É a servidão total.
Não, já não falo da escravidão tácita, aquela que caracteriza os consumidores do séc. XXI e os leva às abdicações mais absurdas de liberdade.
Falo de pura servidão humana, com direito a todos os matadores: correntes, cárcere, fome, espancamento, doença.
Passa-se aqui e agora, em plena Beira Baixa, com compatriotas nossos.
Passa-se 37 anos depois do 25 de Abril.
Passa-se quando o país discutia, ainda há dois dias, se vale a pena a 3ª ponte sobre o Tejo, o novo aeroporto, o TGV.
E discutia a eficácia do rendimento social de inserção (para onde foi ele?)
Haverá sempre cara e coroa no mundo em que vivemos.
Mas isto ultrapassa tudo quanto é admissível num país da UE.
Como é possivel termos chegado a tanto, debaixo do nosso nariz?


Se alguém tinha dúvidas sobre o facto de ainda não sermos um país desenvolvido aqui está o esclarecimento.
É triste, revoltante e devia cobrir de vergonha todos e cada um de nós.
É mesmo para nos cobrir de vergonha, preocupação e muita, muita apreensão com o futuro. Que estado social tem sido este, num país que nem tão pouco pertence à América do Sul, à Ásia emergente, mas sim à velha e pergaminhada Europa? Temos aqui um vislumbre de resposta.
É uma grande vergonha para nós, portugueses. Mas convem não esquecer os espanhóis que os contratam e que benefeciavam do trabalho dos escravos. Para esses a vergonha é muito maior. Estes casos com portugueses indigentes arregimentados pelos ciganos, não são unicos em Espanha. Por todo o lado onde é necessaria mão de obra intensiva na agricultura há casos destes. Muita gente sabe, mas assobia para o lado. Veja-se por exemplo a atitude da Guardia Civil de Valladolid quando o fugitivo se foi queixar. Eles sabem o que se passa e não actuam. Os media espanhóis quando passam na Tv programas a exaltar a Espanha como grande potencia europeia, e nos mostram a nós a andar de burro, deviam era mostrar estes casos de “progresso social”.
P.S. As televisões em Portugal pouco falam destes casos. Porque será? Porque envolve ciganos?
Junto-me ao teu veemente protesto, Laura. Como foi possível, sem ninguém dar por isso??? Ou será o preço da interioridade, depois de tantas e tão luxuosas auto-estradas?
Pois é, Ana: são pessoas reais, certo? As que emergem da peça jornalística. De carne e osso e a viver a meia dúzia de quilómetros. Não gosto de fundamentalismos histéricos, mas como é que isto não convoca as ‘breaking news’ nos telejornais, como é que não preenche as chusmas de programas de debate intelectualóide, neste país de futebóis, Casas Pias e Apitos Dourados? Tudo importante, mas……
A mim apetece-me dar os parabéns ao José Bento Amaro e a um jornalismo que ainda tem sobreviventes. Tomara que esta reportagem tenha caído debaixo dos olhos dos “quem de direito”…
absolutamente justo: uma belíssima reportagem, do melhor que tenho lido ultimamente.
Não é um só país da UE, são dois. E dezenas e dezenas de pessoas interessadas no assunto: pais, mães e outros familiares, contentes por se verem livres dos seus fardos, e “empresários” com todo o interesse no esquema. E aposto que se fizer uma pesquisa no google em várias línguas me aparecem histórias destas por todo o lado. Infelizmente.