Raramente ganhei alguma coisa em concursos ou sorteios. Aos 13 anos tudo o que tinha ganhado foi um sumol num arraial, numa corrida de cavalos de pau ou coisa que o valha. Até aos 13 anos diria que foi tudo. Em 1990 amava Mick Jagger, os Stones e David Bowie. Isto tem explicação: tinha sido enganada pela Brosmania no ano anterior, e talvez pela longevidade tivesse optado por nomes com mais da minha idade no meio. Assim garantia que não acabavam em meses, e tinham obra consagrada. Além disso, eram as influências de mamãe e um primo (também ele antes influenciado) a tomar o devido lugar. Nessa altura David Bowie vinha cá com a sua Sound and Vision tour, eu tinha uma Super Som a oferecer bilhetes ali à mão, e as respostas às perguntas na ponta da língua. Concorri e ganhei! Dei saltos, juro. No dia do concerto – ainda me lembro da sweat Ton Sur Ton de riscas que levei – os meus pais levaram-me a Alvalade, sentei-me na bancada perto de uma família, e vi dali o concerto. Adorei tudo, claro está. A saída, tão crescida, sozinha num concerto a sério – a propósito disto uma tola das amigas da altura dizia “ahahah vais ser uma drogada, a Christiane F também foi sozinha ver o David Bowie aos 13 anos!”, todas tínhamos lido o livro nesse ano (ela tinha visto o filme). Sobrevivi sóbria, posso garantir. No palco, sem surpresas, Bowie era enorme na sua puffy shirt e poupa loira. Não foi o concerto mais concorrido a que assisti, mas nunca me esqueci dele. É o que importa.
Vi Bowie em 1990
cosenosapo,

Eu sou mais nova, em 1990 tinha quatro anos, mas curiosamente foi graças à Christiana F. e por ter lido o livo, que aos 11 descobri Bowie!
Que giro, as mesmas referências. Obrigada pelo comentário. 🙂
E eu sou muito mais velha, li a Christiane F em 1983, quando saiu o Let’s Dance, tinha eu 13 anos, e também foi a dupla e coincidente descoberta… E em 1990 também estava lá, mesmo à frente dele, e só me lembro disso 😉