
qual São Tomé, foi o que pensei ao ouvir relato do Presidente Sousa em São Tomé. Pois logo após o empossamento presidencial de Carlos Vila Nova o nosso presidente cruzou a rua, despiu-se e foi ao banho. Totalmente insensível à dimensão simbólica do ritual político, que sedimenta legitimidades. Apoucando-o mas em terra estrangeira, e nunca em terra própria, pois não há notícia que tenha teatralizado – em molde de inversão ritual, essa sim de imenso significado político quando ocorre – a sequência das suas cerimónias de empossamento ou as dos governos que nomeou, ou na sequência dos seus discursos cíclicos (ou seja, rituais pois de incidência simbólica e política) aos tribunais e às forças armadas.
E fá-lo apenas se essa terra estrangeira for uma antiga colónia africana portuguesa, onde decerto estas “diabruras” são recebidas com a complacência de quem vai mais ou menos acompanhando as idiossincrasias do presidente português. Os portugueses, na maioria eleitores do presidente Sousa e distraídos face aos seus parceiros africanos da CPLP, acham piada a estas coisas do “Marcelo”. Ficariam, é certo, algo desconfortáveis se Sousa fizesse estas “partes gagas” no Brasil e nem imaginam que as fizesse em Atenas, Roma, Nova Iorque. Ou, ainda menos, à saída de um encontro com a rainha Isabel II ou com o Papa no Vaticano. E não achariam piada se um presidente angolano ou moçambicano viesse aqui a São Bento à tomada de posse do nosso presidente e depois saísse e fosse até ao Largo de Santos, trocasse de roupa no carro, e se sentasse a beber uns copos nas esplanadas, cercado de uma comitiva de jornalistas eufóricos. Ou, mesmo, se seguisse ao areal plantado no Cais das Colunas, ao Terreiro do Paço, ali vestisse o calção de banho, rodeado dos jornalistas e seus seguranças, e se fosse banhar.
Mas como é o “Marcelo”, lá nas Áfricas, tudo tem piada. Os mais ignorantes julgam até que isto é bom, produtivo, para a melhoria das relações entre os países – não se vê na reportagem os “populares” locais a saudarem estas encenações?
Isto é tão patético, tão “envergonhador”… E mostra bem o grau de preguiça de quem se debruça sobre as relações internacionais. Para além do estupor da imprensa, sempre sufragando estes rumos histriónicos. Vejo a notícia no Público, jornal que segue em frenesim “decolonial” (ou “póscolonial”, ou lá como o quiserem chamar), tudo atropelando nesse rumo. Ora mesmo aí, nesse contexto “ideológico” da junção entre jornalistas e académicos de aparência “crítica”, a reportagem de António Rodrigues vem com o interessante título “Assistência entusiasmada festeja mergulho de Marcelo no Golfo da Guiné“. A alusão épica é evidente e – porque se trata do tal militante Público – só posso sorrir. Urge no jornal uma auto-crítica “decolonial”… E para quem me diga o contrário isto nem sequer é o mesmo do que a imprensa moçambicana noticiar um hipotético mergulho do presidente Nyusi no aprazível Algarve como “entusiasmo popular acolhe mergulho de Nyusi nas águas da Corrente do Golfo”. É ainda mais estapafúrdio.

O senhor Sousa está no bom caminho. É necessário voltar a colonizar África até mesmo de mergulho.
Tem V. toda a razão: rir é o melhor remédio…
Já enchi o saco das “vergonhas alheias” por causa do senhor.
Dantes irritava-me, agora tenho pena.
É evidente que o senhor é um doente, e para lá de todos o “brilhantismo” que muitos lhe atribuem, sofre do “Síndrome de Peter Pan”
Eu não creio nisso, isto é o seu projecto político (a sua perspectiva política), cujo tom histriónico se incrementa quando, mal chega à CPLP (excepto aquela ex-colónia espanhola, presumo) mergulha num efectivo “lusotropicalismo” desadequado. Sobre isto, sobre esta impertinente concepção do exercício presidencial, botei há já anos este texto (para o caso de ter paciência para o ler): https://tufaohoje.wordpress.com/201 6/12/19/rebelo-de-sousa/
Sobre o tufão, vejo na imagem que o senhor Sousa vai a banhos com máscara. Provavelmente para evitar os efeitos do lodaçal no atlântico.
