Ventania


jpt,

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A ventania que remodelou o governo PS é muito mau sinal. Com o PSD igual ao Sporting pós-Alcochete, Cristas encantada com o pseudo-sucesso lisboeta e o CDS incapaz de por Mesquita Nunes onde já devia estar, o BE roblesado e o PCP no respeitável mas doloroso e inimputável estado mental em que tantos dos nossos queridos mais-velhos vão ficando, o vice de Sócrates reforça-se bem. A senhora da Cultura é competente (também quem lá estava era péssimo, fácil de substituir). E Cravinho é muito bom, cumpriu bem como presidente da cooperação e foi excelente como secretário de estado. Está na óbvia rota para futuro MNE. E o Matos Fernandes, tão resguardado que nunca chamuscado nos terríveis fogos e nas coisas do petróleo, vai-se alargando. “Marquem as minhas palavras”, querem alguém do Porto no poder?, esperem-pouco e olhem para ali.

Contornar estes baixios vai ser muito difícil. Mas, como em tempos se disse, navegar é preciso, viver (a vida videirinha, funcionária/avençada) não é preciso …

29 comentários em “Ventania”

  1. jpt diz, portanto, que estamos mesmo no ponto para sermos colhidos pelo olho do furacão…

    mas olhe que há quem acredite que o português é de brandos costumes, confundido o alheamento com mansidão.

    Sobre Mesquita Nunes, acho que é mais um caso de pessoa certa num partido errado.
    Por ver várias pessoas certas nos partidos errados, talvez porque descreio dos partidos mas não das capacidades e da coerência de concidadãos unidos em tirno de projectos, sou cada vez mais temerosa das pessoas-bandeira que vêm substituindo os projectos-bandeira por este mundo.

      1. Não é o meu partido, não tenho, nem nunca naquele votei. Mas aprecio o que tem vindo a ser o discurso (o homem é do blog mas isso está longe destas considerações, aliás nunca o conheci). Mas parece-me que Cristas não chega. Quanto ao conservadorismo gosto daquela pergunta, “conservar o quê”?

        1. Gosto do discurso de AMN que vou lendo e ouvindo (no blogue apenas recordo vagamente um seu texto), e quase na mesma proporção em que desgosto do de Cristas, digna herdeira do trauliteirismo do PP de Portas.

          Essa é uma excelente pergunta para colocar aos que se assumem conservadores – por mim, basta-lhes invocarem princípios religiosos e vejo (porque os vejo, efectivamente!) a não separação Estado-Religião-Indivíduo. Exemplo:
          “Outra crítica que li, talvez a mais absurda, é a de que o Adolfo está no partido errado. Valerá a pena lembrar que os partidos são realidades dinâmicas, que vão sempre sofrendo as intimações da realidade? Que no CDS já houve muita gente contra o divórcio e que agora se defende o casamento entre pessoas do mesmo sexo desde que não se chame “casamento” à coisa?”
          (https://www.google.pt/amp/s/www.jornaldenegocios.pt/opiniao/colunistas/francisco-mendes-da-silva/amp/sobre-o-adolfo-mesquita-nunes)
          Ou
          “É isto que permite ao CDS, independentemente da homossexualidade implícita ou explícita de alguns dos seus, ser contra o casamento gay, ou a adopção por casais homossexuais, por separar o respeito sagrado pelo indivíduo do experimentalismo social e das interferências no natural curso de vida de outros indivíduos.”
          (https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/o-meu-cardeal-patriarca-268537)

          Se acho que AMN está no partido errado é exactamente porque lhe vejo o liberalismo económico mas nunca me apercebi que cultivasse tal desvelo conservador. Claro que AMN saberá o porquê de ser CDS, e não tem de o justificar. Mas é inegável que o seu discurso dista léguas dos discursos dos seus correligionários.
          Se Cristas fosse menos dada à teatralização e ao chavão demagogo, seriam de um mesmo partido – e continuaria a achar que não o CDS.

          1. Talvez lhe aconteça o mesmo que ao Lucas Pires, que migrou para fora do contexto socioculturalmente conservador. Mas os tempos mudaram, e o PP foi uma tentativa de um partido liberal-populista, forma de então de gizar uma alternativa à direita – vinte anos depois vemos os soberanistas-populistas surgirem e vingarem. Mas nesse sentido poderá ter deixado uma semente liberal no partido, que nunca vingará definitivamente no PSD dadas as características sociológicas do partido e os vínculos estatizantes das suas lideranças (concelhias e distritais)

          2. Acho que adormeci a escrever a resposta… ou isso ou sonhei-a, pois não a encontro!
            Mas o riso manteve-se: “características sociológicas” do PSD? Consegue caracterizar o eleitorado do PSD (ou do PS, para o efeito é o mesmo) como um grupo? Vejo vários grupos, tantos que ainda me espantam tão poucas dissidências – que atribuo mais à clarividência de alguns aspirantes do que à sua-deles identificação ideológica com “o Partido”.

            Até porque os partidos perderam a função constitucional e democrática e transformaram-se em feudos. E talvez por isso ainda haja tão pouco extremismo assumido em Portugal, há feudos para vários gostos. Ou likes?!

