O post da Teresa Ribeiro aqui mais abaixo sugeriu-me voltar a lembrar uma coisa sobre a qual já escrevi algures em tempos e que vem muito a propósito da entrevista de Abel Mateus, antigo presidente da Autoridade da Concorrência, ao Público. Trata-se de recuar à eleição intercalar para a Câmara Municipal de Lisboa. Durante a campanha, recordo-me de ter acompanhado um debate na televisão com todos os candidatos (não sei se na RTP, mas tenho quase a certeza de ter decorrido na biblioteca da Câmara).
Quando esse debate tocou no tema do aeroporto de Lisboa, um dos candidatos (não me lembro qual) puxou de umas folhas a cores que as câmaras focaram e que ele disse ter acabado de imprimir do site da ANA na Internet. Explicou ele então o que mostrava: nessas folhas estavam os slots (em linguagem de leigo, é a capacidade não-ocupada para aterragem, estacionamento na placa e levantamento de voos) do actual aeroporto. Isto é: demonstrava-se ali que o aeroporto tinha capacidade para crescer em movimento e, mais ainda, até ao ano não-sei-quantos, de acordo com as previsões à época.
Sabemos hoje que essas previsões estão completamente alteradas pela conjuntura internacional. Mas aquilo a quero chegar é o seguinte: as tais páginas do site da ANA, mostradas e comentadas publicamente naquele debate, tinham sido retiradas no dia seguinte!
Nunca mais me esqueci disso. Se havia alguma coisa a esconder, ela foi escondida. E só o teria sido por contrariar a argumentação governamental e desaconselhar qualquer pressa em avançar para um novo aeroporto. Tudo indica que Abel Mateus e o estudo que ele refere têm acrescidas razões sobre a manutenção do actual aeroporto e sobre as suas reservas em relação ao novo.