É sabido que em Portugal trabalha-se linearmente muito e mal. Porém este trabalhar mal tem prevalência em todos os serviços ditos do estado: justiça, saúde e as diversas repartições públicas.
Por isto mesmo não me estranha que o vice-almirante Gouveia e Melo, apesar da causa ser má e falaciosa, ande na berlinda e tenha sido solicitado para fazer o balanço na assembleia de sua actividade logística – bem executada – em prol da má causa. No lugar do vice não me exporia tanto, porque até parece mal.
Vem isto a propósito do lodaçal que o senhor sousa anda a evitar, contando agora que a RTP, um serviço financiado e pago também pelos portugueses, tenha reunido alguns trabalhadores para exigir que os não vacinados sejam impedidos de frequentar espaços colectivos.
Neste sentido, o senhor Sousa, usando máscara, deve enfrentar este lodaçal que pretende que um organismo público implante a arbitrariedade numa sociedade em que os neofascistas – alguns – vacinados, que não protegem os demais de serem por si contaminados, queiram transformar numa ilha de leprosos um organismo que é pago também por esses “leprosos”.
Dito e redito, mando-os foder a todos.
1. Contrariamente ao que muitos dizem, a máscara é fundamentalmente um instrumento de autoprotecção. Como tal não desvalorizo a pertinência da sua utilização pelo presidente, principalmente quando busca a proximidade de um conjunto de pessoas – as quais, ainda para mais, muito provavelmente na sua maioria não estarão vacinadas. Ou seja, é possível que entre eles haja mais infectados. E em assim sendo é também possível que entre esses hipotéticos infectados haja quem esteja com sintomas, que os façam expelir secreções que incrementam o contágio. O PR está vacinado, dirão alguns desatentos (ou malévolos, pois entre os torpes anti-vacinas há muito estúpido que só se quer armar em parvo sobre um assunto demasiado grave para brincar. Ou seja, apenas seguindo uma malevolência abjecta, mesmo que apenas na imbecilidade de quase nulo efeito ao teclado no remanso do lar). Sim, mas estar vacinado não elimina o risco de ser contagiado, apenas reduz possibilidades e mitiga os hipotéticos efeitos. Mas sim, isso provoca a “foto” algo ridículo de um PR de máscara na praia, o que também poderia evitar se evitasse este tipo de actuação.
2. A causa má do vice-Almirante a que se refere presumo que seja a coordenação e maximização da vacinação da população portuguesa. É totalmente patética, se for essa a ideia. Se não for… ainda bem.
3. Quanto ao que diz sobre a rtp nada sei. Se assim é parece-me um absurdo. Cuja pior consequência é animar a abjecta mole de anti-vacinas, permitindo-lhes andar pelas cloacas da razão a clamarem as imbecilidades de que são ciosos locutores.
1 – Sobre a oportunidade do uso da máscara, estamos conversados;
2 – Sobre as cloacas que apregoam vacinas covid19 (eu escrevi covid 19) como resolução de um não sei quê, não estamos de acordo. Reme-se em casa ou fora de casa ou ainda em qualquer outro sítio que demonstre isto mesmo. O UK apresentou mais de 40.000 infectados em 24 horas, sem escrever sobre mortes. Em Portugal os números têm vindo a mostrar (como previ) o aumento exponencial de infectados depois da dita “libertação”, de maior taxa de mortalidade face às infecções e o R(t) a subir. E não, a vacina covid não evita a infecção e tampouco a transmissão de quem está vacinado para outros;
3 – Significa o exposto no anterior número que a má causa refere-se à ilusão de que a vacina covid19 resolveria a questão. Portanto, um bom trabalho logístico não minimiza o impacto;
4 – Qualquer entendido na matéria dir-lhe-á que ainda não se entende muito do comportamento do bicho; e qualquer entendido dir-lhe-á ainda que é muito prematuro para se falar o porquê de o bichinho perder a força em certos cantos do mundo e em outros não. Qualquer entendido dir-lhe-á ainda que não existem estudos credíveis que indiquem que a perda da força do bicho se deva à vacina covid19;
5 – Todavia, no que vai exposto não se infere a apologia de um movimento anti-vacinas. Pelo que sei, permito-me recomendar o uso de máscara em sítios fechados, mas arejados, e distância superior a 2 metros agora que se aproxima o inverno, bem como a higienização dos locais, meios de transporte e a lavagem diária e periódica das mãos. A meu ver também seria bom o teletrabalho e a telescola nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto
Eu não vou entrar em discussão sobre vacinas, ainda para mais num postal destes. Há uma honorabilidade discursiva necessária que os anti-vacinas não cumprem, que é única forma de poderem continuar a perdigotar. E eu exemplifico-lhe: eu digo que a vacina não impede a infecção e o contágio. E você contrapõe exactamente com isso tentando deturpar o que lhe disse. Não é uma normal incompreensão, é uma recorrente estratégia de falsificação. Neste assunto absolutamente perversa. Apatetada nos iletrados ignorantes. Vila nos letrados.