  2. 6ºfeira, no Expresso da Meia Noite, era ouvir os comentadores, Paulo Baldaia, entre outros, que não se esperaria uma remodelação governamental com a saída do Aselha Lopes. Seria um erro politico, diziam das poltronas….há com cada aselha..

    Politicamente é de génio. Eliminaram-se os ministros mais polémicos, que é o mesmo que dizer, com menos jeito para as coisas da politica.

    1. De génio? Genial é não escolher ineptos para estas coisas. Quanto aos comentadores só me rio de quem ainda os houve. A semana passada vi no FB, partilhado por um amigo, um trecho colocado no youtube de um programa de “comentário político” (de facto é propaganda), o Eixo do Mal que dura há anos: era só isto, colocado no yt e partilhado com evidente sarcasmo, a comentadora Clara Ferreira Alves dizendo que nestes anos ela e os seus colegas, à excepção de um, só se haviam enganado numa coisa, no teor de Sócrates, achavam que era uma campanha contra ele. Quer dizer, estão há anos a receber para fazer a opinião política das pessoas (cada programa deve ter para aí uma audiência de campo de futebol cheio, pelo menos) e “só se enganaram” (e fizeram imensa campanha contra) sobre o facto político mais importante dos últimos 15 anos e que denota o estado do regime. E continuam, a perorar na tv, a escrever nos jornais, a serem pagos para isso, o de fazerem a opinião alheia …

      1. Não sei se ouviu no Eixo a mesma jornalista, referir-se à classe média brasileira com um preconceito tremendo. Dizendo que esta além de fascista,defensora do escravismo, empregando como funcionárioas da limpeza exclusivamente as pretas da favela, pagas a salários de fome, apenas se preocupava “politicamente ” com o viájar pêla Európa.

        Deixei de perceber Clara Ferreira Alves.

  3. Pura ociosidade, comentar nomes.
    Seja quem for, nada muda de substantivo.
    Talvez o estilo.
    Nada muda de substantivo, se não mudar substantivamente o regime.
    João de Brito

    1. Mudam-se os nomes, mudam-se os substantivos. Desta forma só se muda substantivamente o regime escolhendo outro com diferente nome. Eu cá prefiro a democracia

      1. Democracia significa, etimologicamente, poder do povo.
        Está mais que provado que o poder não está no povo, mas no monopólio dos partidos.
        Logo, o regime que temos está longe de ser uma democracia.
        João de Brito

        1. Numa democracia, mais que nos outros regimes conhecidos, o povo está mais próximo do poder, e o poder do povo.

          Veja-se o filho do gasolineiro, por exemplo.

          Há contudo que ser-se bom. O maior erro é confundirmos igualdade de direitos com igualdade de méritos. E é pelo mérito que se ascende. E contra isto resta, aos mais azarados, a conformação.

          1. De facto isso de etimologicamente a democracia ser o poder do povo é uma falácia, o poder dos “demos” não implicava o poder dum qualquer “povo”, mas enfim, o fundamental é que antes um “filho de um gasolineiro” no poder do que os que aludem aos “gasolineiros que têm filhos” na sala …

      1. O CDS ainda é um partido conservador? É que a Esquerda tem o handicap da mensagem de condenação moral da riqueza e do lucro. A Direita o handicap da Tradição, e dos valores conservadores.
        Gostando de Mesquita, não o vejo na presidência do partido

          1. Então ele é isso? “O inimigo do meu inimigo” et coiso… Tu quoque, jptus? É que nem podia ser um mais maneirinho, tinha que ser logo à Galambada!

            Pessoalmente, contesto! Cristas não é de Arroios! Antes de ser deputada municipal por Lisboa é deputada nacional eleita por Leiria; e podemos ambas ter perdido o mapa que fazia de Lisboa a Cidade das 7 Dunas, ali entre Nazaré, Alcobaça e Marinha Grande, mas não é por isso que a vou renegar!!!

          2. desculpe, jpt, mas esta foi sonora!

            Calculei, a segunda é uma piada muito minha, traumatizada que estou ainda ao fim de tantos anos a ver os políticos serem eleitos pelo círculo que dá mais jeito ao partido e não pelos vínculos à autarquia ou ao círculo eleitoral que constitucionalmente representam. No caso, a desfaçatez de Cristas – sendo deputada na AR pelo distrito de Leiria, concorre à CM de Lisboa sem sequer falar numa demissãozita.

            Na primeira parte, fiz mesmo uma pergunta velada por ironia falhada: porque um comentador atirou a um alvo à direita, identificou-o como apaniguado de um alvo à esquerda (e logo um coiso como o senhor secretário de não sei quê!), sendo a pergunta “também o jpt sucumbiu ao estilo criticar-um-é-defender-outro?” Claro que pode ter histórico de pró-galambismo no comentador a quem respondeu; mas sendo leitora assídua e tendo-me cruzado diversas vezes com o atitopoteu em jornais e noutros blogues, acho que nem ga(la)mbas nem caviar…

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