Ocidente são novamente a Republica das Bananas dos anos 60-70. Deitaram ao lixo o bom que o Neoliberalismo da Thatcher e Reagan trouxeram ás classes trabalhadoras.
“De outro modo: vai chamar gatuno a Costa, como alegremente fazia com Passos Coelho, que tinha a suprema lata de chamar cortes aos cortes, ou engolir a cana, o anzol e o isco costianos?”
Qual Passos Coelho? aquele que fex uma campanha a dizer que resolvia os problemas de Portugal com 1700 m€ de cortes e sem cortar o 13º mês, e depois foi o que se viu?
Costa ser um aldrabão não torna Passos menos aldrabão.