Vil, claro.
Quer Você dizer que concorda comigo em tudo na matéria desde que seja você a dizer o que eu digo.
“Sim, mas estar vacinado não elimina o risco de ser contagiado,…”. O que transcrevo foi o que escreveu, e eu escrevi que estar vacinado não impede de contaminar OUTROS, incluindo outros vacinados.
A honorabilidade dos vacinados e de quem propagandeia tão vil informação obriga-os aos mesmos cuidados dos não vacinados, e não a persegui-los com argumentos que a esses mesmos se aplicam. Haja honestidade.
Obrigado pela sugestão que li com todo o interesse.
De facto, “quem sai aos seus não degenera”.
Bom post.
Não votei nunca nele. Infelizmente tenho que o aturar, pois os outros votaram.
Obrigado. Certo que é a essência da democracia, isto dos eleitos não serem os que nós apoiamos. E podermos criticar. Mas neste caso nem é isso. É mesmo o custar o quão desadequado (e de facto altaneiro) é este comportamento. E desnecessário.
Não é bem um comportamento altaneiro. É, mais precisamente, um comportamento neo-colonialista. Exibe, no fundo, o desprezo de Marcelo por aqueles pretos que ainda deveriam ser seus súbditos.
Neste casos, balio, costuma-se dizer: tirou-me as palavras da boca. Há um desgraçado (e desengraçado) paternalismo menosprezador nestes tiques. E que são sentidos como tal, apesar da festa “para a tv ver” com que as crianças e alguns populares incautos acolhem aquilo.
Já ninguém quer saber. Nem é achar piada, é mesmo encolher os ombros. Chegámos a um ponto de indiferença sem retorno fácil. Diga-se que a classe política em muito contribuiu para isto, ao destruir a dimensão litúrgica dos poderes executivo e legislativo.
Sim, eu penso que esta via até humorística de exercício presidencial é uma forma (querida pelo próprio presidente) de despolitizar a sociedade [em comentário acima deixei ligação para um texto antigo meu em que abordo isso]. Retira gravitas à função presidencial para retirar densidade à política como é entendida pelo “povo”, e nisso reservá-la aos corredores (esses sim formalizados) dos agentes políticos de topo.
Isto do político ser “um homem do povo” estava reservado às campanhas. Dançavam (olá camarada Jerónimo), iam às patuscadas, metiam a boina e bebiam uns copos com a plebe. O Marcelo está em campanha 365 dias por ano, mais um nos bissextos.
Isso parece óbvio, nesta encenação dos “afectos” (que resulta em termos de popularidade e de aceitação à sua rota). Mas nestes casos no estrangeiro é totalmente descabido.
Por um lado temos o Chefe de Estado de calções em plenas funções presidenciais, por outro temos o Vice a aparecer fardado na TV. Em ambos os casos há reclamações. Agora escolha.
Se é de posturas que falamos (pois não sou nada seguidor daqueles que já viam o nosso Vice-Almirante como candidato a um posto político) prefiro, e imenso, um militar que se apresenta curialmente com a sua farda de trabalho, tal como os usos actuais consignam – mesmo que isso tenha parecido estranho a quem (como eu) estava habituado a outros usos.
O Vice (faltou o Almirante) foi deveras criticado por aparecer fardado em diversas aparições. Os argumentos do costume. Que o senhor nos queria esfregar na cara que era militar, e que fazia questão de mostrar o camuflado para se diferenciar. Como se tal não fosse normal, pois ele era (é) MILITAR.
Presumo que esses apreciem o Marcelo despir a farda, ou o hábito, em ocasião oficial. Não há razão para se pavonear de fato.
Assunto de nenhum interesse tratado como se fosse importante.
Como se chamava um tipo da Indonésia que nos visitou há já muitos anos?
Depois o JGmenos há-de fazer o favor de enviar aqui para o blog a lista de temas aos quais atribui importância suficiente para que aqui sejam abordados. Antecipadamente grato, jptMais
jpt escolhe os temas que entende, quem lê entende que não têm interesse.
Ficam os temas escritos e as opiniões/comentários (os que aparecem publicados).
Sem qualquer tipo de comparação, havia um comentador cinematográfico que criticava Chaplin por tudo e por nada que ele fazia, fazia magistralmente dizia a grande maioria, e arranjava a fatiota do Charlot para o criticar ‘assim vestido, credo!’, afinal criticava por Chaplin ser estrangeiro e de origem cigana.
O Presidente Marcelo, que é e até fala à finório de Cascais, tem de levar sempre que faça ou não faça qualquer coisa pela simples razão de ter dado posse ao governo anterior e até a este.
E, então, ‘se fosse um Presidente a sério não estamos como estamos’.
Prontus.
Li na capa de alguns jornais e revistas que Marcelo vai ser submetido a uma cirurgia. Será que, finalmente, lhe vão implantar vergonha na cara?
Alguém devia explicar a Marcelo que, quando vai a uma cerimónia oficial num país estrangeiro, está lá em trabalho a representar o país e pago pelo contribuinte.
O presidente sabe que está a representar o país. Considera que assim é a melhor maneira de o fazer. E como repete o estilo, qual marca d’água, é evidente que ninguém lhe conseguirá explicar a situação pungente em que segue.
Apaguei alguns comentários pois referiam-se ao PR em termos algo desajustados, ainda que não escandalosamente insultuosos, e fi-lo por duas razões: a primeira é porque o PR tem uma dimensão simbólica, e por isso há enquadramento legal específico para punir quem o desrespeitar. Ora ao aceitar comentários a um texto meu que possam ser assim entendíveis estou, de algum modo, a ser pelo menos conivente. E não estou para que me atirem isso à cara (ou à bolsa). Portanto peço aos comentadores que não botem coisas dessas num postal como este – ainda para mais porque alguns o fazem anonimamente.
E em segundo lugar porque é um total contra-senso. As pessoas (pelo menos os comentadores a quem apaguei) irritam-se com a desvalorização simbólica da presidência que estes mergulhos significam. E depois eles próprios por algum (mas não muito, friso) exagero lexical também apoucam a tal dimensão simbólica do PR.
Difícil levar o PR Marcelo a sério. Nas palavras da Viúva Perpétua, está sempre se dando ao desfrute.
Muito bem. Apoiado.
Mais uma vez, peço desculpas, mas tem toda a razão, saloio sou eu, e ainda pertenço à tal sociedade civil historicamente fraca que faz fortes suas excelências.
Espero estar identificado.
Obrigado.
Obrigado pela compreensão.
Apoiada a tua decisão do foro editorial, não outra coisa qualquer.
Embora a irónica alusão do leitor à saudosa Dona Perpétua me tenha feito sorrir.
Pois, o humor é bem-vindo. Mesmo que (ou especial se) cáustico. A afronta lexical – se com o PR em particular – é que é mais cada um que a faça em seu sitio
Obrigado.
Sou a prova viva de que todos os burros sao anonimus mas nem todos os anonimus são burros. Ou será o contrário?
Vou a partir de agora iniciar os comentários com “posso penetrar?”
Marcelo é a nossa Esther Williams.
A sereia de Celorico.
Pois, M.R.S. nunca passou de um adolescente mimado, traquinas.
Não foi com o meu voto que foi eleito nem reeleito PR.
Tenha da figura do Chefe de Estado uma outra ideia.
No entanto, tenho um enorme respeito pelo seu seu pai Baltazar Rebelo de Sousa, já falecido.
Adoro estas campanhas de apanha de lixo nas praias, através da fotografia gostei de ver o nosso presidente meter as mãos e assumir a recolha de lixo nas praias, pelo saco dá ideia que apanhou bastante lixo. Parabéns grande presi.